No dia do professor, jovens dizem por que querem dar aula

No dia do professor, jovens dizem por que querem dar aula

Atualizado: Sexta-feira, 15 Outubro de 2010 as 2:51

Uma das profissões mais antigas do mundo - e grande homenageada desta sexta-feira (15) - anda em baixa, e não é de hoje. Apesar disso, ainda há jovens, mesmo que poucos, querendo ser professores. Até porque o magistério é considerado uma "carta na manga" para o caso de a carreira como pesquisador não decolar.

Tomaz Pereira, aluno do 3 ano da Escola Edem, vai fazer vestibular para História e tem vontade de dar aula em colégios, apesar de também sonhar com uma pós-graduação em Arqueologia.

- Eu estou em um impasse entre as duas áreas, bem dividido, não sei qual vou seguir. Ser professor me daria muito prazer. Eu gosto de ensinar, se alguém me pede ajuda eu vou numa boa - diz Tomaz.

O seu colega Tauã Cabus também quer seguir o magistério pelo prazer de dar aula.

- Minha mãe é professora, então eu sempre estive ligado a esse universo. Eu curto muito passar conhecimentos para outras pessoas, embora ache que o ensino esteja defasado.

Já João Caetano pretende seguir por um caminho diferente: seu desejo é se tornar um biólogo para trabalhar com pesquisa. Ele reconhece, em tom de autocrítica, que não é fácil enfrentar uma turma de ensino médio.

- Em sala, são 30 contra um, e a batalha dura 50 minutos. Eu admiro quem vai para a licenciatura acreditando que vai mudar o mundo, mas o impacto é pequeno.

A falta geral de interesse se reflete na baixa procura pelos cursos. Nas licenciaturas oferecidas pela UFRJ, a relação candidato/vaga, em 2009, não chegou a cinco em Física, Química, Matemática, Letras, Biologia e Geografia.

A professora da Faculdade de Educação da Uerj Bertha do Valle atribuiu ao salário baixo a falta de atratividade na carreira, junto com a falta de boas condições de trabalho. O piso nacional dos professores, criado recentemente pelo Congresso Nacional, prevê uma remuneração de cerca de mil reais para um contrato de 40 horas semanais.

- Eu acho que o maior peso é sobre a questão salarial. Mesmo com o piso, ela é muito ruim. Quanto às condições de trabalho, são, geralmente, muitos alunos por turma, e os professores sofrem com estresse e perda de voz. Além disso, hoje há concursos públicos sem exigência de formação em uma área específica, que atraem porque pagam mais - explica a professora.

Se, do lado de quem entra, as reservas já existem, para quem já se formou a realidade é mesmo tão dura quanto parece. O professor de Biologia Fábio Falcão, que também trabalha no museu Espaço Ciência Viva, optou pelo magistério devido ao interesse por diferentes áreas durante a faculdade. Apesar da vontade de ajudar, as dificuldades do dia a dia, como a falta de autonomia em sala, minam o ânimo. Ele conta que até já foi questionado sobre a opção pelo magistério.

- Já teve quem perguntasse "por que você não virou cientista?" O bacharelado é visto como superior em relação à licenciatura. Todo mundo desestimula quando você fala que quer ser professor, inclusive a família. A remuneração e o status no ensino superior são muito diferentes dos de quem vai para o fundamental ou médio. A maioria dos estudantes tenta a pesquisa primeiro. Se não der certo, vai para o magistério - diz Fábio.

Já o ainda estudante Fábio Carvalho conta que encontrou sua vocação na licenciatura. Apesar de cursar o bacharelado em Física na UFRJ, a experiência como professor em um pré-vestibular o convenceu a encarar as salas de aula. Apesar de todos os problemas:

- Eu sempre tive essa vontade de contribuir para a educação, até porque estudei em escola pública. É uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade - afirma.

Rômulo Diniz e Ronald Costa entraram para a licenciatura em Física pela necessidade de conciliar estudo e trabalho, já que o curso é noturno. Mesmo com a ralação e as dificuldades, eles estão animados.

- Depois que eu tive as primeiras experiências, vi que é legal apresentar pensamentos diferentes para as pessoas - diz Rômulo.

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