iPhone: brasileiro que criou Instagram diz que aplicativo não dá lucro

iPhone: brasileiro que criou Instagram diz que aplicativo não dá lucro

Atualizado: Quinta-feira, 27 Outubro de 2011 as 9:03

Quem usa o Twitter ou o Facebook com certa frequência sempre se depara com imagens de um programa chamado Instagram – aplicativo para iPhone que aplica efeitos retrô estilosos em fotos tiradas com o smartphone. Porém, o que boa parte dos internautas desconhece é que um dos criadores do aplicativo é o brasileiro Mike Krieger, 25, programador de software.

Com apenas um ano de vida, o aplicativo já soma mais de 10 milhões de usuários – entre eles, nada mais nada menos que o astro pop Justin Bieber – e, surpreendemente, não dá lucro. “Estamos pensando bastante em como ganhar dinheiro com o Instagram, mas ainda não anunciamos nada”, disse Krieger, em entrevista por e-mail ao UOL Tecnologia.

O programa, que também funciona como uma rede social de imagens, só está disponível para a plataforma iOS (sistema operacional do iPhone, iPad e iPod touch) e, mesmo com o fato de os aparelhos da Apple serem caros no Brasil, o país está em terceiro lugar no número de usuários do programa, atrás apenas de Estados Unidos e Japão. Sem contar que o aplicativo está no ranking dos 20 mais baixados na loja de aplicativos da Apple do Brasil.

O interessante do programa é que ele é bom tanto para quem tira fotos ruins -- os efeitos, às vezes, escondem os defeitos– como para quem já tira fotos boas.

Mike, que na verdade é Michel e mora nos Estados Unidos, conta o motivo de ter “mudado o seu nome”, do desenvolvimento de uma versão para smartphones Android e de como a empresa é mantida – uma vez que o programa é gratuito e não fatura com publicidade.

Veja abaixo os destaques da conversa com o brasileiro cofundador do Instagram:

Você é brasileiro, mas seu nome não é nada brasileiro. Seus pais são estrangeiros ou eles simplesmente gostaram do nome Mike?

Mike Krieger: O meu nome na realidade é Michel, mas estranharam aqui nos EUA, pois fica muito parecido com o nome "Michelle". Então acabei adotando o nome Mike como meu apelido.

Como você foi parar nos Estados Unidos?  E de onde surgiu a ideia de criar o Instagram?

Krieger: Eu fui aceito na universidade de Stanford, onde cursei a minha graduação e pós – a instituição tem um clima super legal de empreendedorismo, então tive contato com um monte de gente apaixonada pelo mundo de startups [empresas iniciantes do ramo de tecnologia – o Facebook, no início, era uma startup]. Depois de trabalhar por um ano e meio na Meebo, uma outra startup, fui convidado pelo meu amigo Kevin Systrom para fazer parte de uma empresa que ele estava montando.

No começo, a gente trabalhou num aplicativo chamado Burbn, que era uma rede social em que os usuários poderiam compartilhar a sua localização e também imagens, vídeos, planos para o fim de semana, etc. O produto era legal, mas muito complicado. Então, a gente passou por um processo de simplificação e acabamos lançando o Instagram, onde a gente buscou criar um programa simples e divertido.

O Instagram é um aplicativo gratuito e não tem propagandas. Você poderia, por favor, explicar como que o negócio é mantido?

Krieger: No começo, o Instagram foi sustentado por investidores-anjo [que colocam dinheiro em uma empresa – mesmo sem ser um negócio lucrativo a princípio – por acreditarem que o projeto algum dia vingue], mas em janeiro deste ano, recebemos um investimento maior (da Benchmark Capital), que é um fundo de investidores de maior porte.

Temos uma reunião marcada cada dois meses com os investidores, mas acabamos nos comunicando com bastante frequência, pois eles oferecem conselhos e dicas interessantes, baseadas nas experiências deles.

Quem são os investidores do Instagram? Vocês têm planos de ganhar dinheiro com o aplicativo?

Krieger: A Benchmark Capital, que também investiu no Twitter, e também a Baseline Ventures e a Andreessen Horowitz. Estamos pensando bastante em como ganhar dinheiro com o Instagram, mas ainda não anunciamos nada.

Existe a possibilidade de vocês desenvolverem uma versão do aplicativo para Android ou outras plataformas de smartphone?

Krieger: Sim. Estamos pesquisando outras plataformas, e recrutando engenheiros novos para trabalhar em um aplicativo de Android do Instagram.

Qual o tamanho da equipe do Instagram?

Krieger: Temos seis funcionários: três engenheiros, duas pessoas na área de suporte técnico, e uma pessoa trabalhando na área de negócios.

O alcance do Instagram chegou ao ponto de ter até exposições – em São Paulo, por exemplo, já teve uma dessas – baseadas em fotos “filtradas” pelo aplicativo. O que você acha disso?

Krieger: Adoro quando ouço noticias de exposições com fotos do Instagram. O maior elogio que nós recebemos é quando os nossos usuários nos contam que o Instagram mudou a maneira que eles veem o mundo.

Quantos usuários têm o Instagram? E qual é o país com o maior número de usuários?

Krieger: Já temos mais de 11 milhões de usuários no mundo. Não tenho um número específico de usuários brasileiros, mas o Brasil é o terceiro maior país usando o Instagram, depois dos Estados Unidos e do Japão.

Onde o Instagram quer chegar? E quais são os planos para o aplicativo social?

Krieger: Queremos ser a próxima grande rede social, com uma base na comunicação visual, e com um foco nos aparelhos celulares.

Qual o balanço que você faz deste um ano de Instagram [a empresa completou um ano no início de outubro]?

Krieger: Foi uma loucura este ano, mas só estamos no comecinho da nossa viagem como uma empresa.

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