Jovens e voluntários

Jovens e voluntários

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 8:44

Era uma quinta-feira cinza quando um grupo de cinco meninas com idade entre 14 e 15 anos vestidas de coelhas encheu de música os corredores do centro de traumatologia e ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo. As estudantes do colégio São Luís são voluntárias na instituição. "Ver os pacientes se distraindo e interagindo com a gente faz o dia mais feliz", comenta Patricia Suelotto, 14, uma das cinco.

Satisfação parecida sente Anna Catarina Ponge-Ferreira, 18 anos. "Eu sou louca por crianças e quero ajudar o maior número de pessoas carentes que eu puder", afirma a estudante, que há três anos participa das atividades coordenadas pelo Colégio Porto Seguro, onde se formou. "Me apaixonei pelo trabalho voluntário e pretendo continuar fazendo parte da equipe nas ações de final de ano", conta. Em dezembro e em outras ocasiões especiais, ela ajuda na distribuição de kits natalinos e cestas de alimentos.

Anna relata que a fase de preparação começa em setembro e é a parte do processo que mais mexe com ela."Recebemos muitos brinquedos novos, mas grande parte precisa de restauração e eu gosto muito de limpar, montar, cuidar para que tudo fique perfeito. Sempre penso na criança que vai ganhar determinado brinquedo e me emociono", diz

Segundo a ONG Voluntários, mais de 30% do total de voluntários no País têm até 24 anos. Mas o que leva jovens com interesses dos mais variados e com agendas muitas vezes tão apertadas a separarem um tempo para ajudar o próximo? O casal Vinicius e Natalia Boaventura, 23 e 24 anos, respectivamente, tem a resposta. "Primeiro, é uma questão pessoal: é muito legal pensar que fazemos o papel de 'fada madrinha' de alguém. E depois, é muito comovente ver um sorriso no rosto dessas pessoas. Compensa qualquer tempo gasto", explica Vinicius.

O casal Natália e Vinicius

Ele e a namorada estão juntos há seis anos e se conheceram durante a "Special Olympics", evento realizado por uma instituição de mesmo nome que tem como objetivo ajudar deficientes a serem aceitos e respeitados pela sociedade e também incluí-los nas Olímpiadas Especias. "Esse foi nosso primeiro trabalho voluntário, participamos da parte administrativa", conta Vinícius.

Hoje, eles fazem parte da equipe da ONG internacional Make a Wish, responsável pela realização de desejos de crianças doentes. Funciona assim: cada embaixador recebe uma carta de uma criança doente contando sobre qual seria seu maior sonho. O voluntário faz uma série de entrevistas com a criança, pais e outros responsáveis e, por fim, vai atrás de uma forma para realizar aquele pedido.

Eles são os mais jovens integrantes da instituição e estão empenhados em realizar um primeiro sonho. "É um menino de 14 anos, que teve câncer no osso da perna e está no hospital dando continuidade ao tratamento. Como não se comover?", comenta. Fã do Ronaldo, fenômeno, o garoto gostaria de ganhar um Playstation 3 das mãos do ídolo. Vinicius e Natalia estão atrás do ex-jogador há quase seis meses e ainda não obtiveram sucesso. Além das horas reservadas para a ONG, a dupla cursa faculdade: ela de Medicina e ele de Design Gráfico, ou seja, ambos têm rotinas bem atarefadas.

O outro lado

Para Renan Nascimento, professor e coordenador do programa de voluntários do São Luís, além da satisfação pessoal o voluntariado traz outros benefícios, nem sempre tão fáceis de serem percebidos: a experiência. "O aprendizado que os estudantes podem absorver é incrível. Semana passada uma moça internada no HC tentou suicídio e contou a sua história para os alunos. Na volta para a escola, todos ficaram em silêncio, me pareceu que estavam refletindo sobre o assunto", relata ele.

"Outro dia também presenciamos um acidente causado por um motorista que saiu da balada bêbado e se machucou feio. Com certeza, aqueles jovens vão pensar nas suas responsabilidades depois disso. Funciona como uma sala de aula ao vivo", conclui Nascimento.

Por: Manuela Rahal

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