Mas eu me mordo de ciúmes

Mas eu me mordo de ciúmes

Atualizado: Terça-feira, 2 Julho de 2013 as 11:18

ciúmeHá quem diga que ele é necessário, inevitável ou até que ele “tempera” as relações. Quando não existe, muitos sentem falta: “será desamor?”, questionam. Quando existe, pode ser leve, moderado, excessivo, doentio. Pode provocar brigas, gerar mal-entendidos e até separações. Gostando dele ou não, qualquer um de nós o conhece muito bem. Afinal de contas, que atire a primeira pedra quem nunca teve ciúme de alguém! 
 
Sentir ciúmes, ou ter ao seu lado alguém ciumento, não necessariamente é um problema. Ciúmes nem sempre são destrutivos, arrebatadores ou incontroláveis. Nem sempre fazem as pessoas cometerem loucuras ou as tornam agressivas. Existe aquele ciúme ocasional, controlado, que não faz quem o sente arrancar os próprios cabelos e tampouco incomoda o parceiro, de tão sutil que é. Não é desse ciúme que pretendo tratar aqui, pois ele não chega a causar grandes transtornos. Este, aliás, é um excelente parâmetro para sabermos quando o sentimento ultrapassa a fronteira do aceitável e se torna excessivo. Se os ciúmes estão gerando problemas para a relação, é preciso parar e pensar sobre eles. Vou dar uma ajudinha nessa reflexão, com algumas ideias e sugestões. Vamos lá? 
 
Ele(a) tem vida 
Algumas pessoas parecem simplesmente não se conformar com isso. Em um casal, por mais que haja união e até a sensação de que dois são um só, isso não é verdade: dois são dois. Existem duas pessoas na relação, cada uma com sua própria história, suas próprias características e sua própria individualidade. É importante ter consciência disso e respeitar este fato. É extremamente saudável para cada um e para o casal que exista vida além do relacionamento. É necessário ter amigos, colegas, familiares, assim como ter momentos sem o companheiro. O futebolzinho com os amigos ou o chopp com as amigas fazem bem para todo mundo e para as relações. 
 
Ele(a) já tinha vida antes de você 
Sim, muita gente também se esquece disso, e age como se o outro tivesse nascido no momento em que a relação começou. Acontece que, antes de te conhecer, seu/sua companheiro(a) já existia, já tinha uma história, com experiências, vivências, relações... Goste você ou não das pessoas com quem ele já se relacionou (como amigo(a), como namorado(a), seja como for), o passado é passado, e não faz sentido nenhum ter ciúmes dele. O melhor mesmo é ver as coisas como na música do Jorge Vercillo, que diz: “não se ofenda com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você”. Em vez de ficar furioso(a) com aquele(a) ex, por que não vê-lo(a) como alguém que colaborou para a que seu/sua companheiro(a) estivesse livre e desimpedido(a) quando te conheceu? 
 
Diga não às caraminholas! 
Um dos maiores problemas dos ciúmes é que eles podem virar uma bola de neve e tomar proporções desmedidas. Começa com uma pequena e inofensiva implicância e, quando se vê, surgiu uma história elaborada, cheia de meandros e muita imaginação. Às vezes é algo simples como um sorriso que serve de estopim. Se alguém cisma que um sorriso de uma pessoa para seu/sua companheiro(a) teve algum significado “a mais”, logo qualquer outra coisa – um telefonema, uma troca de emails, um convite para um evento – podem ser lidos como “sinais”, que confirmam que “algo está acontecendo”. Tenha cuidado com esse tipo de caraminhola. Não invente sinais que não existem, não enxergue o mundo com os óculos dos ciúmes, pois tudo parecerá motivo para reforçá-los. 
 
Cadê a confiança? 
Em uma relação, além de muitas outras coisas, são necessárias duas essenciais: confiança em si e confiança no outro. Confiança em si significa acreditar que você é importante o suficiente para seu/sua companheiro(a), a ponto de ele(a) ser honesto(a) e fiel a você. Esse tipo de confiança tem tudo a ver com a autoestima. Quando a pessoa se valoriza e acredita nela própria, dificilmente temerá ser trocada a qualquer momento por um rabo-de-saia (ou de calça!) qualquer. Além de confiar em si, é preciso, obviamente confiar no outro. Em qualquer relacionamento, é evidente que não temos como confirmar 100% do que o outro nos diz. Isso, no entanto, não pode nos tornar paranoides crônicos, motivo pelo qual precisamos confiar no outro. Não se trata, é claro, de uma confiança cega, mas baseada no que ele(a) faz. Se tudo indica que ele(a) está dizendo a verdade, por que desconfiar? 
 
Ciúme irrita 
Ponha-se no lugar do(a) seu/sua companheiro(a): você não ficaria irritado(a) se tudo (ou quase!) o que você dissesse gerasse desconfiança? Não é irritante ter que justificar tudo ou ter alguém o tempo inteiro “monitorando” cada um dos seus passos, quando você sabe que está sendo honesto(a)? Pois é. Ciúme (o desmedido, exagerado, é claro) irrita profundamente. E sabe o que acontece quando alguém está em um relacionamento com alguém irritante? Pois é... Ninguém quer estar por perto! 
 
Converse com ele(a) 
Em vez de ficar criando histórias fantásticas e imaginativas ou bancando o(a) detetive, o melhor mesmo é conversar com seu/sua companheiro(a) sobre os ciúmes que você está sentindo. Veja bem, conversar não é sinônimo de acusar, apontar o dedo, berrar, ameaçar... Conversar significa... Conversar! Troque o “você não me engana, eu sei que você tem outro(a)” pelo “acho que estou com dificuldades e preciso da sua ajuda”. Além de soar bem melhor, certamente terá um efeito mais saudável para a relação. 
 
Converse com outras pessoas 
Os ciúmes frequentemente fazem as pessoas perderem a noção do que é real e do que é fantasia da mente delas. Quando isso acontece, qualquer besteirinha pode ser considerada um grande indício de que o outro está realmente fazendo “algo errado”. Como esse discernimento muitas vezes é perdido, uma boa saída pode ser conversar com amigos(as) próximos(as) que conheçam você e seu/sua parceiro(a). Uma pessoa que está vendo a situação de fora, sem envolvimento direto, sem todas as emoções que o ciúme provoca, pode ser um bom parâmetro para que você perceba se tudo é criação da sua cabeça ou se algo realmente está acontecendo. 
 
Como disse Shakespeare, “o ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce”. Tenha cuidado para não alimentar esse monstro que pode destruir sua relação!
 

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