'Prefiro 13 questões anuladas do que Enem todo', diz estudante

'Prefiro 13 questões anuladas do que Enem todo', diz estudante

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 9:31

Estudantes ouvidos pelo G1 temem que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja cancelado e eles tenham de refazê-lo. A Justiça Federal do Ceará cancelou 13 questões que foram antecipadas pelo Colégio Christus, em Fortaleza, em todo o país. A Advocacia Geral da União informou nesta terça-feira (1º) que a orientação do governo federal é de recorrer da decisão. A notícia divide a opinião dos estudantes.

“Entre cancelar a prova e anular as questões, eu prefiro anular as questões”, diz Rebeka Lapenda, de 18 anos, que faz pela segunda vez vestibular para medicina em Pernambuco.

Juliana Britto, de 18 anos, que tenta uma vaga para engenharia civil, concorda. “Essa questão prejudica todo mundo. Tem que cancelar os exercícios que vazaram, porque amigos dos alunos lá do Ceará podem ter tido acesso à apostila, às questões, então não é justo que só eles paguem por isso”, defende.

Já Helga de Alencar, de 22 anos, que passou no vestibular para fisioterapia, e tenta agora, pela quarta vez, uma vaga na graduação em medicina, defende a anulação da prova apenas para os alunos do colégio cearense. "Eu gostei da prova do Enem, não gostaria de ter que fazer outra", afirma, lembrando que preferia o vestibular da UFPE em duas fases. “Todo ano tem alguma confusão com o Enem, sempre acontece algo", afirma.

Rodrigo Brito, 19 anos, também candidato a uma vaga em medicina, concorda com Helga. “Sei que é complicado fazer uma prova nacional, mas tirar 13 questões é muita coisa, prejudica a gente. Eu acho que o pessoal da escola do Ceará deve fazer a prova de novo”, pondera.

"É uma questão delicada, sem dúvida, mas eu não acho que anular as questões para todo mundo seja justo", opina Luiz Felipe Libonato, 20 anos, que também tenta ser aprovado para o curso de medicina.

Medo da pontuação

Alunos de Minas Gerais ouvidos pelo G1 dizem que o momento é de apreensão e dúvida. As amigas Maria Cecília Reis e Natália Ribeiro, de 18 anos, ainda não sabem ao certo como a decisão vai repercutir na média que alcançaram.

Para Maria Cecília, a anulação de questões deveria valer apenas no Ceará, onde houve suspeita de vazamento. “Estudei o ano inteiro, deveria ter anulado apenas lá. Prejudica bastante quem está longe”, diz.  A estudante busca uma vaga em biomedicina em instituições federais. Apreensiva, disse que aguarda a possibilidade de recurso do MEC para saber que desfecho a prova vai ter neste ano. “O Enem é um prova de resistência física. As questões não são tão difíceis, mas são muitos grandes. Você tem que ser ágil para ler e raciocinar”, afirma.

“Querendo ou não tem que a anular para ser mais justo com todo mundo”, é o pensa Maria Cecília Reis. Ela quer cursar direito na Universidade Federal de Minas Gerais, que adotou o Enem, mas já tem planos de fazer vestibulares em duas universidades de São Paulo que não usam o exame. “Antes da anulação, achei que tive uma média legal. Mas agora, alguém que teve uma menor, pode me superar”. A preocupação dela é com o sistema de correção da prova, que considera a frequência de acertos e erros.

Queiroz fez o exame nacional pela primeira vez e disse que já esperava por problemas. Na opinião dele, supostas falhas no processo de segurança da prova desmotivam e tiram a credibilidade. “Todo mundo já sabia que ia vazar”, afirma o estudante que concorre a uma vaga de engenharia mecânica. “Estou inseguro, mesmo porque algumas faculdades atribuem pesos diferentes para casa matéria dependendo do curso.”

Mais organização

Para os estudantes do Curso Positivo, em Curitiba, a organização precisa melhorar - e muito – nos próximos anos.

Eduardo Claudino Barbosa e Eduardo Zardo pretendem cursar medicina. Os dois pensam que é um absurdo ainda existirem vazamentos e problemas na prova. “É inadmissível que até numa prova com 40 ‘pagininhas’ também existam falcatruas”, diz Barbosa. “Acredito que nunca vai dar certo, pois tem muita gente envolvida no processo”, avalia Zardo.

Gabriel Silveira, 16 anos, quer ser engenheiro civil. Ele não é contra a anulação das questões, “desde que deem os pontos para todos os candidatos”. As estudantes Letícia Thomé e Fernanda Torres também são favoráveis à decisão da Justiça. Mas, para Letícia, que quer estudar medicina, o resultado do Enem não é tão importante. A Federal não conta a nota do Enem”, diz.

Outro que quer estudar medicina é o estudante Cléber Bertel, 24 anos. Cléber diz que é favorável a fazer outra prova. “É uma prova bem cansativa, mas acho que assim é mais justo com todos os candidatos”, afirma.

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