Presente virtual x passado real

Presente virtual x passado real

Atualizado: Quarta-feira, 8 Maio de 2013 as 1:58

 

papel de cartaNa semana passada eu estava procurando umas fotos antigas, e sem querer encontrei uma pasta velha, meio empoeirada. Quando abri, tive a maior surpresa… ela continha a minha coleção de papéis de carta. Se você tem menos de 15 anos, provavelmente não deve estar entendendo o sentido de uma coleção dessas, pois já nasceu na era da internet, mas o fato é que os e-mails tão ágeis de hoje em dia não existiam alguns anos atrás… E muito menos as redes sociais. Aliás, quando eu era adolescente o termo “rede social” nem existia. A internet foi se popularizar quando eu já estava na faculdade e, mesmo nessa ocasião, o Facebook ainda estava muito longe de nascer. Não tem tanto tempo assim, mas em pouco mais de uma década, a internet mudou totalmente a comunicação do mundo inteiro.
 
A primeira vez que eu interagi com alguém no computador, em tempo real, foi através de um programa chamado Pow Wow, que era uma espécie de MSN primitivo. Mas para a época, aquilo era o máximo! Parecia mágica conversar com o meu primo que morava nos Estados Unidos e ele me responder instantaneamente. Depois do Pow Wow, apareceu o ICQ. E em seguida o MSN, que “morreu” oficialmente há poucas semanas. O Skype agora é o sistema de chat mais usado, e – ao contrário dos outros que falei – a conversa escrita deu lugar à visual, agora a moda é ver e isso também tem dominado outras áreas da internet, podemos comprovar pela quantidade de vídeos que são publicados no YouTube todos os dias.
 
Quem me dera se na época que eu fiz intercâmbio já tivesse tantas formas de se conversar virtualmente! Na ocasião eu só podia esperar por cartas. Daí a razão daquela coleção que eu fazia. Todos os dias, olhava na caixinha de correio, ansiosa para saber quem tinha me escrito naquele dia. Quando chegava alguma, eu corria para ler, e até chorava de saudade ao ver o nome de alguém da minha família, das minhas amigas, do menino que eu gostava… E então eu respondia no mesmo instante, no papel de carta mais bonito que encontrava, colocava no correio e ficava esperando, esperando, esperando, e então só umas duas semanas depois é que chegava a resposta. Imagina se o meu intercâmbio fosse hoje? Seria muito mais fácil.
 
Agora é como se o mundo tivesse encolhido. Tudo ficou mais rápido. A gente manda uma mensagem pelo celular e se a pessoa demora cinco minutos para responder, já achamos que demorou. Mas apesar da vida ter se ficado mais ágil, ela também se tornou menos romântica… Ficamos mais próximos das pessoas, mas paradoxalmente mais distantes.
 
Antes, para socializar, eu combinava com a minha rede de amigos de encontrar em algum lugar. Assistir a um filme. Tomar um sorvete. Ir ao shopping. Agora o shopping é o Facebook…
 
Talvez seja o momento de resgatarmos um pouco desse mundo “antigo”. Da mesma forma que a internet pode ser muito boa para estreitar as relações (sejam elas profissionais, amorosas ou de amizade), ela deixa tudo meio “frio”. Olhando de tão longe agora, sinto saudade daquela espera toda para receber uma carta, da familiaridade ao ver a letra do remetente, da sensação de saber que a pessoa tinha pegado naquele mesmo papel onde as minhas mãos agora estavam. Era mais romântico. E também mais real.
 
Seria ótimo se conseguíssemos esquecer um pouco a praticidade do presente para resgatar esse romantismo do passado. Ver mais paisagens ao vivo, em vez de pela tela. Escutar mais músicas ao vivo, em vez de pelo fone do iPod. Conversar mais com os amigos pessoalmente, em vez de pelos programas de bate-papo.
 
Acho difícil que esse retorno aconteça, já acostumamos com a agilidade dos dias de hoje, mas em todo caso, a minha coleção de papéis de carta vai continuar guardadinha aqui… Vai que a moda volta? Eu adoraria receber uma cartinha sua. Mas enquanto isso não acontece, que tal comentar aí embaixo? Afinal, o importante é não deixarmos que o ritmo cada vez mais agitado do dia a dia nos faça perder o contato com as pessoas. Seja no mundo virtual ou no real.
 
 
- Paula Pimenta
 
 

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