A lotação e o vazio do dia dos namorados

A lotação e o vazio do dia dos namorados

Atualizado: Quarta-feira, 12 Junho de 2013 as 9:52

O texto abaixo é do colunista Edmilson Ferreira Mendes, publicitário e pastor da Igreja Adventista da Promessa.
 
Embora cite alguns dados sobre as promoções e lotações de motéis no ano de 2010, as estatísticas desse comércio do sexo não param de crescer.
 
Confira o texto na íntegra:
 
sexoRecentemente trombei com dois pensamentos que me fizeram parar, pensar e sofrer um pouco por nossa juventude. O primeiro é da Claudia Leitte: ''Amanhã vou estar velha e pelancuda e não vou mais ser símbolo sexual nenhum''. O segundo é anônimo, desconheço seu autor: ''A injustiça é como prostituta velha. É preciso vê-la antes de se arrumar.''
 
Os dois pensamentos trazem desilusões frente a realidade da vida. Os dois se valem daquilo que a sociedade atual explora, consome e valoriza, a temática da agenda sexual. De forma realista Claudia Leitte admite sua total falta de controle sobre os caprichos do tempo. O anônimo, por sua vez, compara todas as injustiças que nos massacram com as coloridas e carregadas maquiagens das prostitutas, suficientes para disfarçar a deteriorização de vidas tão miseráveis e desprovidas de melhor sorte.
 
Jovens, no geral, só enxergam o que a maquiagem permite enxergar. O importante é o prazer já, agora, hoje. Dia 12 está chegando, no próximo sábado é o Dia dos Namorados e os motéis estão praticamente lotados, não há mais vagas. Pelo menos em Campinas, segundo matéria de página do Jornal Correio Popular de 30.05.10. Acompanhe alguns trechos da matéria: ''O dia é considerado o número um do ano entre os donos de motéis, que juntos ofertam mais de 1,1 mil quartos...com preços entre R$ 59,00 e R$ 420,00...A previsão é de alta de até 30% no faturamento''. Na matéria não aparecem somente motéis, mas os principais hotéis da cidade igualmente oferecem pacotes especiais para os namorados, alguns chegando ao absurdo valor de R$ 8.700,00 por uma noite. O que isso quer dizer? Quer dizer que o tema é tratado com total normalidade por grande parte da sociedade, com promoções, matérias e anúncios chiques nos principais veículos de comunicação, produzindo glamour e, lógico, reservas, muitas reservas antecipadas de quartos e suítes. O segmento brinda e comemora o aumento no faturamento, afinal, a lotação está completa, não há mais vagas. E os corações?
 
Vinícius de Moraes tem uma frase que merece ser adaptada: ''Hoje é sábado a noite e os bares estão cheios de pessoas vazias''. Para o próximo dia 12 ela poderia ser assim: ''Hoje é sábado a noite e os motéis estão cheios de casais vazios''. Sexo foi precoce e inconsequentemente precipitado, acontecendo cada vez mais cedo no corpo de pré-adolescentes que estão sendo violentados pelas mídias, tendências, artes, culturas. Na tara de dar e comer, mantida por uma sistemática e insistente pressão, namorados vão se engolindo sem tempo para se conhecer, se entender, se descobrir. Acreditam no discurso que afirma poderem tudo, que são demais, que estão na crista da onda. Só não disseram para eles que ondas quebram e com elas, muitas vezes, nos arrebentamos juntos.
 
Encher quartos de motel é fácil. Difícil é encher corações. Encher de significado, serenidade, paz. Encher de um amor que faça sentido para toda uma vida, e não apenas naqueles rápidos minutos de respiração ofegante entre lençóis. Encher de paciência, este sentimento artesanal que cria músculos de esperança nos tempos de espera. Encher de sonhos apaixonados, sonhos construídos com honra e caráter, sonhos sacrificiais, dispostos a enfrentar a fúria até mesmo de um dragão, para então viver com a princesa. Enfim, é difícil encher corações com conteúdos bíblicos, mas não é impossível. Pois, se há vagas nos corações, existe um Pai querendo entrar, ''Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem do meu caminho'' Provérbios 23.26.
 
''Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos'', dizia Shakespeare. E onde conseguimos ver um pouquinho dos sonhos? Nas cartas de amor. Sobre elas, disse Álvaro de Campos: ''Todas as cartas de amor são ridículas.'' Bem, são ridículas para quem não as recebe, porque para todo aquele que recebe uma carta de amor da pessoa amada, é como se recebesse a mais importante obra literária, afirma Rubem Alves. O Pai, autor da vida, criador do homem e da mulher, idealizador da família, deixou para nós sua carta de amor, a Bíblia Sagrada. Ridícula para boa parcela do mundo, ridícula para quem não crê, ridícula para quem não descobriu ainda o seu grande amor por nós. Para todo aquele que crê, no entanto, é mais que uma carta de amor, é um tratado completo e infalível sobre o amor verdadeiro. Se for o caso, libere a vaga vazia do seu coração e deixe o amor do Pai influenciar e abençoar o seu amor e relacionamentos. Não entregue seu corpo para um ritual vivo nos altares deste mundão, antes, ofereça seu corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, Aquele que tem a pessoa certa para os sonhos mais secretos que você já sonhou.
 
Só para você pensar, quero lhe deixar o verso de um antigo autor, Mignon McLaughin, de 1915. Fala de uma matemática de qualidade, e não de quantidade, esta quantidade maluca da atualidade que se precipita em rolos e ficadas que só frustram e produzem vazios. Quem sabe você não usa o verso na sua próxima carta de amor? Então, leia com atenção: ''Na matemática do amor, um mais um é igual a tudo e dois menos um é igual a nada''.
 
Paz!

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