Intercâmbio: Alemanha atrai jovens para 'high school'

Intercâmbio: Alemanha atrai jovens para 'high school'

Atualizado: Segunda-feira, 11 Julho de 2011 as 10

São as dificuldades da língua alemã que impedem que o número de estudantes brasileiros fazendo high school no país sejam maiores. Segundo gerentes de viagens estudantis, a Alemanha é um dos mais baratos para o ensino médio, já que o governo oferece bolsa em escolas públicas para estrangeiros.

A gerente de produto da Central de Intercâmbio (CI), Débora Lorenzo, afirma que o programa de ensino médio no país europeu é muito mais barato que em destinos como Canadá, Nova Zelândia e Inglaterra. "O governo oferece bolsa em escolas públicas para estudantes brasileiros, então existem várias organizações que fazem essa ponte entre o Brasil e a Alemanha", conta.

Como o ensino é gratuito, o aluno não tem a possibilidade de optar em que cidade deseja estudar, pois isso vai depender da escola que tiver vaga. Além disso, essas organizações internacionais também custeiam a acomodação do aluno, que sempre é em casas de famílias voluntárias - o que torna o programa ainda mais barato. "A cidade que o intercambista vai estudar vai depender da instituição com vaga disponível e também da procura por uma família que aceite recebê-lo", diz a gerente da CI ressaltando que, na maioria das vezes, os estudantes ficam em cidades pequenas.

A CI trabalha com duas dessas organizações que fazem a comunicação entre o governo alemão e as agências de intercâmbio do Brasil, e a World Study, com uma. Em todas, o processo é o mesmo, e o ensino é gratuito. A diretora da World Study Niterói, Maria Teresa Martins, conta que primeiro o aluno deve entrar em contato com uma agência e mostrar seu interesse pelo estudo de ensino médio na Alemanha, depois ele vai preencher alguns documentos e realizar um teste de alemão, logo após a agência manda os papeis para as organizações internacionais e elas decidem se concedem ou não a bolsa para o aluno.

A gerente da CI, Débora Lorenzo, conta que em 90% dos casos os alunos são aceitos, pois esse é o outro grande diferencial do high school alemão - o incentivo governamental para que estrangeiros aprendam o idioma. "O aluno que não tiver o nível de alemão tão alto também é aceito. Ele embarca duas semanas antes de entrar na escola para ter reforço do idioma na própria instituição de ensino", explica. Mesmo assim, de acordo com agências de intercâmbio, em geral, os estudantes não têm muito interesse em aprender a língua, por isso a procura ainda não é tão grande.

Maria Teresa também fala que outra grande diferença, entre os que têm alemão avançado e os que dominam somente o básico, é o tipo de ensino médio que vão cursar. A educação na Alemanha é muito diferente do Brasil. Até o ensino fundamental, a organização é praticamente a mesma, contudo, no ensino médio, as escolas são dividias em três tipos: hauptschule - que oferece formação geral e prepara aluno para escolas profissionalizantes básicas; realchule - que também oferece formação geral, mas os estudantes são habilitados para cursos técnicos mais avançados; e o gymnasium - que dura nove anos e oferece uma formação aprofundada, direcionando o aluno para as universidades que ele desejar.

Os intercambistas que tiverem proficiência em alemão conseguem bolsa nas escolas de gymnasium. Já os que tiverem um nível mediano são direcionados para as realchule. Porém, Maria Teresa alerta que o governo alemão só oferece bolsas de um semestre ou de um ano, ou seja, o intercambista não tem a possibilidade de se formar na Alemanha e logo ingressar na universidade. "O objetivo do governo alemão é que os estrangeiros tenham experiência com a língua e a cultura deles", afirma a diretora da World Study.

Segundo informações da empresa Portal do Intercâmbio, que organiza viagens internacionais estudantis, existe a possibilidade de ingressar em universidades alemãs por meio do estudo em Escolas Internacionais. De acordo com eles, essas escolas existem no mundo inteiro e possuem currículo em inglês e também do idioma local. Depois de concluir o estudo, que dura em torno de dois anos, o aluno tem a possibilidade de fazer o Internacional Baccalaurate (IB), teste que funciona como um vestibular e possibilita vaga em universidades não somente na Alemanha, mas no mundo inteiro.

A experiência de quem foi

Laura Pliz Bicca, 18 anos, teve a oportunidade de passar um mês em terras alemãs cursando o ensino médio no ano de 2007. A estudante conseguiu a bolsa por meio da escola particular que frequentava em Porto Alegre (RS), que por ser de origem alemã, possui convênio com escolas do país europeu e possibilita a experiência para os alunos interessados.

Laura ficou na cidade de Unterthingau, interior de Bayern, onde morava a família que a recebeu. "É uma família grande, com pai, mãe, uma filha da minha idade, uma dois anos mais velha e dois gêmeos de 10 anos. Me dei muito bem com todos", conta a estudante, que manteve contato com a família e os visitou no ano passado. "Quero visitá-los de novo", diz.

Na época com 15 anos, Laura frequentava as aulas de alemão de uma escola de realchule. "Além das aulas do idioma, eu também participava das outras normalmente, mas recebia mais ajuda e compreensão dos professores, pois meu alemão não era avançado", afirma. De acordo com ela, as escolas de realchule são muito parecidas com as escolas particulares do Brasil, tanto na questão do ensino como de horário, sendo diariamente das 7h até o meio dia.

"Como eu fiquei somente um mês, saí de lá achando que tinha valido a pena só para conhecer o país, mas quando eu voltei para as aulas de alemão aqui no Brasil vi que meu domínio do idioma tinha melhorado consideravelmente depois da experiência", conta.

Via: Terra

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