Guia de carreiras: Artes cênicas

Guia de carreiras: Artes cênicas

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 3:27

Interesse profundo pelas artes em geral e vontade de adquirir cada vez mais conhecimento na área são pré-requisitos para quem sonha em enveredar pelo mundo do teatro. Disposição para pesquisar e ensaiar até doze horas por dia nos meses que antecedem um espetáculo, vontade de participar de produções coletivas e preparo para superar a timidez e se expor são outras características essenciais ao candidato a uma vaga em cursos de arte dramática e artes cênicas.

As dicas são do diretor do grupo Teatro de Narradores, José Fernando de Azevedo. O grupo foi criado há doze anos em São Paulo pelo diretor e outros colegas de profissão da Escola de Arte Dramática (EAD) e do curso de artes cênicas da Universidade de São Paulo (USP).

Formado em filosofia, Azevedo mescla os conhecimentos na área com estudos da linguagem do cinema, que também cursou, nas produções que dirige no Teatro de Narradores. A peça “Pílades”, atualmente em cartaz, por exemplo, usa projeções em vídeo. “O contato com os diversos setores da cultura é fundamental”, disse.

A formação exigida para o ator é a de nível médio e para o diretor é a de nível superior. Na USP, por exemplo, há um curso de nível técnico específico para atores, a EAD, e o curso de artes cênicas, de nível superior, ambos na Escola de Comunicações e Artes (ECA). O curso superior tem as opções de bacharelado com habilitação em direção, interpretação, teoria e cenografia. Há ainda a licenciatura em educação artística com habilitação em artes cênicas para quem pensa em dar aulas de teatro.

Área em que as produções dependem de diversos profissionais, todos devem estar preparados para o diálogo entre diretores, atores, dramaturgos, cenógrafos, ilumidores e vários outros. Já o trabalho pode ser feito em vários tipos de produção, como grupos e companhias teatrais, musicais, peças infantis e também na televisão, cinema e publicidade.

“É um campo vasto de atuação dentro de condições que nem sempre são as mais evidentes ou ideiais. Não existe um campo específico. Depende muito da escolha desse artista, do projeto artístico dessa figura e do que ele pretende como arte”, afirmou Azevedo.

A remuneração é variável. De acordo com Azevedo, é impossível falar em um ganho médio na função de diretor. Os atores podem se basear em uma tabela do sindicato da área, que prevê salário-base de cerca de R$ 2.700 mensais, em São Paulo, mesmo assim, a variação é grande.

Vários grupos de teatro da cidade de São Paulo atuam com incentivos públicos, já que o município tem uma lei de fomento ao teatro, que financia 30 grupos por ano. O valor do investimento pode chegar a R$ 600 mil anuais em um grupo, de acordo com Azevedo. Esse dinheiro é administrado, na maioria das vezes, pela Cooperativa Paulista de Teatro, que funciona como pessoa jurídica e cuida da parte administrativa para os profissionais associados. Além disso, a cooperativa tem força política para representar a categoria, de acordo com Azevedo.

Atores

Dirigidos por Azevedo, a rotina de trabalho dos atores do Teatro de Narradores inclui ensaios e apresentações no entorno da sede do grupo na região central de São Paulo. Os atores têm de interagir com a vizinhança, fazer entrevistas com pessoas que possam dar subsídios para personagens e precisam ainda participar de discussões sociais e políticas durante o processo de criação das peças. "Tem de superar a timidez e aprender a se expor", disse o ator Benito Karmonah, de 35 anos, que estudou interpretação em uma escola de nível médio e depois fez curso superior.

Vinícius Meloni, de 26 anos, começou a trabalhar com teatro amador em Birigui, no interior de São Paulo, onde morava. Ao se mudar para a capital, para cursar a EAD, fundou um grupo na escola e depois entrou para o Teatro de Narradores. “Agora quero fazer mestrado, para poder dar aulas, mas antes tenho de fazer um curso de nível superior”, disse.

veja também