Jovens, bonitos e craques na cozinha

Jovens, bonitos e craques na cozinha

Atualizado: Segunda-feira, 25 Julho de 2011 as 8:30

Você que, desde cedo, adora passar horas na cozinha inventando pratos mirabolantes, fazendo bolo de caneca ou experimentando novos temperos em seu miojo de sábado à noite, atenção! Suas habilidades gastronômicas podem te levar a algum lugar, muito além do fogão de sua casa. Faz muito tempo que a prática da culinária perdeu aquela cara "avó fofinha" da Dona Benta e aos poucos as cozinhas do mundo inteiro são invadidas por jovens modernos. São esses caras que estão hoje ditando tendências e ganhando competições, deixando muitos gurus da gastronomia pra trás.

Para se tornar um profissional respeitado na área não tem muita regra. Você deve experimentar novos sabores todos os dias, descobrir aromas e fazer muita pesquisa. Viajar também é uma condição essencial, muito mais que se matar de estudar e tirar boas notas na faculdade de gastronomia - o segredo do prato pode estar no tempero que você encontrou escondido naquele mercadinho que só você conhece em algum canto do mundo.

Juliano e Fernando Basile, gêmeos de 20 anos que comandam o restaurante premiado Le Gourmet em Gonçalves (MG), explicam que um bom chef deve “cair de boca na frigideira”, afirma o primeiro. Mas como assim? “Tem que esquecer das festas, do feriado e do choppinho com os amigos e se enfiar na cozinha”, diz Fernando. “Quando começamos, era difícil até arranjar namorada, porque elas não entendiam que a gente trabalha tanto. Hoje está mais fácil, porque revezamos no restaurante”, brinca.

  “Desenvolver o paladar não acontece na teoria, envolve cultura e muita vivência”, diz Clara Mei, 21 anos, sommelier do restaurante Santovino, de São Paulo. Ela também explica que a “profissão cozinha” tem um porém: “Mais do que conhecer sobre vinhos e receitas, tem que saboreá-los e isso custa caro”, diz. “ E não pode se ater à faculdade, tem que experimentar”, reforça o gêmeo Fernando.

Cozinha a quatro mãos O interesse pela cozinha surgiu naturalmente para os irmãos Basile quando ainda eram crianças e ajudavam a avó a fazer massas. Durante a infância, cresceram com os pais fazendo pizza para os amigos em um fogão à lenha em casa, até que isso virou o ganha-pão da família, no interior de Minas Gerais. Na época, ainda aos 10 anos, os meninos ajudavam o pai e foi por lá que aprenderam “a diferença entre salsinha e cebolinha”, entre outras lições. A coisa foi ficando séria até que, aos 14, se mudaram para São Paulo e começaram a estudar na Escola das Artes Culinárias Laurent. Meses depois, em uma premiação, conheceram Alex Atala que os convidaram para fazer um estágio durante as férias de janeiro. Aos 16 anos, burlaram a inscrição de um concurso de gastronomia, dizendo que tinham 18, e terminaram em primeiro e segundo lugar. A partir daí, começaram a circular entre os mestres da cozinha e avançaram em suas pesquisas. Enquanto isso, levavam em paralelo os estudos. “A gente tinha uma parceria com a escola, dava pra tirar uma semana de folga e depois era só repor as matérias à tarde”, diz Fernando. Mas eles não gostavam muito de estudar, o foco era mesmo na gastronomia: “Éramos dedicados, mas a cabeça estava em outro lugar. Nossa matéria favorita era biologia, claro”, explica. Depois do colégio foi natural para a dupla procurar uma escola fora do Brasil. Deste modo, Fernando e Juliano foram parar na Escuela Hosteleria de Sevilla, na Espanha, direto para a pós-graduação, “porque estávamos em um nível avançado para os padrões do curso”, simples assim. Em 2010, receberam o prêmio Jovem Chef Revelação do “Guia Quatro Rodas” no Brasil. Ainda voltaram para a Espanha, onde passaram por restaurantes famosos e terminaram a pós. Na volta, entraram em sociedade com empresários para desenvolver em Sâo Paulo os cardápios dos restaurantes Janelas Com Tramela, de cozinha brasileira, e Rosa Madeira, de cozinha mineira contemporânea. Atualmente, cuidam do Le Gourmet, o bistrô onde tudo começou com seus pais em Gonçalves. O primeiro prato que fizeram a quatro mãos, eles se recordam: foi um filé mignon com molho agridoce de café e purê de cenoura. “Hoje quase não conversamos, é muito tempo de convivência”, explica Fernando. “Eu sempre sei o que ele está fazendo e o que eu tenho que fazer. Eu tiro o pé, ele coloca”, diz.

Os vinhos da bailarina Aos 16 anos de idade, Clara Mei conseguiu um “bico” como garçonete para incrementar sua renda financeira. Na época, a carioca não pensava em outra coisa a não ser em se tornar uma renomeada bailarina, sonho que levava consigo desde a infância. Aos 18, quando fazia faculdade de dança na Áustria, a jovem se interessou pelos vinhos e mergulhou de cabeça neste universo por lá mesmo, até largar o balé e voltar para o Brasil. Por aqui, Clara entrou para a Associação Brasileira de Sommeliers e começou a especialização. Na sequência, começou uma viagem à Itália para estudar em vinícolas renomeadas por três meses. Na volta, atuou no Hotel Fasano do Rio de Janeiro e no Zazá Bistrô, até que chegou ao restaurante Santovino, em São Paulo, para o qual desenvolveu a carta de vinhos, escolhendo a dedo todos os rótulos. Hoje, aos 21 anos, ela comemora o sucesso e dá a dica para quem quer conhecer mais sobre vinhos: “É legal sair para jantar em uma confraria com amigos, sentar-se à mesa com desconhecidos e pedir diferentes tipos de rótulos”, diz.

De repente, café Alejandro Mendez tem uma história parecida. Aos 20 anos, procurava emprego em El Salvador, no México, quando recebeu a resposta da cafeteria Viva Expresso, onde despretensiosamente deixou um currículo. “Foi lá que me ensinaram tudo, todos os estágios desde a produção do café, o mercado e atendimento dos clientes”, diz. Na época, ele estudava línguas e não sabia direito o que ia fazer da vida. A profissão de barista caiu como ouro em seu colo. Depois de muito estudo, em junho passado, Alejandro ganhou o prêmio de melhor barista do mundo em Bogotá, na Colômbia, aos 24 anos de idade. “A cultura do café está crescendo. Aos poucos as pessoas estão aprendendo a diferença entre o café comercial e a xícara perfeita”, comemora. Concorda com ele a provadora Carolina Franco de Souza, de 19 anos, que no começo do mês ficou em em quarto lugar no “World Cup Tasters Championship”. Desde os 13, a jovem se interessa por café, quando brincava de casinha no Lucca Cafés Especiais, loja de sua mãe em Curitiba. “Sempre fui peixinha e aprendi por osmose”, diz ela. No mesmo ano em que começou a “brincar”, ficou em 7º lugar no Campeonato Brasileiro de Baristas. Foi no Canadá, quando cursava o ensino médio, que se interessou pelo caminho sensorial do café e se especializou como provadora. Hoje, Carolina cursa o segundo ano de Nutrição, "unindo o útil ao agradável", e trabalha para a empresa da família. “Tem que estudar e desenvolver a própria técnica”, dá a dica.  

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