Maioria dos jovens não pensa no futuro ao publicar conteúdos na internet

Maioria dos jovens não pensa no futuro ao publicar conteúdos na internet

Atualizado: Quinta-feira, 28 Outubro de 2010 as 12:16

Pesquisa com mais de 10,5 mil jovens de todo o Brasil traça um raio-x do comportamento dos jovens na internet. E os resultados mostram que a interação com o meio é tamanha que os riscos da exposição indevida nem sempre são avaliados por esse público.

O comportamento dos adolescentes brasileiros na rede foi o tema da sexta edição do projeto "Este jovem brasileiro", desenvolvido pelo Portal Educacional (www.educacional.com.br), com a coordenação do psiquiatra Jairo Bouer, colaborador do UOL Ciência e Saúde. Participaram do levantamento alunos de 13 a 17 anos de 75 escolas de rede particular de ensino de todo o país.

A pesquisa revela que 7% dos jovens já colocaram fotos ou filmes mais ousados na rede, 35% não usam filtros para impedir que qualquer um acesse as suas informações e quase 7% costumam abrir a webcam para pessoas que não conhecem. "Mas essa questão não parece ser ainda uma grande preocupação deles: 61% não se preocupam com avaliações futuras (trabalho, por exemplo) quando posta um conteúdo na internet", comenta Bouer.

De acordo com a pesquisa, 17% dos jovens já tiveram problemas no namoro, 11% na escola e 19% com os amigos por causa dos conteúdos publicados na web. Além disso, 10% já enfrentaram problemas por causa de imagens ou posts publicados por outras pessoas.

Violência

Entre os entrevistados, 69% concordam que o anonimato da Internet estimula as pessoas a ofenderem umas às outras, e 29% já fizeram algum comentário ou tiveram alguma atitude ofensiva com amigos ou desconhecidos.

Do total, 31% disseram que já foram vítimas de alguma forma de violência, 11% acusaram preconceito e 15% já se sentiram mal em função de alguma agressão sofrida. Mais de 3% evitaram sair de casa, falar com alguém ou ir à escola por algum problema surgido na internet.

Encontros

Os resultados mostram que 60% dos jovens já usaram a web para conhecer pessoas. Desses, 38% já fizeram amigos na internet que trouxeram para a vida real e 25% já "ficaram" com pessoas conhecidas na rede. E mais: 13% já namoraram com alguém que conheceram na web, 9% já fizeram sexo virtual e quase 4% já fizeram sexo na vida real com alguém que encontraram na rede.

"A internet pode estar se tornando o grande ponto de encontro dos jovens. Para que se dar ao trabalho de se deslocar até o shopping, quando o outro pode estar ao alcance de alguns toques no teclado?", observa o psiquiatra.

Dependência

Mais de 20% dos participantes avaliam que seu uso de Internet está acima do normal ou se consideram dependentes e 17% enfrentam conflitos com os pais por conta do excesso de uso.

Vale mencionar que 99% dos participantes da pesquisa têm computador em casa, sendo que metade o tem no próprio quarto. Mais da metade usa computador todos os dias, sendo que 40% usam internet de 2 a 4 horas por dia e 15% ficam conectados por mais de 8 horas.

Entre os entrevistados, 23% passam noites em claro de vez em quando ou quase sempre na internet e 24% já deixaram de fazer outras coisas, como sair com os amigos ou fazer algum trabalho, para ficar no computador.

A ansiedade ao se ver privado da internet também é grande: 63% ficam irritados quando não conseguem se conectar e 21% descrevem a sensação de que "falta alguma coisa" quando vão para um local que não tem internet.

Problemas emocionais

A pesquisa também detectou que jovens com problemas emocionais frequentes, que usam drogas ou bebem, vão mal na escola, têm relação ruim em casa ou pai e mãe que já faleceram, têm maiores riscos de exagerar no uso da internet. Esses adolescentes também estão mais propensos a colocar em risco sua segurança, criar problemas de relacionamento com os amigos ou agir de modo ofensivo.

Na opinião do psiquiatra, impor limites e regras e controlar a vida dos jovens na internet não é a solução para o uso indevido da web. Mas é preciso que os perigos sejam informados. "É importante que o jovem seja 'trabalhado' para que ele próprio possa avaliar eventuais exageros e para que possa criar 'filtros' que o protejam melhor de situações de risco."

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