Projeto transforma adolescentes em deputados federais por uma semana

Projeto transforma adolescentes em deputados federais por uma semana

Atualizado: Segunda-feira, 5 Julho de 2010 as 11:13

Não é incomum ouvir que os jovens estão cada vez mais distantes da política. Mas, todo ano, a Câmara dos Deputados tenta derrubar essa máxima e aproximar os estudantes de Ensino Médio do trabalho legislativo, que é aquele exercido por senadores, deputados e vereadores. É o chamado Parlamento Jovem. Em sua sétima edição, o evento será realizado de 8 a 12 de novembro e tem como tema central "O Jovem e o Mercado de Trabalho".

O capixaba Leandro Ferreira, de 17 anos, era um desses garotos que odeiam política, mas sua opinião mudou radicalmente depois que foi escolhido deputado jovem em 2009. "O programa abriu meus horizontes, mudou meu modo de pensar", conta. "Era como se eu tivesse uma viseira, mas agora enxergo de todos os lados e vejo a política com outros olhos", explica.

O parlamento funciona assim: durante uma semana, os 78 estudantes de escolas públicas e particulares selecionados ficam em Brasília conhecendo o funcionamento do Congresso e atuando como se fossem deputados. Eles apresentam seus projetos de leis, debatem o documento entre eles em plenário e, por fim, o texto segue para aprovação – de verdade.

Leandro teve seu projeto apreciado e aprovado. Ele apresentou texto que propunha a substituição de copos descartáveis por canecas individuais em todas as repartições públicas do País. A ideia, então, tornou-se lei. As propostas entregues pelos estudantes devem estar relacionadas aos temas de agricultura e meio ambiente; saúde e segurança pública; economia, emprego e defesa do consumidor; educação, cultura, esporte e turismo.

A novidade deste ano é que a Câmara oferece curso à distância pela internet para que os jovens aprendam a elaborar o projeto de lei. Para os que forem selecionados, o Congresso custeia os gastos com hospedagem, alimentação e transporte.

Luís Carlos Gonçalves Junior, de 17 anos, conheceu o Parlamento Jovem por intermédio de amigos da escola, a ETEC Professor Basilides de Godoy, e quer seguir os passos de Leandro neste ano. "Penso em apresentar um projeto sobre inclusão digital para jovens de baixa renda", conta.

Os primeiros requisitos para atingir seu objetivo, o estudante já tem: cursar o último ano do Ensino Médio e ter entre 16 e 22 anos. Mas, para conseguir ser um dos escolhidos, Luís precisará ainda preencher uma ficha de inscrição, criar um projeto de lei e entregá-los em sua escola. Depois, a própria instituição de ensino encaminha a proposta para a Secretaria Estadual de Educação e os autores dos melhores projetos vão a Brasília.

"Espero ser escolhido para ver como é o ambiente e o que os deputados fazem durante o turno deles", explica Luís. "Pretendo conhecer bons políticos para, quem sabe, fazer parte do Congresso um dia", confidencia. "Vejo o Congresso como um ambiente desorganizado e com políticos despreparados". Ele acredita que seria uma ótima experiência passar uma semana em Brasília. "Quem sabe assim não mudo a imagem ruim que tenho atualmente", pondera.  

O criador do Parlamento Jovem, o deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), resume o programa como "um verdadeiro exercício de cidadania". Ele conta que o jovem deputado leva para casa a exata noção de democracia, algo totalmente diferente da imagem ruim que costumam ter. "Os participantes saem entusiasmados e muitos deles viram lideranças regionais e seguem a carreira política".

Lobbe Neto afirma que os jovens aprendem a fazer leis, debater e conhecem as dificuldades do trabalho legislativo. "Os projetos aprovados por eles são, muitas vezes, apadrinhados por nós deputados", explica. "Eu mesmo apoiei a proposta nascida no Parlamento Jovem que torna obrigatório exames oftalmológicos e audiométricos para alunos do ensino médio" conta.

Para o deputado, a ideia de que o jovem brasileiro não gosta de política é um grande erro. "Em viagens pelo mundo, vejo que temos uma juventude participativa, o que falta são canais de interlocução como o Parlamento Jovem", conclui.

Por: Emilio Franco Jr

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