Reportagens sobre festas com adolescentes repercutem na Assembleia

Reportagens sobre festas com adolescentes repercutem na Assembleia

Atualizado: Quarta-feira, 4 Maio de 2011 as 8:13

As reportagens publicadas nas edições do domingo e de hoje do Diario, sobre a participação de adolescentes desacompanhados em festas de tecnobrega regadas a músicas que incitam à prática da sexo, foram temas de discussão no plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco na manhã de hoje. O deputado estadual Adalto Santos (PSB) se disse indignado com os relatos descritos nas matérias e alertou os colegas parlamentares sobre o assunto. O deputado destacou a importância do combate à exploração sexual no mês em que o assunto é destaque em todo o Brasil (18 de maio é o Dia Mundial de Combate à Exploração Sexual Infantil) e chamou a atenção das famílias pernambucanas para a responsabilidade de cuidar de seus adolescentes.

Segue abaixo o discurso do parlamentar:

Senhor presidente, senhoras deputadas, senhores deputados, jornalistas, demais presentes!

É com imenso pesar que venho hoje à tribuna desta casa para destacar um assunto que vem ganhando um triste destaque entre nossos jovens e adolescentes. Na edição do último domingo, dia 1º de maio, o Diário de Pernambuco trouxe um relato completo e deprimente de uma prática que vem conquistando meninos e meninas na nossa capital. O ritmo chamado de "tecnobrega" apela de forma vergonhosa e apelativa para o sexo entre adolescentes cada vez mais jovens.

De acordo com a reportagem, a letra das músicas incentiva o aliciamento de meninas "novinhas". É assim que são chamadas as garotas de até 17 anos. Maiores que isso, são consideradas "coroas". E o pior, o foco dos fãs dessas músicas, são crianças de 11 a 14 anos.

Muitos de nós costumamos pensar que esse é um assunto de periferia, de favelas, de comunidades carentes. Já seria terrível se fosse, mas não, meus amigos! Esse ritmo tem animado festas em casas de shows e boates de classe média, em matinês, quando muitos pais levam seus filhos para se divertir em festas que, julgam eles, serem inocentes. Me impressionei ao ler, na reportagem, o depoimento de um menino de 16 anos: "A gente só não pega menina de 7 a 10 anos. O resto pode". E pior: a matéria também flagra adolescentes fazendo sexo diante de todos, sem nenhum pudor.

Aonde vamos parar? Será que estamos vendo se repetir aqui as cenas vergonhosas dos bailes funk do Rio de Janeiro? Foi investigando a exploração sexual de menores em festas como essas que o jornalista Tim Lopes foi morto, em 2002, num crime covarde que chocou todo o país.  

Esse assunto me preocupa grandemente, principalmente neste período. Maio é considerado, em todo o mundo, o mês de combate à exploração sexual infantil. Governos e organizações não governamentais se unem para discutir e por em prática ações de combate à exploração de nossas crianças e adolescentes. Mas, essa é também uma responsabilidade da família! Uma família bem estruturada, comprometida em crescer junta, unida, não permite que seus filhos se envolvam nessas práticas e se percam tão jovens.

A família, senhores, é o melhor caminho para construir uma sociedade mais consistente, sadia. É por isso, que, em toda minha atuação aqui nesta casa, vou sempre lutar e defender os interesses da família!

Adalto Santos,

deputado estadual (PSB)

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