Guia de Carreiras: Moda

Guia de Carreiras: Moda

Atualizado: Segunda-feira, 21 Fevereiro de 2011 as 2:18

O glamour de ter uma marca própria ou ver a coleção no desfile badalado com modelos famosas é uma realidade para uma parcela mínima dos profissionais formados em moda. Por outro lado, aquecido pela ascensão das classes C e D, o mercado está em expansão e absorve os profissionais que têm espírito empreendedor e interesses que vão além do mundo fashion das passarelas. Conheça um pouco mais sobre a profissão no Guia de Carreiras desta terça-feira (8).

"Há um mercado super amplo que está crescendo de confecções que começaram pequenas e foram ganhando o mercado. Há estilistas que saíram do mundo do glamour das passarelas para fazer pesquisas e criar para estas confecções e tecelagens. É preciso ter um olhar para outras áreas da profissão", afirma Evilásio Miranda, diretor da Associação Brasileira de Estilistas (Abest).

O profissional formado em moda está habilitado a desenhar peças de roupas e joias, criar moldes, prestar consultoria para marcas, além de promover editoriais de modas em revistas, por exemplo.

Para Miranda, a principal necessidade do mercado é ter bons profissionais em gestão. "Aquele que tem olhar para moda, mas cabeça de administração e pensamento estratégico."

É o caso da estilista Gabriela Sakate, de 24 anos, formada em moda pelo Centro Universitário Senac. Gabriela tem uma marca de roupas com seu nome, cria coleções e ainda presta consultoria para outras empresas.

A formação básica para planejar coleções, desdobrar temas e aplicar materiais ela adquiriu na graduação. Também foi no curso superior que exercitou o espírito empreendedor e teve noções de como montar e administrar a própria empresa.

O conhecimento técnico é fundamental para quem for atuar em criação. Miranda afirma que é imprescindível conhecer as formas que os tecidos adquirem, saber costurar uma peça e acabar uma gola. "O papel aceita tudo, qualquer desenho e não basta desenhar bonito."

Inspiração

Para criar, Gabriela aprendeu a olhar e buscar fontes de inspiração. "O profissional que trabalha com criação tem de treinar o olhar todos os dias. Não só lendo revistas de moda, arquitetura ou design. A gente não para nunca. No caminho de casa, por exemplo, você pode ver coisas que te inspiram. Às vezes uma luz ou uma cor diferente", diz.

A música é uma das aliadas na criação. Varia de acordo com o estilo da coleção. "Se o tema é mais romântico, a música é mais calma. Se for mais pesado, parto para o rock'n roll", afirma.

Pelo segundo ano consecutivo, Gabriela participou da Casa de Criadores, em São Paulo, que reúne o trabalho de jovens estilistas. Levou roupas, bolsas e sapatos que já têm estilo definido. As peças de Gabriela são clássicas, elegantes, com cores claras e sem brilhos ou apliques.

Além de ter criatividade e feeling para definir um estilo, a carreira exige sensibilidade. "É preciso saber apreciar a história para entender que a moda retrata o momento em que estamos vivendo. É a forma de expressão mais livre do que nunca", afirma Miranda.

A profissão de estilista não é regulamentada, portanto não há um piso salarial fixo. De acordo com Miranda um profissional recém-formado ganha, em média, R$ 1 mil por mês e os salários podem chegar até R$ 40 mil.

Por: Vanessa Fajardo

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