Para bancar estudos no exterior adolescentes barganham ajudas no orçamento da família

Adolescentes barganham ajudas no orçamento da família

Atualizado: Quarta-feira, 11 Abril de 2012 as 2:31

Quando Rodrigo Oliveira, 18, veio com a ideia de um intercâmbio para a Austrália, os pais já tinham uma resposta na ponta da língua: "Disseram que era caro demais e que o foco era o vestibular", explica ele, que na época tinha 17 anos e estava entrando no terceiro ano colegial.
Foi daí que surgiu a ideia de uma barganha: se Oliveira passasse na faculdade para o segundo semestre, então Seu Elias, 59, economizaria o dinheiro do cursinho e pagaria os seis meses de sol do filho na Austrália.
"Eu sabia quantos pontos precisava fazer para ficar na 'rabeira', então, era só controlar o número de acertos na prova", gaba-se o garoto, que conseguiu fazer a viagem.


Convença seus pais
Desde que alguns colegas foram experimentar um ano de "high-school" nos Estados Unidos, Aline Dias, 16, tenta convencer os pais de que o investimento compensa.
"Eles acham um gasto desnecessário porque não há segurança de que eu volte sabendo tudo de inglês."
Para a psicóloga Ana Paula Mallet Lima, da Unifesp, a dureza paterna nem sempre é financeira: "Há um impulso de castração por parte dos pais quando eles sentem que o filho está tendo acesso a coisas que eles não tiveram."
Na hora de lidar com a infantilidade dos próprios pais, a psicóloga recomenda paciência e argumentos racionais. "Lembre a eles alguma vivência no exterior pode te ajudar profissionalmente."
Mostrar que o desejo de estudar no exterior não é um capricho e que você está disposto a abrir mão de outros gastos também pode funcionar.
Foi assim que o estudante Ricardo Oliveira, 18, conseguiu passar um mês na Inglaterra, em dezembro passado.
Filho de funcionários públicos e irmão de quatro menores de idade, ele passou nove meses gestando sua viagem: "Trabalhei como digitador de textos, em casa mesmo, e fiz relógios de disco de vinil para vender", conta. Do valor total da aventura - cerca de R$ 12 mil -, ele juntou R$ 7.500.
"Quando comecei a juntar o dinheiro ninguém colocava fé no projeto e meus pais deixaram claro que não poderiam ajudar, mas quando cheguei aos R$ 5 mil minha mãe ficou orgulhosa", lembra.


Aperte o cinto
Para Marina Motta, gerente de intercâmbio do STB (Student Travel Bureau) , os programas que conciliam trabalho e estudo são ideais para quem está com pouco dinheiro. (ver dicas)
A ideia de Matheus Camargo, 15, é mais ousada do que esperar completar 18: ele pretende convencer os pais a transferi-lo para uma escola mais barata: "Em nove meses eu já conseguiria o dinheiro para o programa de um ano fora", conta.
Para o professor de finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas, Samy Dana, cortes de gasto devem sempre começar pelos supérfluos.
"Vejo meus alunos gastarem R$ 200, R$ 300 em uma festa. Alguns vão a essas festas toda semana. Só isso já seria um belo corte. Contas de celular, roupas caras, lanches fora, aulas de tênis, tudo isso custa bastante", defende.
Mudar de escola, no entanto, não é uma ideia a ser descartada: "Não é verdade que quanto mais cara a instituição mais qualidade ela tem. Pesquisar por opções mais em conta e com o mesmo nível educacional é interessante e o fato da proposta partir do filho deve ser valorizada", opina Dana.


Como domesticar seu dinheiro
Dicas de como economizar e, assim, ajudar no orçamento do intercâmbio
- Comprar títulos do Tesouro Direto é a melhor opção de investimento nesse caso. Esses títulos são seguros e rendem mais que a poupança ou que os fundos de renda fixa vendidos pelos bancos. É possível comprar títulos do Tesouro e resolver tudo pela internet.
- Para levantar a grana, comece cortando supérfluos, como baladas e roupas caras demais. Depois, avalie se é possível trocar o curso de idiomas ou a aula de natação por opções mais em conta.
- Se ainda não for suficiente, pense em trabalhos remunerados que poderia fazer. Por fim, passe o chapéu pela família e veja quem pode ajudar.

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