Misto de basquete e hip hop embala campeonato

Misto de basquete e hip hop embala campeonato

Atualizado: Segunda-feira, 6 Junho de 2011 as 9:50

A cidade de Santo André recebe o Circuito Basquete de Rua, que acontece de um forma um pouco inusitada. Regras rígidas não fazem parte do jogo e as cestas convencionais também não. Criado a partir do streetball americano, o hip hop é que dá ritmo aos jogadores que se inspiram nas batidas para fazer jogadas criativas.

No basquete de rua é mais importante a beleza da jogada do que a disputa. E os bons improvisos valem pontos para o time, de acordo com o julgamento da arbitragem. "O basquete de rua incentiva o malabarismo e os dribles incomuns, além da narrativa das jogadas e do rap, que rola durante todo o jogo", explica o gerente de Difusão do Departamento de Lazer da prefeitura de Santo André e um dos organizadores, Eduardo Camarotti, sobre a diferença do esporte de rua para o tradicional.

A competição é organizada pela prefeitura da cidade há seis anos com o objetivo de incentivar um esporte não tradicional e "que tenha caráter de diversão como premissa básica", afirma Camarotti. Os jogadores têm, em média, 20 anos e vivem nas comunidades mais carentes da região. O número de participantes, segundo o organizador, varia entre as etapas, de acordo com quantos se inscreveram. "Neste ano faremos quatro fases", disse ele, sendo que a primeira aconteceu no dia 8 de maio, quando times de São Paulo, Santos, Mauá e Santo André se enfrentaram. A próxima está marcada para 12 de junho, a terceira etapa acontecerá no dia 10 de julho e a última no dia 14 de agosto.

Camarotti conta que durante as partidas, a prefeitura sempre busca levar um MC, algum profissional do Graffiti, DJs ou dançarinos de streetdance. "Não tem como você falar em basquete de rua e não pensar em hip hop. (...) A música completa o basquete de rua e dá um ânimo a mais na hora de jogar" afirma Leandro de Oliveira Navarro, 19 anos. Ele faz parte do time misto Soul Power, composto por 10 pessoas.  E nos últimos quatro anos não passa mais de três dias sem arremessar a bola para uma cesta. "Jogo de quatro a cinco vezes por semana", diz.

O show de manobras

De acordo com Leandro, no basquete de rua não existe cobrança de técnicos e o jogador fica livre para jogar como ele quiser. "Você joga no seu estilo, tem mais liberdade para criar as jogadas", comenta. E criatividade é um dos pré-requisitos mais importantes para o streetball. Leandro diz que passar a bola entre as pernas do adversário, manobra conhecida como "caneta", é uma jogada difícil, mas que tem mérito. Já as enterradas são as mais aplaudidas, segundo ele.

"O que importa é o show de dribles", diz Sidney Gabriel da Silva, de 18 anos. Ele também está participando do circuito e joga basquete há cinco anos. Segundo Sidney, um "rolinho" pode valer um ponto e uma enterrada dois pontos e meio durante a partida. "Mas não é tudo liberado, chutar a bola, por exemplo, não pode", lembra ele. Integrante do Soul Power, Sidney conta que antes o time participava dos jogos apenas para fazer shows, mas que desde 2009 eles começaram a conciliar as manobras e dribles à marcação de cestas.

Carreira profissional

Para Sidney, seguir o basquete como profissão ainda é uma realidade distante para os brasileiros. "Aqui é o país do futebol, não vejo investimento no basquete", conta ele que já passou por times como o da escola da Janeth Arcain. O jovem ainda diz que quando ele e os amigos tentam jogar em quadras, têm que disputar o espaço com a "turma do futebol" e, na maioria das vezes, ficam sem ter onde jogar.

Leandro concorda com o amigo. "Muitas vezes a questão do salário acaba fechando portas para os atletas", argumenta. Ele conta que enxergava o esporte apenas como lazer quando começou no basquete. Mas, quando mudou de ideia e decidiu encontrar um time para seguir a carreira na modalidade, não encontrou. Leandro chama a atenção para a instabilidade do esporte no país como a causa da desistência de bons jogadores. "Várias pessoas que eu conheço que jogam em times, nunca sabem se na próxima temporada ainda vai haver a equipe", diz e completa que, na maioria das vezes, a insegurança dos jogadores se concretiza e eles ficam sem ter um time para jogar.

O basquete ainda precisa de muito apoio governamental e de marketing no Brasil, de acordo com o gerente Eduardo Camarotti. "É um esporte olímpico que ainda precisa galgar um lugar ao sol no nosso país", conclui ele.

Por: Thais Sabino

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