Meu pai é demais!

Meu pai é demais!

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 1:48

Todo mês de agosto é a mesma coisa: quem é filho corre pro shopping pra comprar um presentinho. E, em algumas famílias, rola até um almoço especial. O problema é que tá cheio de garota por aí que só fica na boa com o papi uma vez por ano, e é nessa data comemorativa. E aí não vale, né? Afinal, pai não é só aquele que pôs você no mundo e que ajuda a pagar as contas. Pode acreditar: mesmo sendo fechado ou passando pouco tempo em casa, ele tem um grande amor por você. E dá para ajudá-lo a colocar isso pra fora, aos poucos, com jeitinho. Daí, quem sabe, vocês também não se aproximam e começam a curtir mais juntos? Quer tentar? Comece conhecendo a experiência de duas leitoras que já fizeram isso e que, hoje em dia, têm os pais como os melhores amigos delas.

"Meu pai confia muito em mim e me deixa fazer tudo o que eu quero"

A história: a leitora Larissa Percevallis Pinheiro, de 15 anos, tem o pai que todo mundo pediu a Deus. "Ele me deixa sair com as amigas e não implica com esse lance de horário. Só me pergunta a que horas vou sair da balada e ainda aparece para me buscar”, conta. Acha pouco? Pois saiba que o Alex, o paizão da Lari, liberou até o namorado da filha para dormir em casa. "Eu também podia dormir na casa dele quando estávamos namorando. O garoto tinha muita vergonha e o meu pai é que fazia umas brincadeirinhas para quebrar o gelo”, diz.

Dica: "Gostaria de dizer uma coisa para as meninas que têm dificuldade de entender os pais: não julgue o seu só pelo que ele fala ou faz, mas procure ver o que está por trás. Conhecer a história dele, a infância, a maneira como foi criado pode ajudá-la a compreender certas atitudes. Daí, você poderá dizer, abertamente, o que está sentindo, mas vai fazer isso de outro jeito, sem querer agredir ou machucar seu pai, pois sabe o quanto aquilo também é difícil para ele”, ensina Lari.

O segredo da Lari: é claro que tanta liberdade assim não rolou do dia para a noite. "Fui conquistando a confiança dele aos poucos, acho que o meu pai percebeu que eu estava amadurecendo, pois conversamos muito. Isso faz a diferença: se você quer mostrar ao seu pai que cresceu, tem de passar um tempo com ele, se aproximar, para que ele consiga saber quem você é e o que você pensa. Então, vale convidá-lo para passear, ir com ele num lugar que ele gosta, nem que seja de vez em quando. Ao perceber que a sua cabeça é boa, ele naturalmente vai dar uma relaxada nas regras”, diz. Para o papi, ela é mesmo uma filha exemplar. "Eu procuro orientar a Larissa, mas não a proíbo de nada. Porém, só faço isso porque ela nunca traiu a minha confiança}", avisa.

Na hora da crise: como todo pai e toda filha, a Lari e o Alex também se desentendem às vezes. "Normalmente, ele fica muito nervoso quando eu e meu irmão brigamos”, conta Lari. Só que, nessas horas, nenhum dos dois faz barraco. "A gente senta e conversa logo depois que passa um pouco o estresse. Não consigo ficar mais do que cinco minutos sem falar com ele e nem acho que seria bom ficarmos prolongando o sofrimento. Então, prefiro ir resolvendo logo os problemas que aparecem”, diz.

A história: antes de decidir ficar ou não com um garoto, Juliana Oliveira Dória, de 16 anos, consulta o pai. "Ele me conta um pouco da maneira como os homens pensam. Aí, eu passo a ver a minha situação com o menino de um ponto de vista diferente. Isso ajuda muito”, diz.

Dica: "Sei que alguns pais são tão bravos ou tão fechados que a filha não sabe nem como chegar para conversar com eles. Então, nesses casos, eu diria à garota para buscar alguém próximo para intermediar o contato: a mãe, uma tia ou uma avó. Depois, com o tempo, vai ficando cada vez mais fácil se abrir. O mais difícil é dar o primeiro passo. E ele é muito importante”, ensina o pai da Juli, o Renato.

O segredo da Juli: a intimidade entre os dois também vem dos muitos momentos de convivência. "Acho que nós só falamos de tudo, tudo mesmo, porque nos acostumamos a trocar ideia de um jeito informal, quando estamos juntos. Eu acho que é isso o que traz a proximidade, a intimidade que a gente tem”, diz.

Na hora da crise: ao contrário do pai da Lari, o da Juli não é o mais liberal do mundo quando o assunto é sair com as amigas. "Até o ano passado, eu não podia ir a baladas que terminam tarde. Isso, no começo, me deixava revoltada. Mas aí vi que não adiantava brigar. Hoje, quando não concordo com alguma coisa, procuro pensar em tudo o que ele faz por mim antes de magoá-lo. Daí, fica mais fácil aceitar, porque vejo os defeitos, mas também as qualidades que ele tem”, conta.

E vc com isso?

Se o seu pai não é tão fofo, como o Alex e o Renato, aí vão alguns toques para melhorar a relação com ele:

1 - O mais importante é estar junto

Repare que tanto a Lari quanto a Juli reservam um tempinho só para dedicar ao paizão. E, com certeza, isso faz diferença. "Mesmo que o seu pai seja ocupado, dê um jeito de fazer pelo menos algumas refeições com ele. Também é legal criar o hábito de perguntar como ele está. Só não dá para se aproximar dele apenas para pedir dinheiro", explica a psicóloga Roseana Ribeiro.

3 - Ver o lado dele

Não é aceitar tudo o que o pai faz, mas se esforçar para entender por que ele está agindo daquele jeito. "É legal que as filhas saibam que os pais também têm dúvidas, têm medos e que estão tentando acertar, embora não sejam perfeitos. É algo a se pensar", provoca a psicóloga.

2 - Jogar conversa fora

Se você nunca comentou sobre uma atividade do colégio com ele, vai ser quase impossível pedir a opinião dele quando estiver a fim de namorar. Então, se a comunicação entre vocês é zero, comece com assuntos meio bobos, para quebrar o gelo. Agora, por mais difícil e demorado que esse processo pareça, não desista de conversar com o seu pai. "A confiança para falar de assuntos mais íntimos vai se instalando naturalmente", garante Roseana.

4 - Fazer em vez de esperar que ele faça

Tente aceitar as limitações do seu pai, focando nas qualidades que ele tem, e mude você a maneira de se relacionar com ele. "O fundamental é vencer o medo de expressar o que se está sentindo, investindo numa boa conversa. Essa é a melhor forma de amar e de pedir amor”, ensina Roseana.

Pai é (quase) tudo igual

Muda um detalhe ou outro, mas, no fundo, eles são as pessoas mais preocupadas com o nosso bem-estar. Por isso mesmo, pegam no pé de vez em quando, pensando em garantir a nossa felicidade. Veja o que essas leitoras contam sobre os pais delas e vai descobrir que há muita coisa em comum com o exemplar da espécie que você tem em casa. Duvida?

"Eu e meu pai sempre brigamos pelo mesmo motivo: ele quer me buscar supercedo quando eu saio e, mesmo assim, fica me ligando para saber se está tudo bem. Isso é um saco! Agora, quando estamos juntos, curtindo, é uma delícia. Ele é muito engraçado e topa todas as brincadeiras, eu sempre digo que ele tem a alma de uma criança.”

Laryssa Zinni, 16 anos

"Meu pai é muito esforçado e faz tudo o que pode e o que não pode para dar uma boa vida para mim e para a minha família. Só tem um problema: ele exige bastante da gente, quer que eu seja empenhada em tudo o que eu faço. Mas, como boa adolescente, eu não gosto muito quando ele começa a pegar no meu pé, né? E aí começam as brigas.”

Keila Palácios, 18 anos

"O bom de ter um pai é saber que ele sempre vai estar presente na sua vida, para ajudar em tudo o que for preciso. Só gostaria que o meu fosse menos estressado: ele às vezes chega cansado e desconta tudo em mim. Ah, isso eu detesto!”

Victoria Freitas, 16 anos

"Sei que o meu pai me ama e que faz tudo para me ver bem. Mas temos um problema com as notas da escola: quando eu tiro 10, ele diz que ‘não fiz mais do que a minha obrigação’. Agora, se apareço com um 9,5, já não serve. Pode?”.

Fernanda Vianna, 15 anos

"Meu pai pega no pé com essa coisa de sair. Tenho hora pra voltar e não é todo lugar que ele libera. Ele também fica em cima por causa da escola. Só que, mesmo assim, o considero um pai maravilhoso, um exemplo.”

Lara Tuanna, 15 anos

Por: Rita Trevisan

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