Guia prático para quem quer fazer universidade no exterior

Guia prático para quem quer fazer universidade no exterior

Atualizado: Terça-feira, 19 Julho de 2011 as 9:24

Com a disputa ferrenha no mercado de trabalho, cada um busca a própria maneira de se destacar no âmbito profissional. Alguns estudam diversos idiomas, outros focam em trabalhos voluntários e há quem não dispense um bom curso especializado. Uma opção que parece estar longe da realidade, mas não é nada impossível, são os cursos de graduação em universidades no exterior. Siga o iG Jovem no Twitter Segundo a classificação 2010-2011 da revista “Times Higher Education”, que todo ano seleciona as 200 melhores faculdades do mundo, os melhores cursos estão nos Estados Unidos (com 71 classificadas) e Reino Unido (28 universidades). Mas países como Holanda (10), Alemanha (14), e Canadá (9) também não fazem feio. Desta forma, a busca por instituições mais respeitadas é um caminho natural.

  Fabiana Fernades, gerente de au pair e universidades da Central do Intercâmbio, explica que, apesar de um ímpeto inicial, a maioria dos possíveis candidatos acaba desistindo antes de dar os primeiros passos. “É mais fácil do que as pessoas imaginam”, garante.

Para quem busca os Estados Unidos, é necessário, além de enviar documentos, comprovação de renda, boletins e histórico escolar, prestar o SAT, exame nacional que analisa as capacidades intelectuais do candidato, mas nada muito complexo. “O SAT envolve só matemática e lógica. É um nível mais tranquilo do que o ensinado no Brasil durante o Ensino Médio”, garante Bruno Seixas, gerente de Higher Education da STB.

Estudando em Viena Os países da União Europeia, por outro lado, apresentam caminho ainda mais fácil para estudantes estrangeiros. A paulistana Livia Lipkau, de 22 anos, cursa ciência da educação na Universidade de Viena, na Áustria - que está entre as 200 melhores do mundo -, e comprova a facilidade. “Foi super simples. Mandei os documentos e boletins, junto com um formulário da faculdade preenchido. Logo recebi a carta e fui aceita!” Uma coisa é certa: para estudar fora é essencial ter um bom desempenho acadêmico. “É importante ter boas notas e se envolver em projetos legais. Quanto maior este ‘currículo’ de quem busca estudar fora, maior a gama de opções que ele terá”, explica Bruno Seixas. Mas não é caro estudar na Europa? “Quem tem cidadania europeia – eu tenho a alemã - paga 16 euros por semestre. A faculdade é de graça, esses 16 euros são para eles fazerem a minha papelada. Quem não tem passaporte europeu paga 363 euros por semestre”, explica Livia. Sobre as dificuldades de morar fora, Livia elenca as diferenças culturais como principal desafio. “Foi difícil entender o humor - ou falta de humor - dos austríacos”, Além disso, o frio também pode assustar. “Uma grande dificuldade pra mim são os meses de inverno”. Apesar da total imersão em um país diferente, a estudante explica que o fato de a universidade abrigar bom número de alunos vindos de fora, acaba facilitando o intercâmbio. “Os nativos, na maioria das vezes, já têm um grupo de amigos, mas os estrangeiros querem conhecer gente, são bem mais abertos”.

Moda em Munique A estudante de moda Meike Etzel, de 23 anos, cursa o primeiro ano da tradicional ESMOD, em Munique, universidade cuja matriz na França existe desde 1841. Para ela, o mais difícil é a distância da família. “É duro estar longe da família e não poder ir rapidinho para casa 'dar uma choradinha no colo da mãe'”, brinca. Diferente de quando vivia com os pais no Brasil, Meike conta que teve que aprender na marra a se virar sozinha. “Agora já me acostumei, mas no começo eu às vezes me esquecia de fazer compras, lavar a roupa, essas coisas”. Com ainda três anos para cumprir, Meike não sabe que caminho seguirá depois que se formar. “Pretendo algum dia voltar para o Brasil, mas não sei dizer quando isso vai ser. Depois da faculdade, vou para onde achar emprego”, revela.

E aí, animou para estudar fora? Confira abaixo um guia prático com as principais dúvidas dos candidatos

Quando fazer: O processo para se candidatar a uma vaga em uma instituição no exterior deve ser iniciado entre seis meses e um ano antes. Cada país tem o ano letivo iniciado em determinada época. Nos Estados Unidos, as aulas começam em agosto, assim como na Austrália e no Canadá. Já no Reino Unido, França e Alemanha as aulas têm início em setembro.

Como funciona: O processo de seleção varia de acordo com a instituição escolhida, mas, em geral, é necessário traduzir uma série de documentos, levantar o histórico escolar e conseguir cartas de recomendação de alguns professores. Nos Estados Unidos, é necessário, além disso, prestar o SAT, exame que avalia a capacidade matemática, lógica e de compreensão de textos do candidato.

Idioma: Tendo em vista que o candidato terá aulas na língua nativa do local escolhido, proficiência no idioma é essencial para ser admitido. Exames que comprovem a capacidade de comunicação do aluno são exigidos. Algumas instituições, no entanto, oferecem a opção para que o aluno vá alguns meses antes de as aulas começarem para aperfeiçoar o idioma no próprio campus.

O que as universidades buscam: Bom histórico escolar e atividades extracurriculares são sempre essenciais para aumentar as chances de ingresso em uma boa universidade. Faculdades mais rigorosas, como Harvard ou Yale, exigem média acima de 90%, mas, em geral, notas acima de 60%, 70% já garantem lista considerável de opções tanto nos Estados Unidos como nos países da União Europeia. Na França, aquele que tiver sido aprovado em um bom vestibular da mesma área por aqui tem ingresso quase garantido.

Quanto custa: Os gastos para estudar fora do país variam de acordo com o lugar escolhido, a moeda local e, claro, a universidade escolhida. Estes custos, no entanto, podem ser atenuados com bolsas de estudos oferecidas pelas próprias instituições. Nos Estados Unidos e no Canadá, a média anual é algo em torno de R$ 60 mil, sem bolsas de estudo, mas não é difícil conseguir uma bolsa, o que pode levar a anuidade a uma média de R$ 18 mil. No caso dos EUA, o preço inclui acomodação e alimentação no campus. Na Inglaterra, a anuidade varia entre R$ 10 e 30 mil, e o preço não inclui acomodação.Em outros países como Alemanha e França, o estudo é subsidiado pelo governo, o que pode diminuir consideravelmente os custos, principalmente, para aqueles que possuem cidadania europeia.

Quem pode ajudar: Alguns países possuem órgãos centralizadores que facilitam o intercâmbio de estudantes estrangeiros. Este é o caso dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá. Além disso, as agências de intercâmbio CI e STB possuem programas de auxílio para os candidatos, e também é possível fazer o contato diretamente através do site da instituição escolhida.    

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