Qual animal é você no relacionamento?

Qual animal é você no relacionamento?

Atualizado: Quarta-feira, 26 Outubro de 2011 as 2:29

Homens fiéis, infiéis, românticos, independentes, carentes, machistas, dominadores ou submissos. As personalidades do sexo masculino são diversas, podem surpreender, mas têm pouca originalidade. Por vezes, o comportamento do homem no casal, remete ao macho de determinada espécie de animal; assim como o da mulher ao da fêmea.

Todos eles podiam se inspirar no pinguim, ave que se relaciona com uma parceira por vez, durante uma estação ou pela vida toda. Mas, a realidade não é essa. De acordo com a professora titular do Instituto de Psicologia da USP, Isabel Cristina Gomes, é difícil precisar como age cada parceiro dentro de um relacionamento humano. "Com a conquista social feminina não existe mais um tipo padrão, não existem mais modelos de relacionamentos", disse ela.

"Tudo vai depender do parceiro", segundo Cristina. O homem pode ser romântico e entregar uma "pedra" à mulher como forma de cortejo e ela só aceitar a relação se não for comprometida, como os pinguins. Mas, a regra não é essa. De acordo com o etologista e fisiologista Gelson Genaro, a análise deve partir do princípio que o homem assume comportamentos distintos dependendo do meio em que vive."No Brasil existe a monogamia conjugal, já em locais do Oriente Médio, o homem pode ter diversas mulheres", exemplificou.

O relacionamento dos árabes e indianos, em que a poligamia prevalece, pode ser comparado à realidade do galo e das galinhas, em que existe apenas um macho para cuidar do território e acasalar com as fêmeas. Já no Uzbequistão são as mulheres que mantêm relacionamento sério com mais de um homem (poliandria), o que se assemelha, por conta da dominância feminina, ao relacionamento dos elefantes - as fêmeas só deixam o macho se aproximar quando estão no cio.

Para o etologista, no entanto, "os casais humanos têm muita proximidade com os de chipanzés, gorilas, bonobos e orangotangos". As atitudes de cada espécie de primata são diferentes: no caso dos gorilas, segundo ele, existe um macho alfa para copular com todas as fêmeas. No grupo de chipanzés, há mais de um macho que pode acasalar. "Os bonobos vivem em uma comunidade em que o sexo é liberado, não há conflitos entre os machos e todo mundo pode acasalar com todo mundo", disse Genaro. Já os orangotangos vivem sozinhos, acasalam quando encontram uma fêmea e voltam a ser solitários. Veja a seguir qual animal você é no amor.

Pinguim, o romântico

Os pinguins são conhecidos pela fidelidade. Quando eles estão em terra, o macho busca uma pedra e leva até uma fêmea como forma de cortejo. Se ela estiver "solteira", corresponde e os dois selam a união. "O macho ajuda a cuidar dos filhotes e algumas espécies são fiéis por um ano ou até mais", explicou Genaro.

De acordo com a psicóloga e bióloga Vanessa Kanaan, a maioria das espécies de pinguins é considerada monogâmica, isso quer dizer que o macho pareia com uma só fêmea durante a temporada de reprodução. "As chances de selecionar o mesmo parceiro sexual na temporada reprodutiva seguinte podem variar entre 60% e 90%, dependendo da espécie", disse ela.

Segundo Vanessa, a substituição de parceiros sexuais em temporadas consecutivas pode ocorrer pela ausência do macho da estação anterior na área de nidificação no momento de busca por um parceiro, entre outros motivos. "Normalmente é a fêmea quem seleciona o parceiro sexual baseado no ritual de corte e o disputa com outras fêmeas presentes no grupo", disse. O cuidado dos filhotes é dividido entre os pais.

Golfinho, o promíscuo

"Eles já não são fiéis, tanto os machos podem acasalar com várias fêmeas quanto elas com vários machos, numa mesma estação", descreveu Genaro. "É uma relação mais promíscua", completou.

Os golfinhos vivem em grupos, os machos do bando até as protegem, mas são elas que devem buscar o próprio alimento, aifirmou o etologista. Por vezes, segundo Genaro, um macho tenta evitar que outro tenha relações com a fêmea. O macho não ajuda no cuidado com os filhotes.

De acordo com a bióloga Joice Reche Pedroso, as fêmeas parecem estar receptivas sexualmente durante a maior parte do ano e geralmente são elas que iniciam a corte e o comportamento de acasalamento. "Alguns cientistas sugerem que os golfinhos, assim como os humanos, copulam por prazer e não apenas para fins de reprodução", explicou ela.

Leão, o machista

Enquanto o macho fica descansando junto ao bando, as leoas saem para caçar. "O leão não ajuda em nada, é a fêmea que caça e ele ainda toma a comida dela", afirmou Genaro. Segundo ele, se a leoa contrariar o leão, ela pode apanhar.

Segundo ele, existe um macho dominante no grupo que acasala com todas as fêmeas. Os demais, no máximo dois por grupo, só se relacionam com as leoas quando o dominante está ocupado. As leoas vivem praticamente a vida inteira no mesmo grupo, mas os filhotes machos são expulsos para procurarem um novo bando.

A cada dois anos, geralmente, o macho alfa é abatido por um novo leão que assume o grupo. Segundo Genaro, o novo rei "mata os filhotes das fêmeas para acelerar o processo de reprodução dela, para ela entrar no cio logo e eles acasalarem", explicou.

Galo, o garanhão

"O relacionamento entre galos e galinhas se resume a um macho para as fêmeas", de acordo com o etologista Gelson Genaro. Segundo ele, os machos cuidam apenas do território e acasalam com as fêmeas.

"O galo é dominante e não tolera outro macho em seu ambiente, se tiver um eles vão brigar até que um vença e assuma o controle". Eles não cuidam dos filhotes. Já a fêmea dedica a vida às crias.

Elefante, o submisso

As elefantas vivem em grupos de parentes, somente as fêmeas. Os machos dominantes ficam próximos a elas e os demais um pouco mais distantes, de acordo com o etologista. "Os machos não podem comer ou dormir no mesmo grupo que as fêmeas", segundo Genaro.

"Se um macho se aproximar da fêmea em um período fora do cio, ele é expulso", disse o especialista. As elefantas é que controlam a relação. Elas também são excelentes mães.

Aranha, o altruísta

Existe uma infinidade de espécies de aranhas, de acordo com Genaro, no entanto, algumas delas têm o costume de comer o macho após a copulação.

"Uma das teorias é que como dificilmente o macho vai acasalar com outra fêmea, porque não tem outra na região ou por outro motivo, se ele servir de alimento para a mãe, vai garantir que ela tenha boas condições de cuidar dos filhotes", explicou Genaro.

Vanessa e Joice afirmam que nem sempre a fêmea comete o canibalismo, pois por vezes os machos conseguem escapar ou a fêmea já está alimentada. O cuidado dos filhotes é, geralmente, feito pela mãe, segundo elas.

Leão-marinho, o casual

Os leões-marinhos passam boa parte da vida nos oceanos. Porém, segundo Genaro, quando eles estão em terra, formam um harém, em que um macho dominante acasala com todas as fêmeas do grupo. Os demais machos ficam no entorno, esperando que o dominante se afaste para eles conseguirem copular com alguma fêmea.

As fêmeas ficam no cio por algumas semanas, uma vez por ano, e é este o período quando o macho se relaciona com elas. Depois de nascer o filhote, elas voltam para a água e só acasalam no ano seguinte. "Vai cada um para o seu lado", concluiu Genaro.

Avestruz, o paizão

Diferente dos demais animais, o avestruz e ema machos é que cuidam da cria. "O macho prepara o local para os ovos, expulsa a fêmea e cuida dos filhotes", explicou Genaro. Segundo ele, como a ave não precisa de leite para sobreviver, não há a necessidade da presença da fêmea, que fica livre para acasalar com outros machos.

Genaro afirmou que os machos também tentam roubar os filhotes uns dos outros e cuidar deles. "Se o avestruz macho tem dez e pega mais dez, caso algum predador ataque, as chances de atingir um de seus flhotes cai pela metade", explicou o etologista.

João-de-barro, o companheiro

Segundo Vanessa e Joice, os casais formam pares que podem viver juntos por mais de uma temporada reprodutiva. "Eles dividem as responsabilidades relacionadas ao ninho", disse Vanessa.

As duas profissionais afirmaram que existem lendas envolvendo a espécie, dentre elas, a de que o macho tranca a fêmea adúltera no ninho, porém isso não ocorre, segundo elas.

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