Quanto vale falar o idioma da empresa

Quanto vale falar o idioma da empresa

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 10:24

Se você conhece bem um terceiro idioma, sempre terá um ponto a favor na seleção para uma vaga de emprego. Isso vale também para os programas de estágio e trainee, nos quais a fluência do inglês já passou a ser uma exigência comum e conhecer uma outra língua é um bom diferencial. Melhor ainda quando esse idioma for o mesmo falado na matriz da empresa. Embora poucos recrutamentos coloquem essa habilidade como um pré-requisito para selecionar universitários e recém formados, representantes de multinacionais admitem que o profissional que fala o idioma da sede da empresa muitas vezes aumenta seu prestígio e isso ajuda na sua carreira. Pode ser assim com o alemão em empresas como a farmacêutica Bayer e a montadora Volkswagen, o japonês na Toyota ou mandarim nas empresas que estão chegando ao Brasil. Não é uma exigência, mas ajuda. Algumas empresas, entretanto, fixam-se somente no inglês e não avaliam o conhecimento da língua nativa da companhia, como na filandesa Nokia ou na coreana Samsung.

Cargos executivos - A fluência do idioma da sede, na maioria das empresas internacionais, é exigida para quem ocupa cargos elevados. É assim na Audi, garante Miguel Garcia Lopez, diretor de recursos humanos da companhia que faz parte do Grupo Volkswagen. "O alemão é essencial para o trainee que pretende fazer uma carreira na empresa, mas a língua só é exigida durante os processos de seleção para cargos executivos, porque esses profissionais fazem contatos diários com a Alemanha", afirma. Também a francesa Ticket-Accor (Edenred), que opera convênio alimentação, valoriza o idioma natal para quem quer se desenvolver a carreira. Edna Bedani, gerente de desenvolvimento de recursos humanos da empresa afirma que, por seu uma multinacional, o inglês é exigência nos processos de seleção. "O francês não é pré-requisito, mas é um conhecimento que torna a carreira dos trainees mais promissora", garante.

Exigência difícil - Quem solicita que os candidatos a trainee e estágio conheçam a língua da empresa pode não encontrar candidatos para preencher todas as vagas. Na italiana Pirelli, quinta maior empresa de reposição de pneus do mundo, "o ideal é o candidato que saiba o inglês e o italiano", afirma a gerente de recursos humanos Antônia Magnusson. Ela diz no entanto que "devido à dificuldade para encontrar candidatos no mercado que saibam o italiano, a língua de referência da Pirelli é só o inglês".

Melhor conhecer a cultura - O vice-presidente da Samsung, Benjamin Sicsú, diz que poucos funcionários brasileiros sabem o coreano na empresa. "Apenas uns dois ou três que passaram uma temporada na Coreia falam bem o idioma", diz. Segundo ele o principal nesse caso é saber mais sobre a cultura daquele país e como isso influencia no dia a dia da empresa em qualquer lugar do mundo. Assim como nessa companhia coreana, o inglês é a língua oficial. É o caso da finlandesa Nokia, líder mundial em celulares. "Apesar de ter a matriz na Finlândia, a Nokia é uma empresa global que exige o inglês para facilitar a comunicação com os outros países", conta a gerente de recursos humanos da empresa, Marina Bortone.

Americanas sem o inglês - Diferente das outras empresas, a Wal-Mart, com matriz nos Estados Unidos, não exige o inglês nos processos de seleção para estágio. "Somente para os cargos muito específicos de diretoria, que tratam de assuntos corporativos com outros países do mundo", indica o vice-presidente de capital humano da empresa, Marcos Próspero.

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