O Herói Comum

O Herói Comum

Atualizado: Segunda-feira, 8 Agosto de 2011 as 8:32

Nem tem sol ainda, o galo não cantou, mas já há uma caneca de agua fervendo no fogão. Nosso herói já acordou faz uns 15 minutos, e aproveita o tempo que toma banho pra água ir esquentando lá no fogo. Enquanto passa o café tem o olhar perdido pela escuridão da rua. Pão com manteiga. Escova de dente. Camiseta, camisa e blusão. Frio. Bate-se a porta. Pé na rua.

Mora longe do trabalho. Pega o ônibus. A viagem se passa em flashes, é cedo demais para conseguir a ver inteira. Ônibus cheio, em silêncio, respeito por mais um dia que se inicia. O Sol, enfim, resolve aparecer. Rádio Jovem Pan. FM 100,9. Músicas tocando, sem ele conhecer alguma.

Bate o cartão. Trabalho. Chefe. Trabalho. Chefe. Trabalho. Subordinado. Trabalho. Pausa. Trabalho. Alguma conversa. Integridade. Exemplos. Empenho, como nenhum outro. Apesar de cansativo ele gosta do que faz.

Hora do almoço. Marmita. Oração. Arroz, feijão, bife, ovo frito, saladinha, ovo frito, algo pra beber e ovo frito. Conversas. Piadas. Risadas. Ele gosta de seus colegas. Chamado de canto. "Ora por mim, eu sei que você é crente, to com uns problemas em casa, faz esse favor." Todos sabiam com quem podiam contar quando a coisa apertava.

A tarde caminha rapidamente até as 5. Depois disso acaba o mundo, mas não dá 6 horas. Cartão picotado. Ônibus. Uma soneca, se conseguir arranjar um banco. A rua de casa, que ele raramente a vê com luz do dia. 200 metros. Uma maratona.

Chave na porta. Pé dentro de casa, abraços em volta de seu pescoço, suas filhinhas. Um beijo, sua esposa. A recompensa pelo trabalho do dia: Banho, janta, jornal nacional, um tempo com sua família. Crianças na cama. Conversa com sua esposa, algumas contas para pagar, planos a fazer, sonhos, o presente com pé no chão, e o futuro nas mãos de Deus.

Sua mulher adormece. Ele enfim, estas a sós. É nesta hora, que nosso herói vai combater o mal. Enquanto todos dormem ele vai à luta. Entra no escritório. Porta fechada. Seu esconderijo. Na mão, a sua espada: A Bíblia. Coloca-se, pronto para lutar: de joelhos. Com os olhos fechados começa a batalha. É ali, que este homem comum, como tantos outros, se transforma. Algumas lágrimas escorrem as vezes. Ele intercede: família, amigos, colegas, igreja, problemas, lutas, dificuldades. Ele sabe a quem recorrer. Alguns ainda perguntam de onde vem tanta força, e ele sabe, que não é sua, mas vem do alto. E ali, naquele quartinho, todas as noites, lutas são travadas, vidas são salvas, casamentos restaurados, pessoas são curadas, histórias são transformadas, demônios são vencidos, o inimigo é derrotado. “Em nome de Jesus, AMEM”. Levanta-se, vai para cama, dormir. Em paz, pois ele sabe, que agora, aquele que vai lutar no seu lugar nunca perde uma briga, pois até a morte foi vencida por esse tal de Jesus Cristo em quem nosso herói comum confia.

Por: Calebe Paranhos

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