Mineira de 16 anos é esperança brasileira do bicicross nas Olimpíadas

Mineira de 16 anos é esperança brasileira do bicicross nas Olimpíadas

Atualizado: Quarta-feira, 1 Junho de 2011 as 11:20

O Brasil está prestes a ter seus primeiros representantes do Bicicross - esporte também conhecido como BMX - nas Olimpíadas. Mas não pense que, por ser um esporte radical, os candidatos a uma vaga são todos brutamontes. Uma das principais postulantes é Thaynara Morosini, delicada garota de 16 anos que pretende sair de Betim, em Minas Gerais, rumo à Londres, onde acontecerão os jogos de 2012. Em preparação intensa, a atleta já conseguiu acumular pontos importantes e está próxima de realizar um sonho.

"Estou muito animada para essas Olimpíadas. Dá um friozinho enorme na barriga", revela Thaynara em entrevista ao iG Jovem. Até o momento, ela já conseguiu a segunda colocação nos campeonatos Sul-Americano e Pan-Americano. Segundo as contas da atleta, só falta chegar entre as quatro primeiras no Brasileiro e no Latino-Americano que ela já pode começar a arrumar as malas para a Suíça, onde treina a seleção brasileira de Bicicross.

"Nunca saí da América do Sul, vai ser muito legal se isso acontecer. Tem uma amiga minha que está lá (na Suiça) e diz que é tudo muito bonito", diz, sem disfarçar a ansiedade.  Sobre uma possível medalha em Londres, Thaynara mostra consciência das dificuldades, mas acredita bastante em seu talento. "O nível da competição é muito forte, mas tenho certeza que dá para conseguir uma colocação boa".

A paixão pelo esporte apareceu cedo para Thaynara, aos oito anos. "Passei com o meu pai perto de um lugar onde estava tendo um campeonato e na hora já disse: ‘pai, posso fazer isso também?’". Com a afirmativa do pai, ela começou a treinar e, desde o começo, não teve dificuldade para aprender o jeito certo das manobras. "O biciross não é difícil", garante.

Aos poucos ela começou a entrar em competições municipais, estaduais e teve até que disputar algumas vezes contra meninos, por falta de garotas interessadas na modalidade. "Com os meninos é mais pesado, porque eles têm mais força e mais técnica", explica.

A rotina para aprimorar as formas física e técnica é puxada. "Chego da escola, almoço, e às 15h treino ou faço academia (por quatro horas), dependendo do dia da semana". Nos finais de semana, Thaynara treina quatro horas aos sábados e aos domingos.

Mesmo estando sempre tão atarefada, no entanto, Thaynara tenta manter ativa sua vida social. "Saio todo fim de semana com as minhas amigas". E namorar, dá tempo? "(risos) Não, impossível, não tenho tempo para namorar alguém".

No início, quem bancava as aulas e trajetos eram seus familiares. "A falta de patrocínio sempre foi a principal dificuldade, é um esporte muito caro", conta. Hoje, a atleta conseguiu o patrocínio da COMAU, empresa de automação comercial.

Destemida, Thaynara não tem dúvidas quanto sua parte preferida no esporte: saltar. "A plateia sempre reage, aplaude... A adrenalina sobe ainda mais", diz antes de revelar nunca ter tido problemas com medo. Por isso ela dá a dica aos iniciantes: "Tem que perder o medo".

Por: Rafael Bergamaschi

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