Rejeição amorosa ativa mesma área cerebral de uma pessoa viciada

Rejeição amorosa ativa mesma área cerebral de uma pessoa viciada

Atualizado: Sexta-feira, 25 Novembro de 2011 as 2:11

Se você sofreu em algum momento da vida a tão temida rejeição amorosa, provavelmente seu cérebro teve mudanças fisiológicas importantes e marcantes. Afinal, se apaixonar, amar e deixar de amar são emoções complexas que começam quimicamente no nosso cérebro e depois passam, tempestuosamente, pelo nosso coração.

Para entender melhor como e por que a rejeição provoca tantas reações intensas, muitas das vezes absurdas e descabidas, uma pesquisa começa a esclarecer como o cérebro se comporta quando um amor não é correspondido e até rejeitado.

Ressonância magnética do cérebro rejeitado

Pesquisadores norte-americanos liderados pela antropóloga Helen Fisher realizaram exames de ressonância magnética no cérebro de 15 mulheres e homens heterossexuais que tinham sido rejeitados pelos seus parceiros recentemente, mas afirmavam que ainda sentiam um intenso amor por eles. A média de tempo desde a rejeição inicial era de 63 dias e todos os participantes tiveram alta pontuação num teste psicológico chamado "Escala do Amor Apaixonado", que determina a intensidade dos sentimentos românticos.

Um dado interessante, e quem já passou por isso sabe muito bem do que se trata, é que os participantes disseram que gastavam mais de 85% das horas do seu dia pensando na pessoa que os rejeitou. Além disso, a maioria aguardava ansiosamente pelo retorno do ex-companheiro, desejando estar junto dele novamente.

Durante o exame, cada participante olhava para a fotografia de seu ex-amado e depois alternava para completar exercícios de matemática simples. Esses exercícios tinham o intuito de distrair os participantes de seus pensamentos românticos. Logo em seguida os participantes olhavam a fotografia de uma pessoa familiar neutra, tal como um amigo, colega de trabalho ou de escola, voltando a resolver outros exercícios. Os estudiosos descobriram que olhar para as fotografias dos amados estimulava mais os participantes do que quando esses visualizavam pessoas neutras.

O que chamou a atenção dos estudiosos foi que as áreas cerebrais ativadas logo após a rejeição foram as mesmas de quando alguém se apaixona ou é viciada em cocaína, por exemplo. Isto quer dizer que quando o outro sinaliza que deixou de amar, o cérebro potencializa as áreas da paixão num estado parecido ao de uma abstinência por droga. Nesse momento a pessoa rejeitada se torna fissurada em tentar, obsessivamente, trazer de volta o ex-amado para perto dela.

É como se o cérebro quisesse manter ligado os circuitos que geram prazer e motivação o maior tempo possível, com intuito, aparentemente biológico, de unir fortemente o casal para a geração de filhotes.

Entretanto, há uma boa notícia. À medida que aumenta o número de dias desde a rejeição, a atividade dessas áreas tende a diminuir gradativamente e outras regiões cerebrais entram em cena. Esse é o momento em que o julgamento crítico e a avaliação racional se associam para entender as intenções do ex-amado. A razão começa a aparecer.

Assim, com o tempo, vamos aprendendo a digerir a perda do outro pela rejeição e trazer de volta a racionalidade para enxergar novamente outras possibilidades de relacionamento a nossa volta. Por isso, o sábio conselho das avós está certíssimo: ficar o mais distante possível do ex é meio caminho para esquecê-lo e substituí-lo por outro amor.

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