Novos talentos são descobertos no Brasil todo pelo maestro João Carlos Martins. Conheça algumas histórias

Música clássica também é para jovens!

Atualizado: Quarta-feira, 11 Janeiro de 2012 as 12:59

Há sete anos o maestro João Carlos Martins mudou totalmente sua vida e carreira por causa de um problema de saúde e com isso transformou a realidade de diversos jovens ao redor do país. Antes pianista, o atual maestro buscou talentos em cada canto do Brasil e criou a Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi SP, com membros com idade entre 15 e 16 anos tocando junto a grandes músicos.

Os jovens aprenderam com os mais velhos, cresceram e se tornaram profissionais. Com isso o projeto do maestro ganhou novo foco: em cada lugar que se apresenta, João Carlos Martins busca conhecer ONGs e adolescentes talentosos. “Agora estou formando nas periferias. Estou formando orquestras de crianças e jovens que talvez nunca teriam possibilidade de ter contato com a música clássica”, explica.

Com o lema “disciplina do atleta e alma do poeta”, João Carlos Martins trabalha atualmente com jovens de Jaguaré, Osasco, Ermelino Matarazo, Suzano, Guarulhos, Paraisópolis e Cariacica, no Espírito Santo: “A cada mil jovens, dois ou três são diamantes a serem lapidados.”


Dessa busca incansável saíram os dois jovens que se apresentaram no fechamento do ano de 2011 da Sala São Paulo, um dos maiores centros da música clássica do país, e com quem conversamos sobre carreira, rotina, amigos e desafios dessa carreira no Brasil. “


Na hora que você vai descobrindo um Brasil com talentos que poderiam morrer na praia, você expõe esses talentos e os monitora, eles passam a ser exemplos para centenas de outros jovens. É uma garantia de futuro”, diz o João Carlos.


Paula Eduarda, de 13 anos, é cantora – com quem o objetivo do maestro é “não permitir que pessoas que enxerguem a curto e não a longo prazo prejudiquem sua voz agora”. E Lucas Faria é violinista aos 12 - “fiz a estreia dele, aos 12 anos de idade, no Lincoln Center, em Nova York”.


Uma chance para conhecer mais do que as histórias de cada um deles é a Festa de Reveillon na Avenida Paulista, em São Paulo. O hino nacional na hora da virada, dando boas vindas para 2012, contará com o Maestro e alguns de seus discípulos.


iG: Quando você notou que tinha vocação para música?
Paula Eduarda: Eu gostava de música desde pequenininha. Ai eu quis me especializar e meu professor era tenor, então ele foi me mostrando algumas músicas e eu fui gostando mais de músicas clássicas do que populares. E cada vez eu fui gostando mais de estudar...
Lucas Faria: Meus pais compraram um violino e eu comecei a me interessar por orquestras, música clássica, CDs... Eu me encantei pelos tons do violino e comecei a me apaixonar para ele.

iG: Como era sua rotina antes de ser descoberto pelo João Carlos Martins? E depois?
Paula Eduarda: Eu só estudava. Eu me preparo no canto lírico desde os 8 anos e agora que eu estou cantando com orquestras é muito bom. Eu nunca tinha cantado. É muito legal, eu adoro! Eu estudo, ensaio, me apresento. É a semana toda correndo.
Lucas Faria: Eu ia para escola de manhã, de tarde eu estudava com o violino ou tinha aula, e de noite eu brincava um pouco, fazia lição da escola. Era assim todo dia. Hoje eu tenho mais responsabilidades: mais ensaios, mais apresentações com o maestro, algumas entrevistas. Ficou mais puxado.


iG: Como fica a relação com os amigos com uma rotina mais rígida do que o normal?
Paula Eduarda: É muita disciplina, eu tenho horário pra tudo. Tenho hora para estudar, para brincar, para conversar com meus amigos. Tudo tem horário na minha casa. Eu e meus pais fizemos um acordo, tal hora é pra isso, tal hora é pra aquilo, então tudo é bem distribuído.
Lucas Faria: Alguns já conheciam o maestro e começaram a ficar mais amigos, começaram a se interessar mais por música, começaram a tocar violão, bateria.

iG: Qual foi o maior desafio que você já enfrentou?
Paula Eduarda: Foram muitos desafios, porque o canto lírico não é nada fácil, então eu sempre tenho apoio dos meus pais, dos meus amigos, dos meus fãs e isso pra mim é muito legal porque me incentiva a nunca desistir e a lutar pelo que quero.
Lucas Faria: O maior desafio foi quando eu toquei em Nova York, assim que eu pisei no palco vi como era difícil.


iG: Você já pensou em desistir?
Paula Eduarda: Nunca, eu nunca penso em desistir porque eu sei que se eu estudar, se eu batalhar, eu chego lá. Tudo que você quer, você pode conseguir se você estudar.
Lucas Faria: Desistir? Não, nunca.


iG: Qual o momento mais emocionante?
Paula Eduarda: Foi conhecer o João Carlos Martins, que é um ídolo aqui no Brasil, um ícone da música clássica. E ele ajuda muitas pessoas, isso eu admiro muito nele. A orquestra dele e ele são maravilhosos.
Lucas Faria: Foi quando eu me apresentei, com ele [o Maestro João Carlos Martins], no palco do Lincoln Center.

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