Não me chame assim!

Não me chame assim!

Atualizado: Segunda-feira, 29 Agosto de 2011 as 2:28

Orelhão, rolha de bueiro, ET, bavária (em referência à "cerveja dos amigos"), XL, formiga. Estes são alguns dos apelidos que incomodam muitos adolescentes e que podem até tirar o sono. Mas o fato é que esses nominhos indesejados sempre existiram e servem de divertimento para a galera. Nem todos são horríveis, e, muitas vezes, são até carinhosos, como aqueles dados pelos familiares. Porém, quando todos resolvem pegar no seu pé e chamar atenção para algo que você odeia, o assunto pode ficar mais sério.

Segundo a psicóloga comportamental e pedagoga Fabiana Jurca Dadas, o adolescente costuma romper padrões e ter comportamentos contraditórios, como agredir quem ama e, assim, ser inconsequente. Por isso, quanto maior for o desconforto demonstrado pela pessoa ofendida, maior será a chance desses comportamentos inadequados continuarem a perturbá-la. "O ideal é que o jovem não demonstre sua insatisfação, parecendo ser indiferente ao acontecimento. Caso isso não seja possível, ele terá que solicitar a intervenção de um adulto responsável pelo grupo", aconselha.

Ignore!

A educadora e escritora Tania Zagury, autora de Limite Sem Traumas, explica que nem sempre o apelido conduz a algum problema emocional ou a alguma situação constrangedora. Porém, há aqueles que são embaraçosos e denigrem a pessoa. Neste caso, o bom mesmo é mostrar indiferença. "A melhor coisa a fazer é ignorar, pois se o apelido é dado com má intenção, o que mais as pessoas que o deram querem é aborrecer o jovem. O ideal é que ele não entre na chantagem. Este é um caminho que desarma o agressor", sugere.

As especialistas concordam que ficar magoado e deixar isso claro só favorece as gozações. Mas nem sempre é fácil engolir seco, dar risadinha e fingir que nada está acontecendo. Por isso, uma saída é tentar conversar com o manda-chuva da brincadeira de mau gosto. "Mas isso não deve ser feito na frente de todos, pois o agressor se apoia no grupo. O bom é tentar usar alguns argumentos que estimulem a humanidade do cara", explica Tania. Outra forma de tentar acabar com essa situação é usar o humor e a simpatia. Assim, você se impõe perante o grupo e mostra que não é saco de pancadas.

Peça um help

Se nada disso adiantar, é importante procurar ajuda dos pais ou dos responsáveis. Mas tome cuidado para que isso não seja mais um motivo para que alguém tire sarro de você. "O jovem pode comunicar a escola, mas sempre pedindo que não seja apresentado como uma queixa dos pais, senão o adolescente encarna mais as gozações", diz Tania. Também é preciso ficar atento quando o apelido passa dos limites e se transforma em bullying, ou seja, agressão. Neste caso, é necessário fazer uma denúncia, de preferência anônima, para que a escola tome alguma providência com urgência.

Sou frágil

Aqueles que são mais sensíveis acabam sofrendo mais com essas ofensas. De acordo com a psicóloga, quando o adolescente tem uma autoconfiança mais frágil, a tendência é que ele tenha um envolvimento emocional maior. "Dependendo de como está a auto-estima do adolescente, isso pode sim prejudicar o desenvolvimento saudável e gerar sentimentos de menos valia, de inadequação e persecutórios", afirma Fabiana.

Para enfrentar essas situações desagradáveis que fazem parte da vida, Tania Zagury explica que é preciso se fortalecer internamente. "Se a pessoa fica muito abalada por um apelido, é interessante que ela busque as razões dentro si, por meio de um apoio psicológico", aconselha. Ela diz que a convivência com as pessoas é conflituosa, e por isso, precisamos nos preparar. "Durante o dia, o jovem vai ter momentos ótimos e ruins, por causa das diferenças que existem entre as pessoas. Mas você não pode mudar o mundo. O que é possível é mudar o interior, deixá-lo mais forte para que coisas desse tipo não evoluam".

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