Mochileiros sim, mas com infra-estrutura

Mochileiros sim, mas com infra-estrutura

Atualizado: Quarta-feira, 12 Maio de 2010 as 3:08

Ir para a Disney hoje é trivial. Os teens já dispõem de facilidades até para conhecer lugares exóticos

De acordo com estudos, duas décadas atrás o jovem passava férias no exterior pela primeira vez aos 18 anos. Atualmente, a média de idade baixou para 13. Nunca houve tantas agências com excursões destinadas à faixa etária que vai dos 12 aos 21 anos. Por essas e outras, viajar tornou-se o grande sonho de consumo do adolescente brasileiro. De preferência sem os pais. E de preferência para o exterior.

O que significa viajar sozinho? Nos dias de hoje, é uma espécie de ritual de passagem para a maturidade. "No Brasil, onde todos se ressentem da falta de segurança, grande parte dos adolescentes de classe média não pega ônibus, não vai ao banco nem sequer lida com cartão de crédito", analisa a psicanalista Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Eles passam a vivenciar todas essas experiências no exterior, além de várias outras, e voltam, inegavelmente, mudados." É também um exercício de sociabilidade. "Eu era do tipo que, se falavam o meu nome em voz alta na sala de aula, ficava roxa de vergonha", diz Marcela Gomes, paulistana de 17 anos. "Quando você está em outro país, sozinha, precisa se comunicar e acaba fazendo amizade mais fácil." Marcela, apesar da pouca idade, já conhece Estados Unidos, Nova Zelândia, Inglaterra, Austrália, África do Sul, Indonésia, Ilhas Fiji e Espanha.

Essa é outra novidade. Houve um tempo em que ir à Disney era uma conquista. Hoje é trivial. O quente é conhecer também outros lugares. Que não se assustem os pais imaginando seus pimpolhos enfrentando canibais em países exóticos. Já há agências de viagens especializadas em oferecer roteiros alternativos e seguros para um público jovem. O Student Travel Bureau, por exemplo, promove o programa Contiki, idealizado para quem quer aventura com o respaldo de um guia. Recentemente, a agência passou a comercializar pacotes para o Camboja e o Vietnã. A Nova Zelândia, meca dos esportes radicais, também está se tornando um hit da moçada. Para um adolescente, passar férias num lugar desses é garantia de sucesso na turma. Afinal, quem viaja se diverte duas vezes: quando passeia e na volta, quando conta o que fez.

O apelo da aventura é tão grande para a galera que possibilitou o surgimento de um novo gênero literário: o livro de viagens destinado ao adolescente. Esse tipo de literatura traz conselhos sobre albergues, como comer sem gastar muito dinheiro, além de contar histórias – em geral um pouco glamourizadas – sobre namoros e festas. Fazem mais sucesso aqueles cujos autores estão próximos da faixa etária de seu público-alvo. Ainda neste ano, Tiago Gomes de Oliveira, de 20 anos, deverá lançar sua obra, em que conta como deu a volta ao mundo. Natural de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, ele percorreu os cinco continentes – passando por 452 cidades de trinta países – em 348 dias. "É melhor fazer esse tipo de viagem quando se é jovem", filosofa. "Depois você pode construir sua vida com base nessas experiências." Os teens aplaudem e fazem coro.

Idade

A média de idade dos viajantes mirins que embarcam para a Disney em férias caiu de 12 para 9 anos na última década Maior público

Há dez anos, o público predominante em viagens internacionais era formado por jovens das classes A e B. Recentemente a classe C entrou na festa Viajante independente

Os mochileiros brasileiros têm entre 18 e 21 anos. Antes, a média era 23 anos Agências de viagens

Existem no Brasil cerca de 100 agências de viagens com programas especiais para adolescentes. Elas também dispõem de descontos em passagens aéreas e passes de trem Novos destinos

É crescente a procura de passagens para lugares como Austrália, Nova Zelândia, Leste Europeu e Ásia Postado por: Cristiano Bitencourt

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