Paródias de músicas ajudam no estudo para Enem e vestibular

Paródias de músicas ajudam no estudo para Enem e vestibular

Atualizado: Segunda-feira, 17 Outubro de 2011 as 8:28

Outro recurso musical usado por vários professores e alunos de todo o país são as paródias de músicas famosas, que ganham versões acadêmicas para ajudar a assimilar o conteúdo da sala de aula. No Instituto Henfil, em São Paulo, o que era uma pacata aula de gramática pré-vestibular, por exemplo, acabou virando um show.

Ao tentar manter a atenção dos estudantes, o professor Maurício Araújo, de 28 anos, decidiu criar paródias de canções conhecidas usando as regras gramaticais. Chegou a ser tão bem sucedido que já conseguiu fazer 300 alunos cantarem sobre as características do sujeito ao som da música “Estoy enamorado”, da dupla argentina Donato e Estéfano, que teve versão em português interpretada pelo cantor Daniel.

"Quando se trabalha com gramática normativa é muito fácil perder a atenção do aluno", explica Maurício, que, além do “Sertanejo do sujeito” – seu hit mais recente –, criou músicas sobre crase, regência verbal e o polêmico " Rap dos pronome ".

Paródias

A música como auxílio ao aprendizado também é usada professores de ciências biológicas e exatas. Bruno Zeitone, de 28 anos, aplica o método desde 2007 nas aulas de biologia do Vestibular de A a Z e do Colégio Curso Kepler, no Rio de Janeiro. Músico amador, ele é membro de uma banda e hoje já tem 13 músicas sobre diferentes tópicos da matéria, que pretende gravar para uso dos alunos. Um dos destaques é a balada “ Bactéria não tem carioteca ”, uma paródia de "Como eu quero", da banda Kid Abelha.

Segundo Bruno, a ideia surgiu de uma professora de métodos paradidáticos que ele teve na faculdade. "Minha primeira experiência com isso foi uma música que fiz para um seminário da faculdade, o ‘Funk dos rotíferos’. A professora gostou, inscrevi a música em um concurso de métodos paradidáticos. Depois de uns dois anos falei ‘acho que vou tentar aplicar isso no pré-vestibular’”, diz.

No Ceará, o professor de química Idalmir Nunes, de 50 anos, é um veterano na arte de transformar aulas em shows, prática que aplica desde antes do ano 2000.

Vindo de uma família de músicos, Idalmir teve a ideia de compor uma música para ajudar os alunos a memorizar a nomenclatura dos ácidos depois de ouvir uma canção feita por outro professor.

"Fim uma parceria com um amigo, a música era dele e a letra era minha. Os alunos gostaram, mas não conheciam a música, então sugeriram usar uma música conhecida”, explicou o professor cearense, que decidiu então introduzir canções de Luiz Gonzaga como paródia. Surgiu assim " O Átomo de Carbono ", um forró baseado na famosa "A Feira de Caruaru".

Assim como os outros professores, a iniciativa foi bem aceita por Idalmir e ele chegou a gravar um CD com mais de dez canções em um estúdio. Ele vendeu as 200 cópias feitas e hoje reproduzir o CD gratuitamente.

Cereja do bolo

Todos os professores são unânimes em afirmar que a música não deve ser usada como método único, mas como complemento da aula. “No meu caso, a música sempre esteve integrada a um método de aula. É a cereja do bolo de todo o trabalho envolvido na gramática”, contou Maurício, do Henfil.

Idalmir explica que “a aula com música é um recurso pra ajudar, mas não dá para simplesmente estudar pela música”. Segundo ele, a música não substitui o professor na sala de aula com a dinâmica que ele tem com os alunos.

Mesmo sem estatísticas, o resultado eles comprovam na reação dos alunos. Todos afirmam que ouviram comentários dos alunos sobre como uma música os ajudou a acertar uma questão em prova ou não cometer erros gramaticais em uma redação.

"Já vi parte de trás de prova minha onde o aluno copiou a letra da música. Acontece, mas não é o objetivo, eu faço para poder dar uma quebrada nas aulas”, conta Bruno. Segundo ele, o impacto real é “puxar o aluno para dentro, chamar atenção dele em relação ao tópico, é muito mais eficiente que método decoreba".

Memória

Ocimar Munhoz Alavarse, professor de avaliação e política educacional Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a decoreba não é algo ruim, o importante é decidir o que é preciso memorizar. “Quem não decorou o alfabeto não vai aprender a ler. A decoreba virou uma expressão pejorativa, que remete às pessoas que decoram reza e não sabem o que essas coisas significam”, explica.

Para ele, algumas provas já fazem isso e, por exemplo, incluem a fórmula do cálculo no enunciado da questão. "A fórmula você não precisa saber, tem que saber usar a fórmula, esse é um aprendizado que você precisa ter decorado."

Ocimar alerta, porém, que muitos objetos de conhecimento são apreendidos na memória de curto prazo, em especial os assuntos que estudantes precisam aprender para o vestibular, e depois são descartados. "Há um ditado alemão que diz: ‘a nossa formação é tudo aquilo que fica depois que esquecemos tudo o que podia ser esquecido’", afirma o professor.

Mariana Rosas incorporou Lady Gaga em paródia feita na Bahia

YouTube

Os próprios alunos também tomam iniciativas e criam suas próprias paródias e, assim como muitos professores, acabam ganhando fama na internet. Um exemplo é o de um grupo de estudantes do terceiro ano do ensino médio de uma escola do interior da Bahia.

Veja ao lado reportagem do Jornal da Globo de 31/8 sobre o vídeo

Em agosto, ao buscar uma solução criativa para decorar fórmulas de geometria e calcular a área de um cone, eles pegaram o trabalho de escola proposto pelo professor de matemática e criaram um clipe paródia de “Telephone”, de Lady Gaga e Beyoncé.

O vídeo "Área do cone”, produzido durante três dias, já teve mais de 320 mil acessos no YouTube em pouco mais de um mês.

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