Mais fiscalização ao consumo de álcool entre jovens

Mais fiscalização ao consumo de álcool entre jovens

Atualizado: Sexta-feira, 24 Setembro de 2010 as 10:41

João Goulão, presidente do IDT, defende a alteração da lei e afirma que em Portugal existem "crianças e jovens de 12 anos com acesso ao álcool sem nenhuma dificuldade"

O presidente do Instituto da Droga e das Toxicodependências (IDT) criticou hoje a falta de fiscalização do consumo de álcool entre os jovens e defendeu uma alteração da lei para garantir um controlo mais eficaz.

"Pode vir a ser necessário aumentar a idade do acesso ao consumo de bebidas alcoólicas, mas de nada serve passar dos 16 para os 18 anos se não controlarmos coisa nenhuma, como hoje acontece", afirmou João Goulão, em declarações à Lusa, à margem do Fórum EU-LAC de Cidades Europeias, da América Latina e Caraíbas, de discussão da prevenção e tratamento das toxicodependências, a decorrer em Coimbra.

Ao contrário do que se verifica com o consumo de substâncias ilícitas, entre os jovens o consumo do álcool é um fenómeno crescente. "Entre os miúdos, os mais novos, há uma diminuição do consumo de substâncias ilícitas, como o haxixe e as 'pastilhas', mas há um aumento do consumo de álcool", disse.

Ao afirmar que em Portugal se verifica "crianças e jovens de 12 anos com acesso ao álcool sem nenhuma dificuldade", o presidente do IDT reclama "uma efectiva fiscalização, por parte das autoridades policiais e da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica).

"A fiscalização tem sido insuficiente mas parece que os mecanismos legais existentes são pouco adequados à efectividade do controlo, é possível que haja que alterar ligeiramente algumas passagens da lei, como o flagrante delito", sustentou.

Antes de se pensar em aumentar a idade a partir da qual é permitido o consumo do álcool (actualmente é aos 16 anos), a prioridade deve ser a fiscalização mas também, e em primeira linha - frisou - a "informação e educação da população", de jovens, pais, educadores mas também junto de operadores económicos e trabalhadores de estabelecimentos de venda e de diversão nocturna.

A contrastar com o fenómeno do consumo do álcool está a dependência de substâncias ilícitas, cujos indicadores apontam para "uma evolução favorável", não só entre os mais novos como nas camadas mais velhas.

Também o número de toxicodependentes que contraiu sida tem registado uma "diminuição dramática" e mesmo nas cadeias há um decréscimo do consumo, "objectivado através de inquéritos", segundo o presidente do IDT.  

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