Tiago Leifert e Jovem Nerd discutem redes sociais em fórum jovem

Tiago Leifert e Jovem Nerd discutem redes sociais em fórum jovem

Atualizado: Quarta-feira, 25 Agosto de 2010 as 9:22

Você conta as novidades da sua vida, reencontra amigos, recebe resposta de fabricantes de produtos que usa, participa de promoções e até ganha  para postar sua opinião a respeito. As redes sociais promoveram mudanças no modo de se relacionar com amigos, empresas, professores e desconhecidos. Tudo o que é dito de um jeito inocente, "pensando alto" em 140 caracteres, pode ser lido pelo mundo todo e tomar proporções inimagináveis. Afinal, o que está acontecendo com a comunicação e como se comportar diante dessas mudanças?

Não há respostas prontas para questões sobre como lidar com determinadas situações nas redes sociais, mas debatê-las e entendê-las foi o objetivo de um dos painéis do 1º Fórum Municipal da Juventude de Santos, realizado nos dias 17, 18 e 21 de agosto. O bate-papo, intitulado "A comunicação nas redes sociais/ Novas tecnologias", teve a participação de Alexandre Ottoni, o Alottoni, e Deive Pazos, o Azaghal, do site Jovem Nerd, e do apresentador e editor-chefe do Globo Esporte Tiago Leifert, que fez jus ao tema do painel, usando o Skype para interagir e responder perguntas da plateia. Uma lesão no joelho, ocasionada por uma falta em uma partida de futebol, impossibilitou Tiago de ir a Santos, mas com boa vontade e boa conexão, o jornalista opinou sobre os temas propostos e dividiu experiências. Além deles, também estavam no painel Christian Godoi, autor do livro "Os Sentidos da Violência", e Diego Fávero e Jovanka Mariana, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) como mediadores.

Quanto vale um tweet?

Já na hora de se apresentar, Tiago desmitificou o poder de um buzz no Twitter. "Para quem trabalha na TV, as redes sociais são muito importantes, porque possibilitam o contato direto com seu público, de um jeito que você não teria nem saindo na rua", afirmou. "Só que o problema para quem trabalha na televisão é que o feedback das redes sociais, estatisticamente, não é relevante, porque pouca gente no Brasil tem acesso à internet. Se não me engano, só 4% dos brasileiros tem conexão banda larga". Prova de que uma vaga nos Trending Topics não tem tanto peso quanto possa parecer é o #diasemglobo. "A hashtag ficou no Twitter por muito tempo e, mesmo assim, aquele foi o dia de maior audiência da Globo. Não funcionou para nada", disse Tiago. "Aquele público que estava lá pregando o Dia sem Globo é uma parcela muito pequena perto daquela que assiste a Globo em dia de Copa do Mundo".

Então, por que ele, Luciano Huck, William Bonner e outros jornalistas e apresentadores de TV são tão ativos no microblog? "Isso não é mais do que nossa obrigação: conversar com todo mundo e entender as necessidades de todo mundo", explicou Leifert.

Queimando o filme

Mas, se não ajuda a aumentar a audiência da Rede Globo, o Twitter pode, pelo menos, denegrir a imagem de uma pessoa ou empresa. Alottoni, do Jovem Nerd, contou que o único funcionário do site é cobrado por sua postura na rede social. "Eu tenho uma empresa pequena com um só funcionário, que começou a se comportar no Twitter de uma maneira que não condizia com o que a gente esperava dele. A gente deu a mesma recomendação que a Rede Globo passa para os funcionários: a de que eles estão representando a empresa e que não cabe brigar e xingar outras pessoas. Pega mal".

Tiago Leifert machucou o joelho, mas participou do painel pelo Skype

Portanto, mesmo que você não seja funcionário da Rede Globo, do Jovem Nerd, ou de qualquer outra empresa, cuidado com o que posta por aí. "A internet não é uma coisa nova, é simplesmente uma lente de aumento. Ela exponencia tudo. Uma menina que publica uma foto sensual no Orkut está fazendo a mesma coisa que pregar sua foto em todos os postes da cidade. Do mundo, aliás. Qualquer maluco pode ir lá olhar", alertou Alottoni.

Trolls, todo mundo tem

Ok, você sabe que não é só porque a sua identidade está escondida atrás de um monitor que você pode sair falando e fazendo o que bem entende. Mas tem gente que não tem essa noção e usa a internet para dissipar toda a mágoa acumulada ao longo da vida, xingando, difamando, expondo ao ridículo... Esses indivíduos nada aprazíveis são os trolls. E até as pessoas mais legais da internet (e principalmente elas) têm que aturá-los. "Eu sou uma pessoa exatamente como vocês. Eu estou no meu quarto, comendo um chocolate, minha mãe já entrou aqui duas vezes pra me cornetar... Só que eu estou exposto. E aí eu entro lá no meu Twitter e tem cem pessoas me elogiando, mas eu encontro um ou outro troll falando que eu sou ruim", contou Tiago Leifert. "Por mais resiliente que você seja e mais tranquila que seja a sua cabeça, uma dessas críticas vai derrubar".

Azaghal confirmou que, não importa o quão seguro você esteja de que o seu blog ou o seu Twitter são bacanas, uma hora ou outra vai aparecer uma crítica que abala. "No Natal de 2007, se não me engano, a gente recebeu um e-mail gigantesco com um monte de críticas e bateu pesado, sabe?". A solução para as ofensas, segundo eles, é não prolongar o assunto. "A gente conversou sobre o e-mail e uma coisa que eu descobri sobre esse tipo de trollagem que nos afeta é que escrever uma resposta bem escrita, com tudo o que você quer dizer, e depois apagar, tira de você tudo aquilo que quer dizer, mas não dá combustível para o troll", recomendou. "Porque o troll só espeta porque quer que você responda. Se você não responde, ele morre". Tiago ainda vê o lado positivo de ter que lidar com esse tipo de gente. "É um treinamento diário para aprender a filtrar o que é uma crítica boa e uma crítica que está lá para encher o saco. É um exercício difícil, que requer tempo e paciência".

Oi?

A comunicação na internet é instantânea e há uma busca pelo imediatismo na troca de informações. Por isso, muita gente se acostuma a mandar scraps, e-mails e direct messages abreviando palavras, tanto para concluir o texto mais rápido quanto para não exceder o limite de caracteres. Se, mesmo com algumas palavras reduzidas, o texto ficar compreensível, tudo bem. Mas não dá para escrever desse jeito em todos os lugares e nem para abusar da liberdade da internet usando um dialeto que só você conhece, derivado do português, mas que está longe de sê-lo. "Português é um problema da atualidade. Teve um e-mail que a gente recebeu na loja que os quatro sócios se reuniram em torno da tela para decifrar o que o cliente queria dizer. Não tinha pontuação, acentuação e nem sentido!", lamentou Alottoni, que ainda questionou certos hábitos da linguagem de internet. "Eu não entendo por que as pessoas escrevem "naum" em vez de "não". Dá mais trabalho, são quatro letras! É só para não botar o acento?", riu. E Tiago concordou. "Eu recebo e-mails na Globo que também não consigo decifrar, e aí vai para o lixo. É uma comunicação falha".

Então, já sabe, né? Se quer evitar que Azaghal e Alottoni tenham dor de cabeça e faz questão que o Tiago leia seu e-mail, escreva direito!

Por: Nathália Ilovatte

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