Paixão pelo videogame vira trabalho

Paixão pelo videogame vira trabalho

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 2:07

Seu filho passa horas no videogame e você briga com ele? Saiba que é possível transformar a paixão pelo jogo em trabalho e se tornar game designer. O mercado ainda é pequeno no País e formado, em sua maioria, por produtoras. Mas especialistas na área arriscam dizer que nos próximos cinco anos os estúdios de criação vão se estabilizar e abrir oportunidades para quem gosta de inovar.

Para estar preparado, é preciso fazer graduação na área. Porém, somente isso não basta. São necessários cursos de inteligência artificial, programação, modelagem 3D, além de conhecimentos em Matemática, Física e, claro, gosto por desenho.

Sérgio Dassie Genciauskas, 39 anos, foi o criador do primeiro curso de graduação em games no País, na Universidade Anhembi Morumbi, em 2003. Hoje, Sérgio é docente do curso de Jogos Digitais oferecido pela Universidade Metodista, além de ter pequena produtora em São Bernardo. "A primeira vez que vi um telejogo, ainda criança, me apaixonei e decidi que era aquilo que queria fazer da vida."

Genciauskas ingressou no mercado por meio da modelagem 3D, procedimento que dá vida aos personagens dos games. "É uma área carente de bons profissionais, que pode ser tendência para o futuro", opinou.

Mas não pense que você vai começar desenhando jogadores de futebol para o Winning Eleven. Fazer um grande game exige milhares de profissionais e anos de pesquisa e criação, o que demanda alto investimento por parte das empresas. Esse mercado está bastante consolidado nos Estados Unidos, mas no Brasil as principais oportunidades são para jogos de internet, celulares e promocionais, desenvolvidos para empresas que querem divulgar sua marca.

Paulo Luís Santos, 29, é game designer e gerente de produto de uma empresa especializada em jogos que podem ser baixados gratuitamente. Santos se formou em jornalismo, mas abandonou a área para fazer o que realmente gosta: trabalhar com games. "Para entrar no mercado fiz pós-graduação na área e tive de me esforçar para aprender programação, essencial para quem quer seguir na carreira."

A responsabilidade de Santos é cuidar dos jogadores e oferecer melhorias para o jogo, que devem ser comprados pelos usuários. É assim que a empresa ganha dinheiro. "Essa é uma realidade no País, e o mercado dessa área de games gratuitos é o que está mais estabilizado, portanto, oferece muitas vagas", destacou.

Profissional troca avião de caça por ciência da computação

O sonho de Dennis Kerr Coelho, 31, era ser piloto de caça. Ele chegou a prestar a prova para a força aérea, mas não foi aprovado. "Acabei voando direto para a área de games, outra paixão de criança."

Ainda menino, ele inventava jogos de tabuleiro para brincar com os amigos. Sempre teve olhar crítico em relação a suas invenções, de forma a tornar o jogo ainda mais divertido. Como na época em que fez a graduação não havia cursos de jogos, optou por ciências da computação. "Precisava aprender a programar para poder criar os games."

Ao terminar a faculdade, Coelho montou empresa focada em softwares para palmtops, mas seu gosto pelos games fez com que o negócio mudasse de foco e passasse a produzir jogos para celular. Ao lado de sua equipe, Coelho criou mais de 25 games para celular e dez para a web.

Na opinião do designer, a experiência conta muito para quem quer atuar na profissão. "O mais importante é jogar muito e participar ativamente de projetos de jogos, seja como desenhista, roteirista ou programador."

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