Nova geração de jovens criada na era do 'ficar' não sabe o que fazer para conseguir um namorado

Geração 'Y' não sabe namorar

Atualizado: Terça-feira, 29 Janeiro de 2013 as 11:30

 

Encontros a moda antiga realmente passaram a ser coisa do passado. A nova geração de jovens chamada de geração do milênio ou geração Y foi criada na era do "ficar" e agora estão começando a pensar em se assentar, mas subverteram as regras da sedução por novos métodos deixando de lado os encontros tão tradicionais no passado.

dama e vagabundo

Segundo a professora de estudos de religião e gênero, Donna Freitas, que também é autora do livro “O fim do sexo: como a cultura do ficar está deixando uma geração infeliz, sexualmente frustrada e confusa em relação à intimidade”, muitos jovens que fazem parte da nova geração nunca tiveram um encontro tradicional e, para ela, o problema disso é que "os jovens de hoje não sabem o que fazer além de 'ficar'. “Eles perguntam: ‘Se você se interessa por alguém, como faz para se aproximar da pessoa?’...Essa é a prova de que não sabem mais lidar com a idéia de um encontro” disse Dona.

Depois de uma experiência não muito boa sobre encontros, a administradora de mídia social e de um blog na Filadélfia, Shani Silver, afirmou que a palavra 'encontro' deveria ser eliminada do dicionário dos jovens atualmente. Isso porque, segundo ela, o que temos hoje é um ciclo de mensagens de texto que para serem interpretadas precisam de habilidades decodificadoras de um espião da Guerra Fria.

As mensagens de texto, os e-mails, o Twitter ou outras formas de "comunicação assincrônica", como são classificadas por especialistas em tecnologia, no contexto do relacionamento, dispensam o charme, em grande medida deixando o receptor confuso quanto às reais intenções do outro.

500 dias com ela

Especialistas em relacionamentos apontam para a tecnologia como um dos fatores que pôs a cultura dos encontros de ponta-cabeça.

Diante de um fluxo interminável de solteiros, muitas pessoas acabam tendo medo de arriscar entrar em um relacionamento e acabar perdendo alguma coisa mais interessante, por isso optam por uma abordagem no estilo "speed-dating", ou seja, passam rapidamente por grande número de pretendentes ou ‘ficam’.

"O novo encontro não é um encontro, é passar tempo juntos", comentou Denise Hewett, 24, produtora de TV em Nova York que está criando um seriado sobre essa nova paisagem romântica.

Há outra razão que explica por que os encontros à moda tradicional tornaram-se ultrapassados. Se o objetivo do primeiro encontro antes era saber um pouco mais sobre as origens do pretendente, qual o seu grau de instrução, as suas tendências políticas e os seus gostos, hoje, nada disso é mais necessário já que o Google e o Facebook fazem o trabalho.

"Hoje em dia, somos todos doutores em matéria de fuçar a vida das pessoas na internet", comentou Andrea Lavinthal, autora do livro de 2005 "Eu Fico, Tu Ficas, Ele Fica".

Segundo Andrea, quando se pesquisa a vida de uma pessoa na internet, o primeiro encontro fica parecendo desnecessário e cria um senso falso de intimidade.

Para ela, essa busca de informações sobre o outro na internet causa uma sensação de que já se sabe de todas as coisas importantes sobre o pretendente, quando na verdade, a única coisa que se sabe de verdade é qual seriado de TV aquela pessoa assiste com mais freqüência.

contaOutro ponto que ajuda a agravar e complicar essas relações são as mudanças no poder econômico entre homens e mulheres que segundo Hanna Rosin, autora do livro “O fim dos homens”, faz com que o homem diga a uma mulher que levá-la para um encontro é ultrapassado simplesmente para não assumir que não tem dinheiro para levá-la a um restaurante. “Essa desculpa é uma relíquia de uma era paternalista que ainda não se acostumou com a idéia da independência financeira feminina”.

Em resumo, todos esses fatores vêm deixando uma geração que não sabe como conseguir um namorado ou uma namorada.

 

Será que a solução para tantos desencontros e complicações desse novo milênio não poderia ser resolvida se voltássemos a observar como nossos pais e avós faziam antigamente e valorizássemos mais a nós mesmos e ao fato de que no processo de ‘jogar dardos contra o alvo’ podemos nos machucar muito e no fim nem valer à pena?

Pense nisso e conte para nós a sua opinião. 

 

 

com informações de: Folha Uol

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