Quase 4 milhões de jovens e crianças estão fora da escola

Quase 4 milhões de jovens e crianças estão fora da escola

Atualizado: Terça-feira, 7 Fevereiro de 2012 as 2:53

Levantamento feito pela ONG Todos pela Educação indica que o Brasil tem ainda 3.853.317 de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola. Com dados do censo de 2010, o estudo mostra que este número representa 8,5% da população nesta faixa etária. O maior problema se concentra na idade pré-escolar, de 4 e 5 anos, com 19,9% da população fora do sistema de ensino. E nas idades mais avançadas, de 15 aos 17 anos, esta taxa é de 16,7%.

Entre as regiões, o Sudeste detém os maiores números absolutos de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola, com mais de 1,2 milhão de indivíduos fora dos sistemas de ensino. Já o Centro-Oeste tem o menor total de indivíduos fora da escola com 325,9 mil.

Em termos proporcionais, no entanto, o Norte tem 12,2% da sua população de 4 a 17 anos ausente do sistema de ensino básico. Em seguida estão Sul (9,8%), Centro-Oeste (9,6%), Nordeste (7,8%) e Sudeste (7,3%).

As taxas de acesso à Pré-Escola permanecem em patamares muito mais baixos com 80,1% da população de 4 e 5 anos atendida. O Norte  tem a menor taxa de atendimento nesse nível de ensino, com 69% das crianças de 4 e 5 anos com acesso aos sistemas de ensino e mais de 201 mil fora da escola. Já o atendimento às crianças e jovens de 6 a 14 anos no país é de 96,7%. Entre os jovens de 15 a 17 anos, idade regular para o Ensino Médio, 83,3% frequentam a escola. O menor percentual de acesso, novamente, é do Norte (81,3%).

Problemas de aprendizado

O levantamento mostra ainda que em 56,1% dos municípios brasileiros, os alunos do 9º ano do ensino fundamental da rede pública de ensino (federal, estadual e municipal) não aprendem o conteúdo adequado para sua série na disciplina de matemática. O índice corresponde a 3.117 cidades, de um total de 5.557. A meta foi atingida por 41,8% dos municípios, e no restante (2,1%) não foi possível verificar o cumprimento da meta.

Na disciplina de português, o cenário é mais animador: em 81,9% dos municípios brasileiros, os alunos do 9º ano dominam o conteúdo indicado para sua série. Na contramão, 16% não cumpriram a meta.

No quinto ano do ensino fundamental, a situação se inverte e a maior deficiência dos alunos aparece em português. Segundo dados apresentados pelo Todos pela Educação, em 53,9% dos municípios os alunos da rede pública não dominam o conteúdo em português ideal esperado para a série que frequentam. A meta foi cumprida em 36,7% das cidades, e no restante (9,4%) não foi possível analisar a situação.

Na disciplina de matemática, em 68% dos municípios os estudantes dominam o conteúdo, enquanto a realidade é diferente em 21,7% das cidades.

Para chegar aos índices foram usados dados da Prova Brasil 2005, 2007 e 2009 fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O exame avalia somente as redes públicas de ensino (federal, estadual e municipal). Não há indicador para o 3º ano do ensino médio para os municípios.

Metas

O Todos Pela Educação elegeu 2022, ano em que se comemora o bicentenário da Independência do Brasil, como data limite para o cumprimento de cinco metas monitoradas a partir da coleta sistemática de dados e da análise de séries históricas dos indicadores educacionais. Elas servem como referência e incentivo para que a sociedade acompanhe e cobre a oferta de educação de qualidade para todos. São elas:

- Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola;
- Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos;
- Meta 3: Todo aluno com conhecimento adequado à sua série;
- Meta 4: Todo jovem com ensino médio concluído até os 19 anos,
- Meta 5: Investimento em educação ampliado e bem gerido.

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