Sexting: "Indícios de imaturidade emocional e sexual", diz psicólogo

Sexting: "Indícios de imaturidade emocional e sexual", diz psicólogo

Atualizado: Quarta-feira, 4 Maio de 2011 as 3

O fenômeno que vem se destacando ao ganhar cada vez mais relatos preocupa famílias.

Adolescentes que aderem à prática de produzir e divulgar arquivos de conteúdo erótico e sensual de si próprio podem se tornar alvos de redes criminosas de pornografia infantil e até mesmo de pedofilia.

Em entrevista ao GUIA-ME , o psicólogo Gilberto Fernandes Coelho, que também é pastor, respondeu a algumas perguntas para buscar explicar o que leva os adolescentes a correr o risco de ter suas fotos e vídeos com conteúdo erótico espalhados pela internet. Confira.

GUIA-ME: A que você atribui o desejo dos adolescentes em se expor na rede com a prática do Sexting?

Gilberto Coelho: A autoexposição ou exibicionismo é comportamento próprio de adolescente em processo de formação e de autoafirmação, com vistas a chamar atenção para si, o que revela indícios de imaturidade emocional. Agora, quando esse exibicionismo se volta para a exposição do corpo ou da sexualidade, além de imaturidade emocional, há indícios de imaturidade sexual. Já no caso de adultos, podemos pensar na existência de algum desvio nessa área, com grande possibilidade de má formação ou deformação de traços de sua sexualidade.

Outros fatores contribuem e oferecem combustível motivacional para esse tipo de comportamento nos adolescentes, como por exemplo: a forma como as pessoas vêm lidando com o corpo; ora como objeto de desejo, ora idolatrando-o, ora como mercadoria, ora como algo valioso e precioso, ora como algo descartável e banal. A mídia se serve do corpo, especialmente da mulher "quanto menos roupa melhor", com vistas a atrair a atenção principalmente dos homens para a venda dos mais variados produtos. A permissividade desse nosso tempo pós-moderno e a falta de discrição e de recato em expor o corpo, por parte de algumas celebridades, tem sido fator estimulante para esse comportamento, também.

GUIA-ME: Acredita que esse comportamento seja fruto de má instrução por parte dos pais?

GC: A questão me parece conjuntural, ou seja, é decorrente de uma série de fatores como acabamos de pontuar. Atribuir culpa ou até mesmo transferi-la exclusivamente aos pais, penso que não seria justo, nem coerente. Por outro lado, não podemos fechar os olhos para o fato de que há pais cuja própria sexualidade, sofreu processo de má formação repercutindo negativamente no desenvolvimento sexual dos filhos. Observe, que nesses casos não é somente os filhos que precisam de ajuda, mas toda a família. Outros pais, ainda que tenham tido boa orientação na constituição de sua sexualidade, mostram-se negligentes quanto a orientação dos filhos. Na prática, tal negligência está presente na falta de limites ao comportamento dos filhos, seja no comer, seja no vestir, seja no respeito para com os outros, seja na falta de critérios para ver programas de TV, seja igualmente na falta de critérios para uso da internet. Por fim, a falta de diálogo franco com os filhos nessa área tem sido fator preponderante quanto a fragilidade de seu senso autocrítico e da falta de critério mais seletivo para o seu comportamento.

'A permissividade desse nosso tempo pós-moderno tem sido fator estimulante para esse comportamento'

GUIA-ME: Que providências devem ser tomadas de imediato para que os adolescentes tenham consciência do risco do Sexting?

GC: Em que pese o conceito aceito como oficial de que a identidade sexual seja definida com base na opção pessoal de cada um, durante o processo de formação, o papel da família é de fundamental importância para a construção saudável dessa identidade, de modo que a pessoa aceite a si própria, desenvolvendo uma autoimagem positiva. Em função desse conceito aberto, muitos correm sérios riscos de se perder no universo da sexualidade, ficando em estado de confusão física e emocional, do tipo: Quem sou eu? - Seria eu, homem, mulher, algo ou alguém indefinido? Esse proposto questionamento indica a instalação de uma crise de identidade, forte e suficientemente capaz de consumir o ser humano que a experimenta.

Para nós, evangélicos, cujas vidas são norteadas pelos ensinos da Bíblia Sagrada - a Palavra de Deus, a sexualidade não é questão de opção pessoal, mas uma importante área e atividade do corpo humano, claramente definida por Deus ao criar o homem e a mulher. Assim diz a Bíblia: porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea (homem e mulher) (Mc 10.6) . (grifo nosso)

O adolescente, por estar vivendo um período de formação, com repercussão para toda a vida, precisa de boas referências. A melhor delas, seguramente, deve ser seus pais. Para isso, devem valer-se da própria experiência de vida pessoal, do conhecimento e do acompanhamento de todos os aspectos da atualidade, especialmente do comportamento dos adolescentes de um modo geral, no sentido de alertá-los quanto aos perigos da autoexposição principalmente através da internet, cujos textos e imagens, passam de certa forma, ao domínio público. Conversar com os filhos sobre a necessidade de filtrarem informações, estímulos e propostas que sejam nocivas à sua pessoa e à sua integridade física, emocional e espiritual.

Cuidado redobrado quanto ao acesso às salas de bate papo, justamente porque o anonimato favorece extremamente conversas de cunho privado e que tem sido armadilha mortal, tanto para adolescentes, quanto para adultos, por incrível que pareça.

Os adolescentes devem ser alertados claramente sobre "pedofilia" e o aumento assustador desses casos, via internet. Não podemos deixá-los serem presas fáceis de pessoas que sofrem dessa patologia ( doença ). Os pais precisam estar atentos às amizades dos filhos, ensinando-os a serem seletivos quanto a isso, escolhendo as amizades ao invés de serem escolhidos. É valioso salientar que filhos precisam se sentir amados e valorizados por seus pais. A prática do afeto, em casa, entre pais e filhos é remédio imunizador contra muitas infelicidades.

Por Juliana Simioni

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