Jovens embaixadores americanos visitam o Brasil e curtem festas e comida

Jovens embaixadores americanos visitam o Brasil e curtem festas e comida

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 2:09

Todo ano, desde 2002, a embaixada norte-americana convida alunos da rede pública brasileira para conhecer a terra do beisebol e do hambúrguer. No papel de jovens embaixadores, eles fazem um intercâmbio de três semanas, no qual chegam a se reunir com os altos poderes do país em Washington. Agora, pela primeira vez, o consulado fez o caminho contrário e trouxe garotos americanos para nosso país. A visita terminou na sexta-feira (20) a alguns deles contaram ao iG Jovem o que acharam do passeio.

Os jovens foram selecionados nos quatro estados visitados pelos brasileiros em janeiro de 2010: Montana, Washington, Carolina do Norte e Oklahoma. Assim, a troca de culturas, acreditam os organizadores, acontece de fato. "Todos eles são excelentes alunos, possuem pouca ou nenhuma experiência internacional e, mais importante, são muito engajados e trabalham como voluntários em projetos sociais em suas comunidades", destaca Márcia Mizuno, especialista em assuntos culturais da embaixada, que coordena o programa.

"Bozeman, em Montana - de onde eu vim - tem apenas 40 mil habitantes. Todos os locais que eu visitei têm mais de um milhão de pessoas. Foi muito diferente estar ao redor de tanta gente", explica Nathan Brown, de 17 anos. Ele fez parte do grupo de treze jovens, que, além de passarem por Brasília, também visitaram o Amazonas, Paraná, a Bahia e Pernambuco. "O itinerário dos meninos no Brasil foi escolhido levando em consideração cidades onde possuímos fortes e consolidadas parcerias com as Secretarias Estaduais de Educação e os Centros Binacionais Brasil-Estados Unidos", diz Mizuno.

Para Lindsay Pierce, de Tulsa, Oklahoma, "as maiores diferenças que eu encontrei foram a língua e a falta de apego material, que é tão comum entre os norte-americanos. O Brasil superou minhas expectativas, as pessoas são as mais receptivas, de coração e mente abertas que eu conheci na vida." Assim como os outros embaixadores, Lindsay pôde encontrar autoridades brasileiras em seu primeiro dia de visita. Se tivesse uma reunião com eles agora, ela conta, teria dito o seguinte: "Eu conheci muitas áreas castigadas por uma pobreza extrema no país, gostaria que existissem políticas para trazer segurança a esses lugares."

Diversão, brigadeiro e "acarujé"

Entre um e outro compromisso oficial, os jovens embaixadores tiveram tempo de conhecer regionalismos brasileiros: "Fomos ao Pracatum (escola de música envolvida em ações comunitárias, presidida por Carlinhos Brown, em Salvador), aprendemos capoeira. Todos ganhamos apelidos. O meu era Canário. O professor não hesitou um minuto sequer para escolhê-lo, só pelo meu cabelo loiro", conta Nathan, que ainda ressalta que após a Bahia percebeu que "não há um brasileiro comum sequer."

Já Lindsay prefere lembrar a visita a um orfanato em Guarapuava, município paranaense: "Nunca vou me esquecer da visita à colônia alemã de Guarapuava. Nunca havia estado em um orfanato. Paramos o carro ao lado do prédio, cheio de crianças rindo e brincando. Uma garotinha desceu correndo as escadas para nos saudar, pulou direto nos meus braços e me abraçou. Meu coração apertou por aquela orfã, e imagens dos meus pais invadiram minha mente na hora. Naquele momento, me senti a menor pessoa do mundo, e saber que só minha mera presença era o suficiente para deixar aquela garota feliz me encheu de alegria, lágrimas nos olhos, amor, gratidão e risadas." E completa: "Esta experiência mudou minha percepção da alegria que deve-se ter na vida e nos amores – algo que é abundante no Brasil."

Nathan, 17 anos: "As festas aqui são mais legais do que nos EUA"  

Como bom adolescente longe de casa, Nathan foi pra balada: "As festas que eu fui foram mais legais que as norte-americanas. As pessoas são mais relaxadas e conectadas no Brasil." Lindsay, por outro lado, afirmou não ter saído junto com sua "host family". Ambos disseram à reportagem que não conheceram ninguém "especial", embora a garota tenha ressaltado o fato com um sonoro "yet" - "ainda não...". Nathan, na mesma malandragem, desconversou: "Conheci tanta gente, fiz tantos amigos, que não posso dizer que um foi mais especial que outro."

A paixão deles, pelo jeito, foi outra: "Brigadeiro é o céu na Terra", brinca Lindsay, que completa: "Me apaixonei pela comida brasileira." Nathan, por outro lado, gostou mais da nossa mistura mais tradicional: "Comi muito arroz e feijão, e estava ótimo. Também experimentei acarajé (que ele grafa "acarujé") e feijoada. Gostei do primeiro, e amei a segunda."

Na bagagem de volta

"Por causa da visita, quero viajar ainda mais, conhecer novas culturas. O programa me mostrou a importância de atuar junto da comunidade, de ter envolvimento social", conta Nathan. Para Lindsay, a experiência "me fez amadurecer como jovem mulher, passando tempo tanto com mulheres da minha host family e com outras embaixadoras. Minha vontade de ajudar as pessoas onde eu vivo aumentou, e minha paixão por viajar ficou mais forte."

O governo americano está reproduzindo o programa em outros dezessete países, sempre financiando as despesas da imersão cultural. Ao todo, já são mais de 215 jovens beneficiados pelas experiências. "Assim como acontece com os detentores desse cargo diplomático [de embaixador], a missão desses jovens é aproximar os dois países por meio de uma rica troca de informações sobre cultura, sociedade, história, geografia, etc. Ao mesmo tempo em que eles trazem um pouco dos Estados Unidos para o Brasil, eles também levarão de volta um pouco do Brasil para suas comunidades nos EUA", explica Mizuno.

As inscrições para participar do programa no ano que vem já estão encerradas, e o resultado final será divulgado em outubro. Para tentar uma vaga no programa em 2012, fique ligado na página oficial dos Jovens Embaixadores no Facebook.

Por: Artur Tavares

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