Pais e filhos trabalham juntos na criação de games

Pais e filhos trabalham juntos na criação de games

Atualizado: Quinta-feira, 11 Agosto de 2011 as 10:55

Geralmente, pais não gostam que os filhos passem muito tempo jogando videogame. Mas quando o jogo se torna trabalho, a brincadeira une os dois, permitindo desenvolver projetos e criar uma empresa de games. A maior dificuldade quando a dupla trabalha junto é separar a família do trabalho.

É o caso de Randy Herring e sua pequena produtora de games, a Asgard Studios, na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Ao lado do seu filho Raymond, de 22 anos, eles criaram o jogo "Wizard's Castle" para iPhone, versão lançada em junho, e iPad, versão que teve lançamento em maio. "Como eu trabalho o dia todo, trabalhamos durante algumas noites e nos finais de semana e, por isso, levamos um ano para concluir ao jogo", disse por telefone ao G1.

O game é um quebra-cabeças em que o jogador deve tocar em pequenos conjuntos de bolinhas da mesma cor para limpar o cenário. Quando a tela se enche das bolas coloridas, é game over. O designer de "Wizard's Castle" é Raymond, e o pai, o programador, tem que seguir algumas das determinações.

"O mais difícil é separar quando ele é o meu colega de trabalho e quando ele é o meu filho. Tem sido uma grande experiência para mim saber ouvi-lo e seguir o que ele quer no design do jogo".

Ordens do filho para o pai

Embora seja uma parceria, Herring não se importa de receber ordens do filho. "Ele conhece os jogos, sabe do que os jovens gostam, ele joga videogame há muitos anos. Ele me desafia quando pede algo que não consigo fazer. Mas, por outro lado, eu passo minha experiência de mais de 30 anos na área de programação".

Entre os novos projetos, Herring diz que está um game para as plataformas da Apple e um título educacional para crianças, que irá ensinar por meio do iPad. "Há alguns anos, quando meu filho disse que queria desenvolver jogos, avisei que seria um caminho difícil. Entretanto, as ferramentas disponíveis hoje permitem que equipes pequenas como a nossa possam criar jogos para diversas plataformas". Os projetos estão sem previsão de lançamento. "Lembre-se que trabalhamos nos finais de semana", disse.

Longe da programação de games, José Dion de Melo Teles, 72 anos, é diretor administrativo financeiro da Hoplon Infotainment, empresa sediada em Florianópolis, desenvolvedora do jogo on-line para diversos jogadores "Taikodom: Living Universe". Ele trabalha sob o guarda-chuva do CEO da empresa, Tarqüínio Teles, 40, seu filho.

'Insider tracking'

"Só consegui contratar ele para o cargo porque tenho um 'insider tracking' com ele gigantesco", brinca Tarqüínio. "Em sua carreira, meu pai já foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), deu aulas de doutorado na França e foi consultor de empresas. Ou seja, ela é superqualificado para a função".

Desde 2009 na companhia, Teles conta que é muito bom trabalhar com o pai. "Antes eu cuidava da administração da empresa, mas quando precisei cuidar mais do desenvolvimento e da publicação do 'Taikodom', tudo foi acumulando. Chegou ao ponto que a única pessoa em que eu podia pedir ajuda era o meu pai. Ele que me ensinou tudo, de ser um executivo, de vender, de organizar empresa".

O CEO da Hoplon diz que ele e o pai tomam muito cuidado para separar o que é trabalho e o que é família mas que, o clima de confiança ajuda. "Volta e meia tenho que ouvir um não dele como diretor administrativo", afirma. "No geral é muito bom por conta da confiança, da comunicação livre e por ter um amigo trabalhando do seu lado".

Por outro lado, ele afirma que o pai também aceita as determinações do presidente da empresa. "Quando é uma decisão hierárquica, ele sabe e acata. Ele tem muito respeito pela empresa que criei antes e preza essas conquistas". Mas quando Tarqüínio precisa pedir algo como filho durante o expediente de trabalho, há um pequeno truque usado para avisar o pai. "Quando sou filho, chamo pelo apelido".

Os filhos podem ajudar os pais com ideias para desenvolver os jogos. Foi o que aconteceu com Jonathan Hager, criador do estúdio independente Hager Apps, ao criar o game para iPhone "Berserk Elves". Tendo jogado games a vida toda e montando um estúdio independente há 3 anos, ele afirma que criou o título quando seu filho Preston, de 8 anos queria aprender como se faz um jogo. "Aprendemos fazendo um. Eu ajudo com a parte difícil", disse Hager para o menino.

Assim, passo a passo, começaram a criar o game que mostra como os duendes deixaram que preparar os presentes para o Natal e o jogador deve jogar bola de neve conta eles. "As ideias foram de Preston, que queria um jogo com visão em primeira pessoa em que pudesse atirar contra os inimigos. O conceito evoluiu para a história de que fantasmas roubaram todos os móveis do sótão. Entretanto, perdemos a data para lançar em outubro, no Halloween, então, mudamos os fantasmas para duendes para lançar o jogo no Natal", explica Hager.

Ele conta que, com as ideias do filho, que chegou a desenhar os esboços do jogo, foram feitos protótipos, foram escolhidas ferramentas, e foram feitos testes. "Preston tirou fotos para os cenários e desenhou os inimigos para o protótipo.Tinha que ficar divertido, caso contrário, não seria um jogo", afirma.

Em 12 semanas o game estava pronto para o lançamento. "Berserk Elves" é distribuído gratuitamente na App Store do iTunes. Outro game criado com ajuda dos filhos foi "Virtual Piggy Bank", que ajudou outro filho de Hager, Aiden, com 5 anos, a entender as moedas de dólar dos Estados Unidos. Ele mesmo "foi a voz" do aplicativo ao tocar nas moedas

"O mais legal de trabalhar com os meus filhos é que eles são os melhores para testar os games que desenvolvo. Eles sempre sugerem ótimas ideias e são muito criativos. Acredito que quando eles forem mais velhos, vejo eles se unindo para participar de competições de desenvolvimento de games", afirma o pai desenvolvedor.

Para os filhos, criar jogos com o pai também foi uma experiência divertida. "Não tem uma parte favorita, é só diversão", contou Preston. "O melhor foi fazer a voz usada no jogo ['Virtual Piggy Bank"]. Quero poder desenvolver jogos quando for mais velho", contou Aiden.

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