Jovens japonesas já ganham mais que os homens

Jovens japonesas já ganham mais que os homens

Atualizado: Sexta-feira, 15 Outubro de 2010 as 2:41

As jovens japonesas já podiam esperar uma vida mais longa do que os homens da mesma geração, e agora elas têm uma vantagem também no presente: estão ganhando mais do que eles.

A renda de uma mulher solteira abaixo dos 30 anos atingiu em 2009 o valor de 218.156 ienes (2.680 dólares), superando pela primeira vez na história a renda dos homens na mesma faixa etária (215.515 ienes, ou 2.640 dólares), segundo uma pesquisa do Ministério de Assuntos Internos.

A renda feminina subiu 11,4 por cento desde a última pesquisa, cinco anos atrás, enquanto a masculina caiu 7 por cento. Isso resulta da crise econômica global e do fato de que a renda masculina simplesmente tinha mais margem para cair.

"Basicamente, os salários dos homens eram muito mais altos no geral, e foram muito mais atingidos quando a economia piorou", disse Hideo Kumano, economista-chefe do Instituto de Pesquisas Dai-ichi Life.

"Além do mais, muito mais homens trabalham na indústria do que as mulheres, e depois da falência do (banco) Lehman as coisas para esse setor realmente esfriaram."

A economia japonesa tradicionalmente depende das exportações industriais, e foi especialmente afetada pela quebra do Lehman Brothers, em 2008, e pela desvalorização generalizada das Bolsas que se seguiu. No começo de 2009, as ações das empresas japonesas tiveram sua menor cotação em 26 anos.

Já as mulheres estão muito mais envolvidas com a área da saúde, setor em expansão por causa do envelhecimento populacional do país.

Além disso, segundo Kumano, as jovens podem estar finalmente colhendo os benefícios plantados por antecessoras mais antigas em setores como os de finanças.

"As mulheres agora são mais capazes de fazer carreira desse jeito graças àquelas na faixa dos 40 anos ou mais, que estão assumindo cargos de gestão", acrescentou.

Mas Kumano alertou que as cifras podem ser um ponto fora da curva, e que ainda é cedo para dizer que a mudança será duradoura.

Segundo uma medição realizada pelo Programa de Desenvolvimento da ONU, o Japão aparece em 57o lugar entre 109 países em termos de participação feminina na política e economia.

Em 2008, elas representavam apenas 4,1 por cento dos gerentes de departamento em corporações privadas, segundo estudo do governo.

veja também