Livro mostra como manter os jovens longe das drogas

Livro mostra como manter os jovens longe das drogas

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 10:13

O que as pessoas sentem quando usam drogas? Como a droga chega até elas? O que pode acontecer com um menor de idade que é preso em flagrante? O que faz um jovem de classe média entrar para o tráfico?

Tema de grande curiosidade para os adolescentes e de grande preocupação para os pais, as drogas são explicadas em linguagem clara e direta no livro "Que Droga É Essa?", da Editora 34.

Do álcool ao crack, o título traz informações completas sobre os efeitos, a história, a legislação e as formas de usos das drogas. Com um glossário especial, o livro apresenta todos os tipos de drogas e as variações de suas denominações. A publicação mostra também algumas substâncias menos conhecidas como o chá de fita (mistura de substâncias tóxicas presentes em pilhas e fitas cassete), o ice (metanfetamina pura) e o peiote (cacto mexicano que provoca alucinações).

Boa parte do livro traz depoimentos de pais e adolescentes. Alguns contam que já usaram drogas e o que sentiram, outros dizem que têm vontade de experimentar e alguns que contam que já foram pegos pela polícia. Há também histórias daqueles que se envolveram profundamente com as drogas e até mesmo de um jovem que frequentou a "União do Vegetal", onde se toma a "Ayahuasca" (uma bebida psicoativa feita com as plantas caapi e chacrona).

Com dados e números estarrecedores sobre o uso de drogas no Brasil e no mundo, o título conta ainda com a opinião de orientadores pedagógicos, mestres, juristas e delegados.

Leia abaixo um depoimento retirado do livro de uma mãe que viu seu filho se afundar nas drogas.

Fabiana, mãe de Bruno Ela tem 48 anos e é professora aposentada.

"Não é que eu nunca percebi, é que é uma coisa tão difícil de admitir, que você faz de conta que não existe. É um atestado de que você não é boa mãe, pelo menos eu pensava assim: 'Onde foi que eu falhei?Por que comigo'.

Nunca usei droga. Na minha adolescência nem sabia o que era. Ouvia falar, mas era uma coisa distante, usada por gente de classe mais baixa, que mora na periferia. Mesmo quando dava aula, ouvia falar de drogas, mas não conhecia.

De bebida, eu quero distância. Meu pai é alcoólatra e até hoje não admite. Quando ele bebe fica violento, briga, faz escândalos. Sou a filha mais velha, e sempre procurei ajudar minha mãe. Ao mesmo tempo, tenho pena e raiva do meu pai por ele fazer tudo isso, e eu não saber o que fazer. Peguei um tipo de aversão pelo álcool.

Imagine se meus pais falavam comigo sobre drogas, de jeito nenhum! Eu também não conversava com meus filhos sobre isso porque achava que era fora da nossa realidade. Depois eu via que realmente o problema existia, mas achava que dentro da minha casa não.

Comecei a desconfiar de alguns amigos do meu filho. Eles tinham comportamentos estranhos, maneiras de se portar, de se vestir e, é lógico, passei a desconfiar do Bruno também. Mas daí a ter certeza de que o problema existia, foi um bom tempo.

A primeira vez que meu marido foi chamado na delegacia, senti raiva do Bruno e, ao mesmo tempo, queria protegê-lo. Depois pensava: 'Ah, deve ser o pessoal com quem ele está andando'. Arranjava uma série de desculpas e justificativas para o fato de ele estar usando drogas: 'Ah vai ver que a polícia exagerou, não era tanto assim'. Ou então: 'Ah, é essa fase de adolescência conturbada, ele deve estar só experimentando, mas isso vai passar'. Na verdade, nunca imaginei que a coisa fosse tomar o rumo que tomou.

Ele desaparecia durante dias, voltava num estado difícil de acreditar. Roubava coisas dentro de casa, as jóias que eu tinha foram todas. Outras vezes ele se envolveu com polícia. Sumiu. Só fomos saber dele no Pronto Socorro com o nariz quebrado. Foi muito difícil. Eu me sentia culpada e ficava amarrada. Não sabia o que fazer, que atitude tomar. Procuramos ajuda: psicólogo, aconselhamento, uma série de coisas que não deram em nada. Só quando fomos para o Amor Exigente e o Narcóticos Anônimos passamos a ver como o nosso comportamento era facilitador. Percebemos que também éramos pessoas doentes, complicadas e que não podíamos resolver tudo.

Começamos a colocar limites: o Bruno perdeu a chave de casa, estabelecemos horários para ele voltar. Algumas vezes ele respeitou, a maioria não. Então ele dormia fora de casa, no capacho, na escadaria, na sala de recepção do prédio, porque não abríamos a porta. Era muito difícil, eu não dormia, ficava com o coração na mão. Aquelas noites de frio! 'Meu Deus, onde ele está? O que estará fazendo?'

Mas eu tinha certeza de que se não agisse assim, nada iria mudar. Nós não tínhamos mais vida. Era tudo em função dele e nunca sabíamos onde ele estava, quanto tempo ia ficar fora, se ia voltar, como ia voltar. Hoje eu falo com certa tranqüilidade porque já passei por isso, mas no momento é tudo muito difícil.

Nesses cinco anos, eu trabalhei meus ressentimentos. Não tenho mais aquela mágoa, aquela raiva que me acompanhava por tudo que meu filho fazia, mas por outro lado, eu não posso esquecer, porque se eu esquecer, vou ser fisgada pelo bichinho do 'Já estou bom' e, na verdade, a gente nunca está totalmente bom, tem sempre que continuar trabalhando.

Tivemos vários casos de filhos de amigos nossos que morreram de overdose. Meu marido esteve domingo agora no enterro de um deles. Esse morreu assassinado. Então é uma escolha deles.

Hoje eu entendo que foi uma escolha do meu filho, como é a escolha de qualquer pessoa, continuar ou não nessa vida. Mas, freqüentando esses dois grupos, fico mais tranqüila porque eu estou fazendo a minha parte. A parte dele só ele pode fazer, eu não posso fazer por ele". *

"Que Droga É Essa?"

Autores: Aidan Macfarlane, Magnus Macfarlane e Philip Robson

Editora: Editora 34

Páginas: 200

Quanto: R$ 29,60 (preço promocional*)

Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha    

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