Quem são e o que querem as mulheres de 20

Quem são e o que querem as mulheres de 20

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 11:24

Quando fala sobre suas prioridades, a publicitária paulistana Cléia Lourenço, de 24 anos, não hesita. Diz que o investimento na carreira e na educação é seu principal objetivo. Formada há um ano, ela trabalha desde 2008 em uma agência de publicidade, na qual gerencia uma pequena equipe. Sua jornada diária é de dez horas. O excesso de trabalho é o motivo pelo qual está adiando para o ano que vem a pós-graduação e o curso de idiomas. "Quero mais experiência e reconhecimento", afirma. Mesmo com tanta dedicação à carreira, a vida social da publicitária vai bem. Há um ano e meio sem namorado, ela diz que sai com amigos quase todos os dias e viaja nos fins de semana. O lazer consome 60% de sua renda. O resto ela gasta com a manutenção do carro e com roupas, mas ainda consegue guardar um pouco. Cléia mora com os pais, mas planeja morar sozinha no ano que vem. Quer ter mais liberdade. Quando o assunto são seus planos de longo prazo, porém, as expectativas são outras. "Daqui a uns cinco anos, penso em ter um relacionamento sério, casar e ter filhos", afirma. "Tudo certinho, como manda o figurino." Ela diz que depois de casar não pretende abrir mão da profissão, mas que vai trabalhar menos para se dedicar ao marido e aos filhos: "A ideia é trabalhar bastante agora para poder reduzir depois".

Cléia faz parte de uma geração privilegiada de mulheres brasileiras. Aos 20 e poucos anos, elas têm mais escolaridade, mais renda, mais planos, mais oportunidades, mais independência e muito mais liberdade do que suas mães e avós tiveram na mesma idade.

No entanto, mantêm os mesmos valores em relação à família e à vida conjugal, embora as datas tenham se alterado. O casamento tem de esperar pelo encaminhamento da carreira, mas, depois disso, deve ser feito nos moldes históricos. Os filhos podem vir depois dos 30 anos, mas sua chegada vai colocar a vida profissional em segundo plano. As mulheres de 20 brasileiras são conservadoras num mundo em processo acelerado de mudança. Essa é uma das principais conclusões de um levantamento feito pela Sophia Mind, empresa especializada em comportamento e tendências no universo feminino. A pedido de ÉPOCA, o instituto de pesquisas entrevistou 3.100 mulheres (55% solteiras, 45% casadas), com idade entre 18 e 29 anos, que têm acesso à internet banda larga, em todas as regiões do Brasil. As entrevistas foram feitas por questionário on-line, entre fevereiro e maio de 2010.

Por: Fernanda Colavitti

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