O segredo para encontrar um amor real

O segredo para encontrar um amor real

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 9:23

"Eu quero, mas não acho." Já perdi a conta de quantas mulheres me repetiram esse mantra! Minha experiência mostra que, quando a gente procura sem trégua e nunca acha alguém que valha a pena, tudo leva a crer que esse objeto de desejo seja uma miragem, uma ilusão. Em vez de fantasiar com Brad Pitt, melhor baixar a régua das expectativas, conforme os experts sugerem no livro que lanço este mês, Mulheres de Sucesso Querem Poder... Amar (Gente). Se encarar o homem atual com os pés fincados no chão, abrirá o leque de possibilidades na pirâmide dos relacionamentos.

No meu tempo de solteira, saía com uma amiga que decidia se ia paquerar ou não o sujeito conforme o sapato que ele usava. Reduzia as chances, concorda? Foi há 20 anos, mas não faz muito tempo li o texto de uma jornalista que desprezava homens de sapatênis. Isso é mesmo tão importante? Depois você dá de presente sapatos melhores ao seu eleito, ora.

Hoje, observo que os obstáculos para uma mulher achar sua cara-metade se tornaram bem mais refinados do que gostar ou não do sapatênis. Superar o principal deles, na minha opinião, exige uma guinada de 180 graus: precisamos desativar mentalmente aquele protótipo de companheiro ideal construído com a mãe e as amigas. Foi-se o tempo em que era preciso ligar-se a estereótipos de gênero, pois os dois sexos já alternam códigos e papéis com maior naturalidade. Farejadores de tendências do mundo todo cantam essa bola ao detectar que homens e mulheres se misturam mais, que não há a mesma diferenciação social de antes. Não quero dizer que são iguais. A genética nem permitiria. Mas que o horizonte está ficando mais unissex, ah, está.

Faz sentido se pensarmos que: 1. a sociedade atual, conduzida pelo trilho do consumo, nos trata como mercadorias iguais; 2. a ascensão profissional feminina obriga o homem a também participar das tarefas domésticas (e alguns já nem saem mais de casa); 3. a automação industrial dispensa a força bruta masculina e dá boas-vindas ao estilo multifacetado e detalhista feminino; 4. brasileiros(as) se acostumam ao termo presidenta; 5. nós vestimos colete e calça boyfriend; eles adotam calça justa, echarpe de grife e cores fortes; 6. ídolos teen esculpem o franjão com chapinha, enquanto garotas lutam boxe e batem um bolão nos gramados de futebol.

Portanto, se um homem interessante chegar atrasado a um encontro porque estava na sala do dermatologista ou cirurgião plástico, não deduza logo que é efeminado nem bata em retirada. Cuidar da aparência é questão de sobrevivência no mercado de trabalho, só para dizer o mínimo. Se convidar você para ir ao cinema e chorar um tiquinho, idem. Pode ser apenas do tipo que faz sucesso hoje, o fofo. Enquanto um espécime masculino convencional é reservado e teme sua independência, esse é bom papo, aplaude suas vitórias sem se sentir um zero à esquerda e lava louça sem quebrar suas taças de estimação.

Foi dormir na sua casa e usou seu creme? Também não é o bastante para tirar conclusões sobre a preferência sexual do sujeito. Como trazemos na memória muito do que ouvimos desde a infância, certos estigmas ficaram mesmo arraigados. Só que vivemos outros tempos: de diversidade, de flexibilidade, de parceria (não queremos mais um provedor, e sim um cuidador).

É um perigo para quem busca um relacionamento afetivo nos moldes modernos repetir o discurso retrô de que "homem faz isso, mulher faz aquilo; homem é assim, mulher é assado". Desculpe a franqueza, mas as exigências rígidas de como o outro deve ser ou agir são um convite a passar as próximas sextas-feiras vendo sozinha pinguins e golfinhos acasalando no Globo Repórter.

Na minha casa, meu marido detesta dirigir, eu domino o volante. E lá se vão 15 anos de motorista-chefe! Em compensação, até hoje eu não sei fazer café; ele prepara o melhor do mundo. E compra sonhos com recheio de creme para me agradar. Retribuo com beijos.

Infelizmente, é crescente o contingente de mulheres charmosas, inteligentes e guerreiras com dificuldades para encontrar um romance para chamar de seu. É um tal de junta-separa que anda levando as mais cautelosas a nem tentar. E agora? O desafio de cada uma é o de amar e ser amada por esse homem que está aí, mais perto do que imagina, também tentando "se achar".

E o que ele espera da parceira ideal? O psiquiatra Contardo Calligaris me deu a grande pista: que dê permissão para ele desejar coisas que ainda não desconfiava que desejasse, que autorize coisas que ele se proibia. Enfim, que o leve a querer ser um homem melhor. Pronta para esses novos desafios?

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