Meu primeiro e único namorado

Meu primeiro e único namorado

Atualizado: Terça-feira, 19 Julho de 2011 as 9:46

Paquerar, ficar, namorar, terminar e recomeçar. Encontrar o amor não é nada fácil, ainda mais daqueles que duraram a vida inteira. Porém, nem todos passam pelo jogo de tentativa e erro, algumas pessoas se dizem sortudas por não procurar muito, elas fizeram do primeiro amor o único de suas vidas.

Amor de faculdade

Com a estilista Aline Moraes, casada com empresário Patrick Machado, foi assim. “Conheci ele na época da faculdade, em 1999, numa festa em Ribeirão Preto. Ele tinha 22, e eu, 19. Eu nunca tinha namorado sério antes, mas a coisa fluiu naturalmente”. Nos 12 anos de história, Aline não nega os momentos difíceis. “Durante esse tempo passamos um período de quatro anos morando em cidades diferentes”. Depois ficaram noivos e foram viver na Argentina. “Essa experiência foi fundamental para reconhecermos a importância da cumplicidade e do companheirismo. Nessa fase tudo era provisório, incerto e inconstante, menos o nosso amor”. “Não considero que tenha perdido oportunidades. Ele foi o melhor que poderia ter me acontecido. Meu melhor amigo e companheiro”, diz. Para o casal, o amor se reinventa e renasce constantemente. “Construímos um amor de verdade que supera o tempo e os obstáculos”. Além do romance, também há harmonia nos negócios: Aline e Patrick trabalham juntos como sócios numa marca de roupas infantis. Vai dizer que não parece coisa de novela?

Do colégio para o altar

Começar uma relação séria quando se é muito jovem implica em crescer junto ao parceiro. O primeiro encontro de Tatiana Damberg e Estevam Romera foi no colégio, na época ela tinha 15 anos, e ele, 16. “Eu tinha uma queda por meninos de cabelo comprido”, conta ela sobre o charme do metaleiro, com quem é casada há 16 anos. Os dois viveram juntos a passagem da adolescência para a vida adulta. Compraram casa, viajaram para diferentes lugares do mundo e tiveram uma filha. Momentos difíceis? “Sim. Com tanto tempo de relacionamento não tem uma dificuldade para citar, são várias. As fases vêm e vão, a gente segura firme, acredita um no outro e faz passar”. Para Tatiana, a coleção de momentos felizes é muito maior. “São tantos! Como o final da reforma, ver nossos planos se concretizando, a decisão de ter filhos... Coisas que a gente não teria conseguido fazer sem o outro”. Sobre as oportunidades possivelmente perdidas, Tatiana é categórica: “Não sinto falta dos rolos em que vi alguns amigos meus se envolverem, me sinto até aliviada de não ter vivido os clichês dos relacionamentos modernos”.

De mãe pra filho

Para a empresária Fernanda Bega, casar com o primeiro amor foi inevitável. “Conheci meu marido, Eduardo Bega, no colégio, em 1975, na antiga oitava série. Eu tinha 16 anos, e ele, 17. A decisão de casar surgiu no momento em que começamos a namorar”. Contando a fase do namoro já são 35 anos de relacionamento, uma vida juntos. “Tivemos uma juventude normal. Eu fiz uma faculdade, ele outra, tivemos muitas oportunidades de mudar de ideia. Mas tenho certeza que fiz a melhor escolha. Meu marido nunca foi um moleque. Eu tive a honra de conhecer um homem de 16 anos que se transformou numa pessoa muito melhor com o tempo”. Seguindo os passos dos pais, Rafael se casou com a primeira namorada, Nicole, que seguiu os passos dos pais e também se casou com a primeira namorada, Nicole. “Ele foi me procurar na escola porque eu tirei a maior nota em física e ele quis saber quem era a menina que tinha ido melhor que ele na prova. Eu com 14, e ele, com 16 anos”. Desde então eles estão juntos e garantem não ter arrependimentos ou dúvidas de terem sido os primeiros e únicos na vida de cada um. “Nunca deixamos de aproveitar as fases da vida, sempre fomos pra balada, cinema, como as outras pessoas da nossa idade. Só que fizemos tudo isso juntos. E o nosso relacionamento foi crescendo aos poucos, com a gente”. Para Nicole é pura sorte encontrar o amor assim tão cedo. “Poderia não ter dado em nada, mas deu certo. Estamos felizes e curtindo o nosso filho, Miguel, de um aninho”.

Amigos para sempre

Casar com o melhor amigo também funciona. A arquiteta Cheila Aranha e o professor de física Sergio Luis Aranha eram da mesma turma do clube em São José dos Campos – ela tinha 13, e ele, 19 anos. “Ele me pediu em namoro num baile no dia que passou o cometa Halley, em 21 de maio de 1986, desde então, rompemos apenas uma vez, quando eu tinha 15 anos, mas por pouco tempo. Nossa expectativa é ver a próxima passagem do cometa juntos, 76 anos depois”, brinca. Casar foi só mais um passo do namoro que já durava nove anos. “Decidimos que antes dos dez anos nos casávamos ou separávamos. E quando o assunto é arrependimento, Cheila é realista. “Não me arrependo porque as coisas foram acontecendo, mas tenho consciência do que perdi. Sempre me senti um ET entre os meus amigos. Uma história como a minha é difícil de existir. Tinha até um pouco de vergonha de falar que casei com meu primeiro namorado”. Com uma trajetória de mais de 20 anos, Cheila e Sergio já viveram de tudo. “As dificuldades estão sempre ligadas à falta de grana, como a vida é uma roda gigante, já passamos por muitos altos e baixos”. Os mais felizes envolvem filhos, amigos e a família. “Temos muito prazer em receber, nossa casa sempre está cheia de amigos, viramos uma espécie de ponto de encontro”. Para manter a relação viva por tanto tempo, Cheila acredita que o segredo é cuidar um do outro prezando a felicidade do seu par. “A paixão muda conforme a gente muda, nossa diferença é que somos muito amigos, cúmplices e amantes. Temos vidas independentes, trabalhamos muito, cuidamos dos nossos filhos e mesmo depois de tantos anos temos imenso prazer de estarmos um na companhia do outro”.  

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