Governo quer dar mais chances para estudantes do ensino público por meio de sistema de cotas

Polêmica das cotas em universidades

Atualizado: Segunda-feira, 4 Fevereiro de 2013 as 12:05

 

 

vestibularO governo do Estado de São Paulo deseja aumentar as chances de aprovação nos vestibulares das universidades públicas de São Paulo para alunos que fizeram ensino regular em escolas públicas, utilizando-se do sistema de cotas, já anunciado em dezembro de 2012 pelo atual governador do estado, Geraldo Alckimin (PSDB).

O sistema foi adotado exclusivamente para as universidades mais concorridas sendo elas USP, Unicamp e Unesp, todas sob a tutela estadual.

Segundo dados divulgados pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), o maior percentual de alunos aprovados nos vestibulares destas universidades tem perfil de alunos de colégio particular com renda familiar mensal superior a sete salários mínimos, branco, que correspondem a 70% dos 10.952 aprovados na sexta-feira na primeira chamada do vestibular 2013 da Universidade de São Paulo (USP).

No ano passado, o índice de matriculados que fizeram ensino regular em escolas públicas foi de 28%. A mais concorrida universidade do país é, hoje, difícil de ser acessada por jovens de escolas municipais e estaduais.

A idéia do governo do Estado de São Paulo prevê destinar até 2016 50% das vagas para alunos da rede pública por meio do Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp) defendido pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, nomeado para o cargo em 2009, pelo então governador, José Serra (PSDB).

Para começar a valer no próximo vestibular, o Pimesp precisa ser aprovado pelos conselhos das universidades. Na USP, a primeira reunião está prevista para março, mas dois fatores podem atrasar o processo que coloca o projeto em prática: a mudança, no início de 2014, da reitoria e a falta de diálogo, até agora, com os 91 mil estudantes.

Caso seja aprovado, o programa irá receber, por ano, 2.000 estudantes do terceiro ano do ensino médio público, selecionados pela nota do Enem ou do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo).

Pelo novo modelo, os mais bem avaliados serão recrutados e terão aulas presenciais e on-line no colégio comunitário, chamado de "college", em alusão ao modelo norte-americano.

Para curso de dois anos os alunos poderão após a conclusão do primeiro ano, prestar o vestibular tradicional e usar bonificações oferecidas pelas universidades e após o termino do segundo ano, eles receberão um certificado de curso que permitirá disputar concursos públicos de emprego.

Os alunos que concluírem o colégio comunitário também poderão disputar vagas reservadas nas universidades estaduais e o desempenho de cada estudante é o que definirá os cursos de graduação que ele poderá cursar. Caso ele não tenha nota para o curso desejado, poderá usar créditos e prestar o vestibular tradicional.

A grade curricular abrangente e comum a todos os alunos defendida pelo Pimesp já é utilizada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste. Lá, os novos alunos cursam de um semestre a um ano antes de seguirem na graduação.

O projeto, no entanto, só ganhou forma em 2004, quando o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas aprovou a construção de uma unidade em área carente.

Muitos ainda não são a favor do novo sistema, mas segundo o governo, a medida é necessária e beneficiará a todos!

 

com informações de: Folha de São Paulo

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