Música é escape de jovens contra drogas e violência

Música é escape de jovens contra drogas e violência

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 11:03

Cansados de presenciar cenas de violência no seu dia-dia e a não ocupação, um grupo de jovens das Vilas Santa Cruz e São José, zona Sul de Teresina, encontrou uma forma de chamar a atenção da comunidade para lutar contra o problema. Cantando, os jovens conscientizam outros jovens e deixam de dar trabalho à polícia. Desemprego, drogas, assaltos, homicídios e até violência policial fazem parte do cotidiano dessas comunidades. Para tentar transformar a realidade, a música foi incluída neste cotidiano, através do grupo de rap "A Irmandade".

De acordo com um dos integrantes do grupo de rap Luciano Leite (Lu), a música do grupo não é feita só para dançar, mas é uma forma de protesto. "Ver os nossos irmãos se acabando nas drogas, ou mesmo na guerra por motivos fúteis nos revolta, porque o bom seria que reinasse a paz na nossa comunidade", disse o jovem.

Quase todo mês morre um jovem vítima de violência nas comunidades. Muitos dizem que é por conta da disputa pelo tráfico de drogas na região, outros dizem que muitos assassinatos são apenas pela busca de território entre os jovens, para outros é resultado da ociosidade.

Para Lu, seja qual for a causa, todos temem a violência das duas comunidades, mas o que não entendem é que todos só falam em polícia, como se esta fosse a saída para o problema da violência.

Nas músicas cantadas pelo grupo de Rap, como na faixa "Superman", fica claro a indignação pela forma como a polícia atua nas comunidades. O que era para se transformar em segurança acaba se transformando em humilhação e indignação. Indignação pela falta de inteligência na abordagem e pelo exagero na violência.

"O que mais nos deixa indignado é que a violência no bairro não diminui, e a cada dia aumenta o número de homicídios, de tráfico de drogas, poucos vão para a cadeia e a situação continua. Cadê a inteligência da polícia? Esperam sempre que a gente denuncie, quando se sabe que há policiais envolvidos com os traficantes e corremos risco em denunciar, não é fácil, por isso ficamos calados", disse o rap.

Para o rapper, todos sabem que problema não é apenas de polícia, faltam escolas atrativas para a juventude, lazer, e principalmente oportunidade de trabalho para os jovens e para os pais desses jovens. A maioria deles, principalmente os que já estão envolvidos com a marginalidade, não valoriza suas vidas e acaba contaminando os mais jovens, que são inspirados pelos que demonstram ser os heróis das comunidades, que tentam manter um status de liderança, muitas vezes utilizando da violência e, por isso, seus reinados sempre são curtos e a morte chega cada vez mais cedo.

Cledenilson Barreto (Kedé) mora na Vila São José enquanto Lú mora na Vila Santa Cruz, comunidades marcadas pela disputa de territórios. Para o rapper Kedé, a música de reflexão veio para proporcionar as mudanças e tentar quebrar a divisão entre as comunidades, por isso o grupo foi batizado como A Irmandade.

Via: Brasil Portais

veja também