O Pródigo em mim II

O Pródigo em mim II

Atualizado: Quarta-feira, 27 Abril de 2011 as 8:42

"A vida aqui fora não é a que eu esperava". O arrependimento chegou proporcionalmente à perda do dinheiro. Enquanto o filho pródigo se divertia, gastava, consumia e comprava seu passageiro prazer, a vida era maravilhosa e os amigos podiam ser considerados como irmãos.

Mas acabou: O sonho de liberdade parou na catraca da realidade. O dinheiro deu espaço às dívidas e os amigos, aos porcos. Sim, porque, quando a fome veio, o fez sentir vontade de comer a refeição que os porcos que cuidava, comiam. Definitivamente, não era isso o que ele pensava antes de sair do aconchego e segurança da casa de seu pai.

Quando partimos, corremos riscos. Pode ser que aparentemente tudo esteja indo bem, nossos amigos parecem ser os melhores e mais unidos, que nunca nos dizem que estamos errados ou que devemos maneirar no que fazemos. Sem se preocupar com o futuro, vivendo intensamente o presente. Parece perfeito, não é? Só não é perfeito por um motivo: existe ainda assim um vazio gigantesco que parece maior quando deitamos a cabeça no travesseiro, sozinhos.

Certamente o pródigo lembrava-se de sua casa, de seu pai e irmão quando estava longe. Quero chamar sua atenção para duas coisas importantes... Não dá pra ser feliz de fato longe da presença do pai e principalmente que na casa dele os sentimentos são verdadeiros, mesmo que estejam em nebulosas.

A gente teima tanto em procurar felicidade longe dos caminhos do pai e acabamos sempre comendo o que é oferecido aos porcos. Por que isso? Ou talvez, pra quê? Se na Bíblia existem tantas promessas de uma vida com provações mais certezas de alegria, por que procuramos a felicidade num lugar onde é necessário abrir mão de sua própria segurança para alcançá-la?

Numa sociedade midiática, todo mundo parece ser tão feliz, tão satisfeito. Mas por dentro de cada um existe alguém clamando por ajuda ou por um preenchimento do vazio inexplicável.

E durante todos esses anos nessa indústria vital, ouvi várias pessoas em diversas situações culpando a igreja de tudo o que aconteceu de ruim em suas vidas. Decepções, angústias, fofocas, falta de conhecimento. Tudo isso tenta nos empurrar para fora, para longe dos braços paternos. É como o pródigo... Insatisfeitos, pensamos em alguém para culpar e vamos embora. Mas o sentimento de amor verdadeiro, de família, de paz e todos os outros, nós só encontramos na casa do pai, ainda que pareça impossível. A igreja é para que nos curemos de nossos problemas e ajudemos os que precisam de cura. Apenas enquanto estivermos por perto, estaremos a salvo.

Só percebemos que estamos longe quando temos fome. E hoje... Você tem fome de quê?

E com tanto pesar sob seus ombros por lembrar-se da casa do pai, da correria do dia-a-dia, dos funcionários que também eram seus amigos e dos braços acolhedores, decidiu voltar. Não foi fácil... Reconhecer que errou e voltar é dolorido. E foi tão difícil para ele que caminhou ensaiando o que falaria para o pai... Mas o que ele não esperava, é que seu pai estava sentado na janela, o esperando...

TO BE CONTINUED :)

Por Bruna Vichi, 18 anos - estudante de jornalismo

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