Jovens aliam lazer com trabalho voluntário no exterior

Jovens aliam lazer com trabalho voluntário no exterior

Atualizado: Segunda-feira, 8 Agosto de 2011 as 8:45

Viajar para o exterior pode ser oportunidade, não apenas de desenvolver um idioma estrangeiro e entrar em contato com uma cultura nova, mas também de fazer do mundo um lugar, ao menos, um pouco melhor. Com esse intuito, participar de algum tipo de trabalho voluntário fora do país é opção interessante. "Há variados tipos de projetos, indicamos de acordo com as necessidades da pessoa que procura", explica Gisele Mainardi, gerente de produtos educacionais da agência de intercâmbios CI. Reservas de animais, orfanatos, creches, hospitais e projetos de construção civil são os mais comuns.

A gama de países à disposição também é extensa. É possível participar de alguma ação humanitária em diversos países da África, América do Sul, na Índia e até mesmo na Líbia. "O jovem vai tentar ser útil em lugares que precisam de ajuda", conta Gisele.

Safári do bem

Jacqueline fez questão de alimentar todos os tipos de animais disponíveis na viagem

A estudante de veterinária, Jacqueline Bisca, de 20 anos, embarcou para a África do Sul em dezembro de 2010, e por lá passou cinco semanas. A viagem foi a realização de um sonho antigo. "Sou apaixonada desde pequena pelo continente africano, eu sempre falava para a minha mãe: "eu vou onde o ‘Rei Leão’ está", brinca.

Lá, a estudante trabalhou no Lion Park, reserva que mantém leões, guepardos, hienas e elefantes. Jacqueline, claro, fez questão de conhecer todos bem de perto. "É muita adrenalina, tem que aprender a respeitar os animais. Tomei várias mordidas e arranhões, tinha certeza que voltaria com algumas cicatrizes!", revela.

Para quem se animou com a possibilidade de ficar bem perto das feras da savana africana, a estudante tem apenas um conselho: não espere nenhum tipo de luxo. "Tem muita gente que pensa que vai ficar em um hotel cinco estrelas, mas não é assim. É tudo no estilo safári", diz antes de acrescentar: "tem que estar preparado para dormir numa tenda, fazer a própria comida, arrumar a própria cama... é trabalho o dia inteiro!".

Apaixonada por animais, Jacqueline já planeja outra viagem para entrar em contato com animais exóticos. "Quero ir em julho ou dezembro para Portugal, cuidar dos lobos ibéricos".

Aulas no Quênia

Em 2009, o psicólogo Marcelo Blanco, então com 23 anos, estava em busca de alguma experiência nova. "Sempre gostei da área de educação, então surgiu uma oportunidade de participar de uma ONG no Quênia", conta.

Uma vez no país, Marcelo se surpreendeu com a quantidade de estrangeiros: "tinha um monte de americano e inglês", disse antes de acrescentar: "o que essas pessoas gastam em cindo dias num safári, é o que os habitantes ganham em um ano".

Na cidade de Kissumo, o psicólogo passou quatro meses dando aulas de capacitação pedagógica e construção de materiais. A experiência de ser diferente em um lugar assolado pela pobreza é singular. "A convivência é um choque. Eu era visado constantemente", diz.

Mesmo assim, ele garante ter se encantado com o lugar. "Tudo era muito interessante e eu me senti muito à vontade com a cultura, ritmo e musicalidade de lá. Achei, em muitos aspectos, bem parecido com o Brasil".

Espanhol e auxílio a crianças carentes em Quito

A professora da universidade Estácio de Sá, Fabiane Barbosa, sempre esteve envolvida em trabalhos voluntários. "Já trabalhei em diversas ONGs aqui no Brasil", conta. Desta forma, a opção por desenvolver o mesmo tipo de trabalho por outras bandas foi um caminho natural. "Queria conhecer uma pouco mais dessa América do Sul andina", conta.

É possível fazer algo pelas crianças carentes em Quito

Fabiane esteve por duas semanas em Quito, no Equador, em julho deste ano. Na capital, a professora estudava espanhol durante as manhãs e trabalhou por alguns dias em uma creche. "Desenvolvi atividades recreativas com as crianças. A realidade lá era bem pobre, o lugar onde eu fiquei não tinha dinheiro nem para fazer cópias de papel", narra.

Fabiane tinha pouco tempo disponível, algo que ela não encara como o ideal. "Para fazer um trabalho voluntário, é interessante que você fique pelo menos um mês, pois você está assumindo uma responsabilidade. Aquelas pessoas irão contar com você", explica.

Apesar do pouco tempo, Fabiane garante que a experiência foi válida. "Você acaba vendo uma realidade do país, que o turista não conhece. É uma excelente oportunidade para fugir da visão estereotipada", finaliza.

Como ir

Diversas agências especializadas em intercâmbio oferecem opções para aliar estudos e trabalho, o que pode ser a opção ideal. "É uma ótima oportunidade para praticar o idioma, uma vez que a pessoa estará em contato com nativos, que, provavelmente, não facilitarão a comunicação", explica Silvia Bizatto, gerente da EF Brasil.

Além da EF, CI, Experimento e AFS são outras agências que oferecem esse tipo de oportunidade. Segundo Gisele, da CI, a média fica algo em torno de R$ 1000 por semana, com acomodação, transporte e alimentação.

O preço, no entanto, pode variar bastante, dependendo não apenas do país, mas também da localização, como explica a especialista: "um projeto que é muito afastado, com uma infra-estrutura melhor, fica mais caro".

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