Tintim foi, nos anos 1950, o herói juvenil por excelência

Filme 'As Aventuras de Tintim' é fiel à HQ

Atualizado: Segunda-feira, 16 Janeiro de 2012 as 11:33

Tintim foi, nos anos 1950, o herói juvenil por excelência. Possuía todos os requisitos para o sucesso. Jornalista, tinha poder de dedução próximo ao de Sherlock Holmes e coragem dos grandes homens. A figura ímpar, com topete e calças curtas, ajudava a particularizá-lo.
A isso, o belga Hergé, seu criador, acrescentou bom grupo de coadjuvantes. O mais notável é o cão Milu, pequeno mas intrépido, fiel como todo bom cão.
Os detetives Dupont e Dupond formam uma dupla impagável. Há ainda Haddock. Ele conhece Tintim no filme que estreia no próximo dia 20. "As Aventuras de Tintim --O Segredo do Licorne" retoma célebre história em quadrinho (HQ) de Hergé.
E por que retomar esse herói praticamente esquecido? O cinema está resgatando velhos heróis de HQs; o público infantojuvenil é visado; animações estão em alta ("Tintim" usa a técnica de fazer o filme com atores e depois cobri-los com efeitos que remetem à animação).
E é possível pensar que Tintim seria o herói por excelência de Steven Spielberg, responsável pelo filme. Ao longo da carreira, ele se identificou com público e heróis infantojuvenis _quem não se lembra de "E.T"? E comprara a opção de direitos sobre livros de Tintim já em 1983!
Spielberg mostrou-se fiel aos livros, quando, por exemplo, em vez de criar uma aventura, adaptou uma já existente. É claro que, depois, vem o cinema de aventuras, o 3D, tudo mais e, com isso, o que podemos ou não gostar neste filme. A começar pela história rocambolesca.
Tintim compra maquete de embarcação, Licorne, logo roubada por carregar um mapa do tesouro. Descobrirá três miniaturas do navio, cada uma com uma parte do mapa. E um vilão disposto a se apossar do mapa.
Isso o leva a Haddock, embriagado capitão, capaz de desvendar o segredo dos mapas.
Além da história, há outros aspectos a notar. Por exemplo, o bom uso do 3D, em especial quando Tintim tenta atravessar uma rua e quase é atropelado. É possível considerar que Spielberg movimente excessivamente a câmera, como se fosse "Indiana Jones" em 2D. A imagem carregada (em contraste com o desenho quase minimalista de Hergé) ajuda a cansar a vista.
Talvez seja preferível assistir à versão dublada, ainda que sem a companhia de crianças. Evita que o olho se desvie da imagem para o letreiro (isso conta num filme de quase duas horas).
Mas a saturação da vista tem algo a ver com Spielberg e sua necessidade de enfatizar o domínio técnico, o que torna a narrativa às vezes trepidante.
No fim, porém, é sentar na poltrona e aproveitar. Tintim foi adotado por um cineasta que o ama. Spielberg foi fiel ao original e fez a transposição para o cinema a seu estilo. Quem tem restrição ao tom montanha-russa que adota aqui (mas não só aqui) poderá renová-la. Mesmo assim, admitirá que as aventuras divertem do começo ao fim.

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