Jovens modelos brasileiras são tops em países exóticos

Jovens modelos brasileiras são tops em países exóticos

Atualizado: Sexta-feira, 16 Setembro de 2011 as 9:13

Paris, Milão, Nova York, Londres... Se estas cidades são os sonhos de grande parte dos modelos que aspiram carreira internacional, a alta competitividade e ampliação de mercados menos tradicionais têm aberto os olhos de jovens profissionais para outros caminhos.

“O eixo mais competitivo é o mais procurado e, com a crise, está cada vez mais difícil encontrar trabalhos nesses lugares”, explica Alexandre Torchia, booker internacional da agência de modelos Ford Models. De acordo com Torchia, lugares exóticos como Indonésia, Malásia, Singapura, Turquia e China são alguns dos que estão bastante em evidência. “Tentamos sair do eixo europeu porque lá não está tendo muita atividade”.

Nestes países, as garotas passam geralmente o mínimo de um mês fazendo todo tipo de trabalho: ensaios fotográficos, desfiles e entrevistas. Elas ficam morando em apartamentos com outras modelos - brasileiras ou não - e recebem uma quantia semanal para se sustentar por lá. Quando os contratos chegam ao fim elas podem optar em permanecer e procurar mais oportunidades ou voltar ao Brasil.

Torchia explica, no entanto, que a competição para as modelos brasileiras é ferrenha. “As passagens aéreas do Brasil para lugares mais afastados são muito caras. Já a Europa está no meio do caminho. As agências asiáticas, por exemplo, podem levar duas garotas da Ucrânia ou Polônia pelo preço de uma brasileira”.

Celebridade filipina A sorocabana Mariana Del Rio, de 20 anos, começou cedo na carreira de modelo. Com 11 anos já desfilava e com 14 fez sua primeira viagem internacional. O destino? Seul, na Coreia do Sul. “Foi difícil, mas a gente amadurece mais cedo para poder sobreviver”, conta. Depois de um mês por lá, Mariana seguiu para Bangcoc, na Tailândia, onde ficou por seis meses.

Como as primeiras experiências foram bem sucedidas, Mariana acabou se especializando no continente asiático. Depois de passar por Índia e Indonésia, entre outros, a modelo se estabeleceu em Manila, nas Filipinas, onde, por conta de papeis em comerciais e em uma série de TV, acabou se tornando quase uma celebridade local. “Eu era reconhecida na rua, as pessoas me pediam autógrafo, queriam tirar foto”, orgulha-se. Ter aprendido filipino, idioma que hoje ela domina, ajudou a conseguir o papel.

Os próximos passos de Mariana, no entanto, devem ser dados pelo Brasil mesmo. Depois de seis anos de viagens quase ininterruptas, a modelo quer começar a estudar farmacologia. Filipinas novamente, só se for a passeio. "Quero mesmo focar nos meus estudos e modelar um pouco por aqui mesmo", diz.

Negócio da China A mineira de Belo Horizonte, Kemelly Fernandes, 21, começou a desfilar com 15 anos e aos 18 fez sua primeira viagem internacional a trabalho. Xangai, na China, foi o destino – onde passou seis meses. “Foi uma das experiências mais legais da minha vida. Tive contato com um mundo completamente diferente”, conta.

A princípio, as diferenças assustaram. “Foi tudo um choque”, brinca. “A comida é bem forte, tem bastante tempero, o clima é bem mais rigoroso que o brasileiro e o trânsito é uma loucura”. Desde o começo, no entanto, Kemelly fez questão de não deixar que diferenças culturais ou saudades da família e amigos atrapalhassem seus planos. “Tive que colocar de lado a solidão e a tristeza para poder continuar”, diz.

Depois de passar por Jacarta, na Indonésia, onde fez alguns trabalhos, Kemelly voltou para Xangai e lá ficou por um ano, viajando pelo interior do país, posando para revistas, dando entrevistas e desfilando – além de aprender um pouco de mandarim, o idioma local. “Aprendi a gostar da língua e agora já me viro bem melhor por lá”.

A paulistana de 23 anos, Nathalia Serrato, também passou uma temporada em Xangai. Com aparência bem diferente dos locais, a modelo se destacava na multidão. “As pessoas me paravam na rua para tirar foto!”, narra.

Depois de seis meses no país, a modelo se deparou com uma realidade bem diferente da brasileira. “Senti que modelos lá são manequins mesmo: não têm vontades, não sentem fome, nem frio”, diz. Por conta da rotina dura, Nathalia garante: “é um bom teste para começar. Se você passou pela China, pode trabalhar em qualquer lugar”.

Volta ao mundo em 80 passarelas Celina Locks, natural de Curitiba, tem apenas 20 anos, mas, provavelmente, quem vir a quantidade de carimbos no passaporte da modelo pode duvidar disso. Paris, Barcelona, Buenos Aires, Santiago, Tóquio e Singapura são algumas das cidades por onde ela já passou, sempre a trabalho.

A primeira delas, para Paris, foi a mais complicada. “Eu não sabia nem falar meu nome em inglês!”, exagera. Outras habilidades, no entanto, ajudaram-na com a comunicação. “Fazia tudo com mímicas, depois de um tempo fiquei expert”, brinca. Hoje, três anos depois, Celina fala inglês, francês e espanhol com fluência.

Em Tóquio, a modelo conta que sofreu com a comida. “Emagreci muito nas primeiras semanas, até achar mercados que vendiam outros tipos de produtos”. Em Singapura, impressionou-se com a infra-estrutura do país e com a educação do povo. “Todo mundo fala inglês por lá”.

Responsabilidade é essencial Viajar o mundo e ainda ser pago para isso pode parecer um sonho, mas, segundo o diretor de criação da agência de modelos Mega Model, Kadu Lopes, é necessário ter sempre em mente que se trata de um compromisso profissional. “Não é excursão, não é férias, tem que ir para trabalhar e, na Ásia principalmente, eles exigem muito das modelos. Na China é comum que algumas garotas trabalhem 20 horas seguidas. É muita ralação”.

Aqueles que conseguem se adaptar às duras regra, chegam no horário marcado e não se metem em encrencas têm o esforço recompensado. “Em uma temporada de três meses, é possível juntar uns US$ 10, 15 mil (cerca de R$ 16 mil a R$ 24 mil). O que é bastante para uma new face (modelo com pouca experiência)”, diz.

Por conta das dificuldades envolvidas, Lopes acha que o ideal é esperar um pouco para dar os primeiros passos na direção de uma carreira internacional. “16 anos é uma boa idade para começar a viajar para fora, pois a menina já tem o psicológico mais desenvolvido e sabe um pouco melhor como lidar com determinadas situações”.    

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