Rede social brasileira para universitários atrai usuários diariamente

Rede social brasileira para universitários atrai usuários diariamente

Atualizado: Sexta-feira, 4 Março de 2011 as 4:52

Ele não vai a reuniões de moletom e chinelos, nem foi processado por gêmeos milionários ressentidos. Mas o engenheiro mecatrônico Renato Freitas, de 27 anos, tem algo em comum com Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, interpretado por Jesse Eisenberg no cinema. Ainda na faculdade (não em Harvard, como o americano, mas na também renomada Universidade de São Paulo), ele criou o ebaH!, rede social para universitários que já conta com um milhão de usuários e ganha, segundo ele, mais três mil novos cadastros por dia.

O objetivo da rede é permitir aos estudantes compartilhar material dos cursos, para que esse material possa ser acessado por quem quiser. A ideia surgiu de uma necessidade de Renato. "Eu estava na faculdade e criei o ebaH! para deixar de depender das 'xerox' e gastar dinheiro com elas, e também para organizar melhor o conteúdo das aulas", conta.

Mas isso levanta uma questão sobre direitos autorais, assunto sempre ouvido nas lojinhas copiadores das faculdades. Será que, além de "ser" o Zuckerberg, Renato também seria outro personagem do filme "A Rede Social" – no caso, Sean Parker, criador do Napster, que arrumou encrencas legais por facilitar a pirataria de música? (Claro, aqui o problema seria facilitar a pirataria de textos protegidos pelos autores).

"Todo documento publicado tem um botão de denúncia, e os próprios usuários clicam quando o texto quebra direito autoral ou não é educacional", explica Renato. "O site contém mais textos e apostilas de professores, que liberam para o uso, além de trabalhos e exercícios resolvidos", completa.

Depois da criação, em 2006, Renato divulgou a rede na própria USP. Então, o boca a boca dos alunos e o Google fizeram o resto do serviço. "Não fomos às universidades para divulgar o ebaH!, mas temos planos de fazer isso", diz o fundador.

Hoje a rede social tem usuários em Portugal, Moçambique e outros países de língua portuguesa. "Não tenho uma meta de usuários, mas tenho planos de estabelecer o ebaH! em outros países que falam português", afirma o fundador, embora ainda não tenha nada concreto para realizar essa expansão.

Agora, ele até se sente meio Mark Zuckerberg. "Acho que o dia a dia tem um pouco a ver. Quando vi o filme me identifiquei bastante com o trabalho do personagem", conta Renato, que também é programador. "Você fica preocupado, faz planejamentos, pensa em maneiras de conseguir novos usuários...".

Segundo ele, o segredo do sucesso é oferecer conteúdo diferenciado. "As novas redes sociais têm que agregar o conteúdo que as grandes não conseguem", diz. "É um erro se preocupar em copiar muito as grandes redes, pois ninguém vai deixar de usar o Orkut para usar algo parecido".  

A fórmula está dando certo, e Renato acredita que o fato de a rede social ser toda em português também ajuda na disseminação entre os universitários. Os números do ebaH! ainda estão um pouco distantes da empresa de Mark Zuckerberg, mas vale lembrar que, no final do ano passado, a astróloga Susan Miller disse em uma entrevista que o próximo Facebook poderá ser brasileiro. Façam suas apostas.

Por: Nathália Ilovatte

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