The Sims Social é a nova 'fazendinha' do Facebook

The Sims Social é a nova 'fazendinha' do Facebook

Atualizado: Segunda-feira, 5 Setembro de 2011 as 11:08

A franquia The Sims, lançada para PCs pela Electronic Arts em 2000, acaba de ganhar versão para Facebook e já se apresenta como grande rival do FarmVille, da Zynga, rei da rede social. The Sims Social, como foi batizada a primeira versão on-line da série, acumula mais de 13 milhões de jogadores ativos no mês, enquanto o título que deu fama à Zynga, lançado em 2009, segue com 33 milhões.

O lançamento oficial do The Sims Social em cinco idiomas (inglês, francês, alemão, espanhol e italiano) aconteceu no último dia 23, após ser anunciado na Gamescom, feira de jogos que acontece anualmente na cidade de Colônia, na Alemanha. A versão beta havia sido disponibilizada pouco antes. A média diária de jogadores, afirma Tom Sarris, diretor de comunicações da Playfish, parceira da EA no projeto, é de 9 milhões de pessoas.

A mecânica do jogo é simples e agrada jogadores casuais. Para começar, basta criar um avatar. O objetivo do jogador é tornar-se popular e fazer amigos, interagir com eles e também melhorar sua moradia virtual. O simulador incentiva o jogador a reproduzir no universo digital as mesmas convenções sociais da vida real. Não é de bom tom descuidar da higiene, tampouco brigar com o namorado. É preciso trabalhar para conseguir dinheiro e também ficar atento com a aparência.

A decisão de levar uma marca já consolidada para o Facebook é um grande passo para uma empresa tradicional do setor de games como a Electronic Arts. Atualmente, a série The Sims é a terceira franquia mais vendida da história, com 140 milhões de unidades comercializadas nos últimos 11 anos em todo mundo. Mario e Pokémon aparecem em primeiro e segundo lugar, respectivamente.

Segundo Bernardo Manfredini, analista de mercado e consultor da Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro), essa é uma iniciativa estratégica, especialmente porque a EA sempre dominou o modelo de negócio off-line. "Já testemunhamos essa adaptação no setor da música e agora estamos vendo isso acontecer na indústria de games", diz. O analista chama ainda a atenção para a necessidade das companhias aumentarem sua distribuição na internet. "As empresas buscam audiência e as redes são grandes agregadoras. A grande diferença entre EA e Zynga neste momento é que uma delas possui grandes marcas para explorar no Facebook e a outra ainda está tentando criar as suas."

Cinco trunfos do The Sims Social na batalha contra o FarmVille

The Sims   surgiu em 2000 na forma de um jogo para PC. Logo virou febre entre adolescentes. Desde então, a franquia cresceu e entrou para o ranking de séries mais vendidas da história, atrás somente de Mario   e  Pokémon . São mais de 140 milhões de cópias. É essa comunidade de fãs que deverá impulsionar sua nova versão dentro da rede social.

Ao contrário do que acontece em   FarmVille , o usuário do   The Sims Social   não precisa esperar horas para colher algum fruto cultivado e, só então, acumular pontos. A interação com o ambiente é contínua, o que permite executar uma série de ações simultaneamente. O avatar pode, por exemplo, dançar, assistir à TV, ligar para os amigos ou navegar na internet enquanto aguarda o crescimento dos vegetais plantados em sua horta. O universo do game também é mais rico em detalhes, o que ajuda a entreter o jogador por períodos mais longos.

Desde que a franquia   The Sims   foi lançada, em 2000, os jogadores clamam por uma versão on-line do jogo. A Electronic Arts prometeu várias vezes que incluiria em suas atualizações modos multiplayer, mas a ideia nunca saiu do papel. Agora, finalmente, os avatares podem interagir com representantes de outros jogadores. Ao contrário de   FarmVille , onde a "conversa" acontece por meio da troca de itens ou cooperação mútua, em   The Sims Social , o tête-à-tête é on-line.

Para que mexer em time que está ganhando? Foi para conquistar os jogares de   FarmVille   que a Electronic Arts incluiu em   The Sims Social   elementos que já fazem sucesso nos jogos sociais. A mecânica de plantar vegetais e esperar que eles cresçam é o exemplo mais claro disso. A grande diferença, contudo, é que o foco da nova atração do Facebook não está nesse processo: seu objetivo é estimular o jogador interagir o máximo possível com seus contatos na rede.

Personalizar avatares sempre foi uma das partes mais divertidas do   The Sims . A partir de uma ferramenta de edição, o jogador pode mudar cor do cabelo, formato do nariz, maquiagem, roupas e até acessórios de seu personagem. A versão social da franquia também permite essa customização, fazendo com que os avatares assumam características muito particulares. É um convite para que usuários gastem horas alterando a aparência seus representantes virtuais.

Os fãs do simulador sempre sinalizaram o desejo de ganhar uma versão on-line na qual pudessem interagir com avatares de seus amigos, mas nunca um modo multiplayer foi inserido na franquia. Foi preciso que uma companhia nova, como a Zynga, fizesse sucesso no Facebook para que a EA abrisse os olhos para o promissor setor dos jogos sociais. E mais. A empresa de Mark Pincus não só criou um gênero, como também passou a Electronic Arts em valor de mercado (são cerca de 11 bilhões de dólares contra 7 bilhões) – prova de que as companhias tradicionais ainda têm muito a aprender na internet.

Mas o sucesso de The Sims Social não ocorre à toa. Roger Tavares, Phd em games da Universidade do Estado da Bahia, explica que a repercussão do título na rede é uma resposta à fama consolidada do jogo em outras plataformas. "Se a EA criasse uma versão do Sims para o rádio, teria audiência", diz o professor. O rápido crescimento da base de usuários também é uma resposta à análise que a multinacional fez nos últimos anos do próprio Facebook como um lugar favorável para os games. "A Electronic Arts aprendeu muito com os erros da Zynga. Embora não tenha corrigido todos, muitos deles não foram repetidos no The Sims Social."

Jonathan Harris, gerente de marketing da EA no Brasil, reforça a tese de Manfredini e afirma que a estratégia da companhia é expandir mercado na internet. "Nosso objetivo é oferecer ao consumidor uma experiência de jogo no Facebook, no celular, no PC ou no console", diz. Mas essas não são as únicas intenções de uma companhia ao estrear em uma rede social. Harris reconhece que a mídia espontânea, consequência de uma exposição em massa, é vantajosa para a empresa, que busca se consolidar também em uma área onde ainda tem pouco domínio.

Segundo o site Inside Social Games, o The Sims Social é o jogo que mais cresce no Facebook. O FarmVille, por sua vez, registra as maiores taxas de evasão dias após o cadastro do usuário. O grande desafio da Electronic Arts é, portanto, não só chamar a atenção de fãs da franquia e de novos adeptos, como também mantê-los conectados ao seu produto. Se seguirem a estratégia das constantes atualizações, como ocorre no PC, certamente estarão no caminho correto.

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