Paulo Maluf conta o que fazia quando tinha 18 anos

Paulo Maluf conta o que fazia quando tinha 18 anos

Atualizado: Quarta-feira, 27 Julho de 2011 as 9:38

Fui coroinha de dom Carlos Carmelo [cardeal-arcebispo de São Paulo] dos 10 aos 14 anos, todos os domingos. A missa era em latim. Aos 11, quis ser padre. Meus pais me convenceram a não ser.

Ser padre não era algo que ia satisfazer a família. Perdi meu pai aos 12. Fui educado para continuar os negócios.

Entrei na Escola Politécnica da USP com 18. No primeiro ano, disputei a diretoria e perdi para o Zarattini, que depois foi artista de televisão [o ator Carlos Zara]. No segundo ano, ganhei. Dirigi por quatro anos o grêmio da Poli.

O Mario Covas [governador de São Paulo morto em 2001] era uns dois anos mais velho, mas estava um ano atrás [na Poli]. Não sei se foi porque ele levou três bombas no vestibular ou porque teve alguma outra dificuldade na vida.

Mas ele nunca, internamente, se convenceu de que era pior do que eu. E não era! Ele tinha... Não vou dizer inveja. Era um pouco um olhar não condescendente porque eu ia para a Poli de carro importado. Fui de Jaguar conversível, Pontiac, Lincoln... Dos 800 alunos, não sei se existiam 20 com carro! Eu realmente tinha, mas foi porque meu pai trabalhou. E eu comecei a trabalhar com 14, na serraria da família.

Um colega, Jaime, me convidou para o Partido Comunista. Eu disse: "Nada contra a liberdade que você tenha de pensar, mas me dá a liberdade de pensar diferente".

Passados 30 anos, estou no Guarujá e vejo um bonito [Cadillac] Buick azul. Quem dentro? O Jaime! Perguntei: "Você aí a bordo desse Buick ainda é comunista?". Ele deu uma bruta risada.

Não gosto da palavra "rico", gosto de "independente financeiramente". Acho que todo mundo é igual. Todos almoçam, jantam e dormem. Até os 23 anos, quando casei, tinha mesada. Com esse dinheiro, eu tinha que comer na escola e pagar o cinema das namoradas. E, se fosse a uma noite numa balada, gastava metade da mesada. Das boates mais antigas você tinha a Oásis, na [rua] Sete de Abril com [avenida] Ipiranga.

Hoje, a pílula democratizou o sexo. No meu tempo de garoto, eram dois caminhos. Tinha a casa onde se ia com moças de família. Posso te garantir que 95% delas eram virgens. E os outros programas você fazia onde existia... Só posso garantir que não era bicha [risos]! Mas levava minhas coisas com discrição.

Minha mulher, a Sylvia, era vizinha. Morávamos na Arthur Prado, vizinhos de dom Carlos. Ele não aceitava fazer casamentos, mas aceitou fazer o meu, como eu queria, na Catedral Metropolitana [da Sé], no horário da oração do terço. Naquele dia, não teve terço. Eu e Sylvia ainda estamos juntos. "Mudar de marido é mudar de defeito", ela diz.  

veja também