Infelicidade na escola pode ser fator de risco para abuso de álcool

Infelicidade na escola pode ser fator de risco para abuso de álcool

Atualizado: Terça-feira, 30 Novembro de 2010 as 2:53

Crianças que, por algum motivo, têm problemas com o ambiente escolar, são mais propensas ao abuso de álcool na adolescência. O estudo, publicado no periódico Substance Abuse, Treatment, Prevention and Policy, observou que alunos com níveis de bem-estar e satisfação escolar negativos têm maior propensão ao comportamento de risco durante a adolescência.

Infelicidade na escola pode ser fator de risco para abuso de álcoolMark Bellis, que coordenou um grupo de pesquisadores do Centro de Saúde pública de Liverpool e da Universidade John Moores, no Reino Unido, colheu dados de mais de 3.500 alunos com idade entre 11 e 14 anos. "Aos 13 anos, em média, algumas dessas crianças já consumiam álcool e já tinham uma vida sexual ativa. Mas nós não focamos apenas no abuso de álcool e de outras drogas ou mesmo sobre comportamento sexual. Nosso estudo também foi buscar dados no relacionamento familiar e no ambiente escolar", explica o pesquisador.

Os dados sobre bem-estar em geral – incluindo relacionamento com os pais, felicidade e remorso – e aqueles relacionados com o bem-estar na escola – como a relação com os colegas, professores e como viam as regras impostas pelo ambiente acadêmico – foram cruzadas. De acordo com os autores, crianças com algum sentimento negativo associado ao ambiente escolar tinham o risco de iniciação sexual precoce aumentado em 2,5 vezes, assim como altos riscos de abuso de álcool.

"A pesquisa mostra uma clara situação de desamparo vivida por algumas dessas crianças e adolescentes que parecem não se adaptar ao sistema educacional convencional ou às regras impostas pelos pais", diz o pesquisador.

"Nosso estudo identificou que as crianças que consomem álcool precocemente também são aquelas iniciadas na vida sexual mais cedo e apresentam grandes sentimentos negativos em relação à escola e à família. Sem essa ligação com dois núcleos sociais – a família e o ambiente acadêmico – elas ficam mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis, à gravidez precoce e a episódios de acidentes, incluindo maiores internações hospitalares", finaliza Bellis.

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